Frase do dia

  • “Pus-me no papel da mãe que tudo pode. Mas não somos capazes durante muito tempo”, chef Filipa Gomes
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Na madrugada de 10 de agosto de 2025, uma enorme massa rochosa desabou sobre o glaciar South Sawyer, no fiorde Tracy Arm, no Alasca, desencadeando aquele que é o segundo maior megatsunami alguma vez registado. A onda atingiu 481 metros de altura ao longo das paredes do fiorde, varrendo toda a vegetação e redesenhando as margens ao longo de dezenas de quilómetros. O estudo foi publicado esta semana na revista Science.

O colapso envolveu mais de 64 milhões de metros cúbicos de rocha e gerou uma onda inicial de 100 metros que se deslocou a mais de 70 metros por segundo. Apesar da devastação, não houve vítimas já que o desastre ocorreu às 5h30 da manhã, quando o fiorde, normalmente visitado por mais de 20 embarcações por dia durante o verão, se encontrava deserto.

Os investigadores, liderados por Dan Shugar, da Universidade de Calgary, concluíram que o deslizamento resulto do recuo prolongado do glaciar, impulsionado pelo aquecimento climático regional. O degelo retirou o suporte estrutural às encostas íngremes, tornando-as progressivamente instáveis. Nos dias anteriores ao colapso, e sobretudo na hora que o precedeu, foram registados sinais sísmicos subtis que, segundo os autores, poderão futuramente servir de sistema de alerta precoce.

O evento produziu ainda um fenómeno raro: o fiorde continuou a “vibrar” durante até 36 horas após o impacto inicial, numa oscilação de água chamada seiche e que é detetável por satélite e por sismógrafos em todo o mundo. É apenas a segunda vez que este efeito é observado à escala global.
O estudo sublinha um risco crescente: à medida que os glaciares recuam e o turismo de cruzeiro no Alasca aumenta de um milhão de passageiros em 2016 para 1,6 milhões em 2025 , a probabilidade de eventos semelhantes em zonas frequentadas por milhares de pessoas torna urgente o desenvolvimento de sistemas de monitorização e alerta.

Créditos: @SeanHans777 / X

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