Um ano depois da morte de Jorge Costa, o FC Porto presta homenagem a uma das maiores figuras da sua história. O eterno capitão dos dragões morreu de forma súbita, a 5 de agosto de 2025, enquanto se encontrava ao serviço do clube, no Centro de Treinos e Formação Desportiva do Olival. Hoje, a dor permanece viva entre os azuis e brancos e é precisamente essa ideia que André Villas-Boas sublinha num emocionado texto publicado esta quarta-feira, dia 5, no jornal O Jogo.
O presidente do FC Porto recorda Jorge Costa como "uma pessoa exemplar, um jogador singular, um dirigente comprometido" e, acima de tudo, "um amigo", admitindo que "há ausências que o tempo não consegue preencher e homens cuja importância só se torna ainda mais evidente quando deixam de estar fisicamente presentes".
Na mensagem, Villas-Boas dirige uma palavra de solidariedade à mulher de Jorge Costa, Estela Rito, à restante família e aos amigos, garantindo que o clube "nunca esquecerá um dos seus maiores símbolos". Recorda ainda que a morte do antigo internacional português, ocorrida "de forma súbita e trágica" no Olival, abalou não apenas o FC Porto, mas também "a cidade e o país".
O dirigente destaca que existe "algo de profundamente portista" no facto de Jorge Costa ter partido "até ao último instante" ao serviço do clube que sempre considerou casa. "Partiu enquanto trabalhava, exigia e ajudava a construir o futuro do FC Porto", escreve, lembrando que o centro de treinos passou entretanto a ostentar o seu nome, transformando-se num símbolo permanente dos valores que o antigo capitão representava.
Para Villas-Boas, essa homenagem vai muito além da memória. "É uma presença e um padrão de exigência para todos os que ali trabalham", afirma, acrescentando que cada jogador, treinador ou funcionário que entra no Olival encontra o exemplo de alguém que demonstrou que "o talento não chega sem trabalho, que a liderança não existe sem coragem e que representar o FC Porto exige caráter, frontalidade, lealdade e entrega absoluta".
Jorge Costa disputou 383 jogos pelos dragões, marcou 25 golos e conquistou 21 títulos, entre os quais a Liga dos Campeões e a Taça Intercontinental, como capitão da equipa orientada por José Mourinho. Contudo, para o presidente portista, os números ficam aquém da dimensão da figura. "Nunca precisou de definir a mística do FC Porto porque ele próprio a personificava", escreve, evocando a forma como protegia os companheiros, enfrentava os adversários e colocava sempre o coletivo acima dos interesses individuais.
Villas-Boas recorda também o regresso de Jorge Costa ao clube, em 2024, para desempenhar funções dirigentes, recusando qualquer papel meramente simbólico. "Voltou para trabalhar, decidir, exigir e ajudar a reconstruir", refere, atribuindo-lhe um contributo importante na conquista do 31.º campeonato nacional.
As cerimónias evocativas incluem uma missa esta quarta-feira, às 19:00, na Igreja de Cristo Rei, no Porto, num momento de recolhimento para familiares, amigos e adeptos.

















