O histórico Vitória de Setúbal está a desenhar um novo ciclo de recuperação, combinando reestruturação financeira e ambição desportiva, com um objetivo assumido: regressar ao principal escalão do futebol português nos próximos anos. Depois de um dos períodos mais turbulentos da sua história, marcado pela perda do estatuto profissional, problemas de licenciamento e descida às competições distritais, o clube sadino procura agora transformar a sobrevivência num projeto sustentado de crescimento.
O primeiro passo foi já dado dentro das quatro linhas. Campeão da 1.ª Divisão da Associação de Futebol de Setúbal, o Vitória assegurou o regresso ao Campeonato de Portugal após duas épocas nas distritais, fechando a temporada com um percurso de grande consistência e renovando a esperança entre os adeptos do Bonfim.
Mas a estratégia do clube vai além do futebol. Em assembleia-geral, os sócios aprovaram esta semana um projeto imobiliário para os terrenos de Vale de Cobro, em parceria com o grupo Tafver, operação considerada decisiva para aliviar o passivo e garantir maior autonomia financeira. Segundo o presidente Francisco Alves Rito, o plano permitirá reduzir ainda mais a dívida e diminuir a dependência do projeto imobiliário previsto para o Estádio do Bonfim.
De acordo com a direção, o passivo do universo vitoriano, que chegou a rondar os 64 milhões de euros entre clube e SAD, terá sido reduzido para pouco mais de seis milhões após a liquidação da sociedade desportiva, podendo baixar para cerca de quatro milhões com a concretização da nova operação.
A meta desportiva é igualmente clara. O Vitória parte para o Campeonato de Portugal com a subida à Liga 3 como prioridade imediata, num percurso que poderá, na melhor das hipóteses, recolocar os sadinos na I Liga dentro de poucos anos. Um regresso que muitos em Setúbal consideram natural para um clube histórico, vencedor de três Taças de Portugal e de uma Taça da Liga, e um dos emblemas com maior tradição no futebol nacional.

















