Há políticos que ficam ligados a pontes, estádios ou grandes obras. Pedro Santana Lopes não escapa à regra, especialmente quando falamos, em Lisboa, do Túnel das Amoreiras ou do Centro Cultural de Belém, do Centro de Artes e Espetáculos na Figueira da Foz, ou da requalificação de dezenas e dezenas de teatros e equipamentos culturais por esse país fora, por exemplo.

Santana Lopes pode reivindicar para si algo que nenhum político pode gabar-se – o de ter dado nome a um doce, no caso a um mil-folhas. E esta talvez seja um dos tributos mais doces que a política portuguesa alguma vez produziu relativamente a um dos seus atores...

O ‘Santaninha’, hoje uma especialidade da Figueira da Foz, nasceu no final dos anos 90, durante o primeiro mandato de Santana Lopes à frente da Câmara Municipal, entre 1998 e 2001. A criação está associada à pastelaria Conchinha Doce e parte de um clássico: massa folhada, creme e uma cobertura marmoreada de chocolate.

A história do nome é ainda melhor. Santana Lopes era um confesso apreciador dos mil-folhas daquela pastelaria, ali na ‘fronteira’ entre o Bairro Novo e as Abadias A predileção tornou-se de tal forma conhecida que, segundo o próprio recordaria anos depois, “não havia quem fosse a Lisboa e não me levasse os mil-folhas”. Os bolos começaram informalmente a ser conhecidos como ‘santaninhas’, de tal forma que o nome pegou.

Pegou de tal maneira que sobreviveu aos anos, aos mandatos, às campanhas eleitorais, e às muitas voltas da vida política portuguesa. Hoje, o ‘santaninha’ integra até os “tesouros da gastronomia tradicional” promovidos na Figueira da Foz. E Santana Lopes pode reclamar uma distinção pouco comum entre políticos: deu o nome a um bolo sem precisar de inaugurar uma pastelaria...

Folhado, creme e chocolate fizeram o resto. Mais de duas décadas depois, na Figueira, pedir um ‘santaninha’ já não significa falar de política. Significa simplesmente escolher uma das guloseimas mais características da cidade — embora, neste caso, seja difícil separar completamente o doce de Santana Lopes, desde 2021 novamente presidente da Câmara.