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  • “Fui a pessoa mais atacada do Mundo nas redes sociais”, Meghan Markle
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Manuel Soares de Oliveira

A ideia de que a história teria acabado era sedutora. Viveríamos para sempre num sistema liberal capitalista estável, libertos da...

A ideia de que a história teria acabado era sedutora. Viveríamos para sempre num sistema liberal capitalista estável, libertos da angústia dos grandes confrontos ideológicos. Havia um modelo que tinha vencido, provado ser o melhor, e o futuro seria apenas a sua gestão tranquila.

Em 2026, essa ilusão parece não só ingénua como quase cruel. A história não acabou, acelerou. E avança a passos largos para um lugar que ninguém escolheu nem quer.

Queixamo-nos de ter um louco analfabeto como líder da maior potência do mundo. Consolamo-nos a pensar que foi um erro de casting, uma anomalia, e que na próxima eleição o bom senso regressará sob a forma de um candidato moderado e previsível.

Mas sabemos, lá no fundo, que não será assim. A eleição deste Presidente pela segunda vez não foi nenhum acidente. Foi um sintoma. O mundo mudou, e a comunicação política, sequestrada pelas redes sociais, continuará a ser cada vez mais ruidosa, mais violenta e mais mentirosa. Não por acaso, mas por design.

As pessoas não querem verdades. Querem que lhes digam que aquilo em que já acreditam é verdade. Que as suas desconfianças têm fundamento. Que os seus medos são legítimos. E, confortadas nessas novas certezas, o passo para a violência verbal e às vezes física, contra quem pensa de forma diferente torna-se quase natural.

Os políticos tentam regular o mundo digital. Mas cada vez que aprovam nova legislação já o ecossistema mudou outra vez. É como tentar regular um rio enquanto ele corre.

Entretanto, uma nova geração de líderes percebeu que não precisa de ter razão. Os Farages, as Melonis, os Venturas e tantos outros não querem construir pontes nem apresentar soluções exequíveis. As suas propostas não são programas de governo, são manifestos de crença. Prometem respostas simples para problemas complexos: a imigração, a habitação, a criminalidade. O mundo, claro, é imensamente maior do que as suas pequenas ideias. E eles próprios sabem-no.

Sabem também que nunca controlarão a narrativa num mundo que se move imparável. Mas não precisam. Basta convencer os seus eleitores de que existe uma solução simples. Não existe, e eles sabem. A sua sorte é que, por enquanto, os eleitores ainda não chegaram a essa conclusão.

Alguns de nós ainda gostaríamos que a história tivesse acabado. Que o mundo fosse previsível, governável, decente. Mas com as redes sociais primeiro, e agora com a inteligência artificial, caminhamos em sentido contrário, para um mundo mais violento, mais fragmentado, mais cruel.

O admirável mundo novo, afinal, não tem nada de admirável.