Salvador Sobral decidiu retirar praticamente toda a sua música do Spotify. O cantor anunciou no seu perfil de Instagram que removeu todos os álbuns a solo da plataforma, mantendo apenas as colaborações com outros artistas. O motivo, não está de todo relacionado com a música, mas sim com uma posição política e ética. “A música não pode ser cúmplice da guerra”, escreveu.
Num vídeo partilhado nas redes sociais, nesta sexta-feira dia 30, o músico explicou que o seu afastamento da plataforma se deve a vários fatores. Entre eles, campanhas de recrutamento associadas ao ICE, uma agência norte-americana envolvida em polémicas recentes relacionadas com detenções e deportações de imigrantes.
A decisão começou a ser tomada em dezembro, quando o vencedor da Eurovisão 2017 aderiu a um apelo de boicote ao Spotify promovido por um movimento catalão. Em causa está o alegado investimento de cerca de 700 milhões de euros, por parte do diretor-executivo da empresa, na Helsing, uma startup ligada ao sector do armamento. Segundo Salvador Sobral, trata-se de uma empresa que “faz armamento e trabalha com agentes responsáveis pelo genocídio na Palestina”.
Além disso, apontou o dedo ao investimento em grandes editoras e à promoção de música criada com recurso à inteligência artificial, que, segundo o cantor, surge frequentemente em playlists de destaque. “É um ultraje”, afirmou, acrescentando que “os motivos não acabam” e que “não podemos continuar a fazer parte deste sistema”.
Esta posição não é isolada no percurso público de Salvador Sobral. Nos últimos meses, o artista tem sido uma voz ativa na defesa da Palestina, criticou a permanência de Israel na Eurovisão, acusou a RTP de “hipocrisia” por manter a participação portuguesa no festival e apoiou iniciativas como a flotilha humanitária e o concerto “Juntos por Gaza”, no CCB.
No final do seu vídeo, o cantor esclareceu que não pode obrigar outros artistas a retirarem as suas colaborações da plataforma, mas deixou um apelo à adesão ao serviço de streaming Qobuz, que descreve como “mais ético e mais justo” para os músicos.
O tema ganha particular relevância tendo em conta a ligação de Salvador Sobral à Eurovisão. Em 2017, venceu o concurso com “Amar Pelos Dois”, tornando-se o primeiro e único português a conquistar o troféu um momento histórico que continua a marcar a sua carreira e a amplificar o impacto das suas posições públicas.
















