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André Pardal

A HÚBRIS DE LUIS NEVES E A PROTEÇÃO DAS INSTITUIÇÕES

André Pardal

Ao contrário de outros não aspiro a ser um novo “Zandinga” da política portuguesa, contudo, quando – em devido tempo e nos órgãos próprios do PSD – alertei para a incompreensibilidade e perigo para as instituições democráticas que a indigitação do então Diretor Nacional da Polícia Judiciária para Ministro da Administração Interna representava, não estava enganado.

Este “caso” de Luis Neves mostra mais do atual País do que parece, senão vejamos.

As “fugas” seletivas de informação – naturalmente “fogo amigo” –, a promiscuidade entre determinados setores da imprensa e da Justiça (ou seus alicerces), o sentimento de impunidade de alguns, ou o desrespeito pelos mais elementares princípios do Estado de Direito (um autêntico voyeurismo) de outros.

Mas quem os alimentou durante anos? E – principalmente – quem deles beneficiou?

Aquele que garantia – em direto nas TV – a “inocência” de pessoas sob investigação do Ministério Público, que – ao arrepio de qualquer descrição ou proporcionalidade – “fretava” aeronaves da Força Aérea para umas buscas circunscritas, ou, ainda, que anunciava, com pompa e circunstância, a detenção de um antigo banqueiro que, dias depois, se suicidou numa qualquer prisão sul-africana, está – afinal de contas – a ser vítima do “Estado a que chegámos”, nas sábias palavras de Salgueiro Maia.

Um Estado que – na verdade e cinquenta e dois anos volvidos do 25 de abril de 74 – não garante, em absoluto, a presunção de inocência ou um quadro fundamental dos direitos, liberdades e garantias dos seus cidadãos.

Não desvalorizando os milhares de estudantes (e respetivas famílias) que têm, no presente dia e incompreensivelmente, as suas vidas suspensas, mas que, ao invés, têm perante si um Ministro que dá a cara, avalia e certamente responderá pelos resultados da sua atuação enquanto tal, no caso de Luis Neves está em causa o amago do Estado de Direito, a confiança dos cidadãos nas estruturas que lhes garantem proteção e segurança.

Desde logo a Polícia que investiga a criminalidade “mais grave, violenta, organizada e complexa” e todo o sistema judicial.

A PJ, uma das instituições mais prestigiadas aos olhos dos portugueses (e cujos recursos são fornecidos pelo Estado, em nome dos cidadãos, e não por um qualquer dirigente de turno) deve (e merece) ser protegida, assim como todos os seus zelosos trabalhadores (e não só os polícias).

Porque nem o Estado nem a PJ nasceram ou terminam hoje, contudo, necessitam de descrição, eficácia e confiança para cumprirem as suas missões aos olhos de quem verdadeiramente interessa, os portugueses.

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Publicado em 21 julho de 2026
André Pardal

DEFESA PARA QUE TE QUERO

André Pardal

No rescaldo de uma fulcral Cimeira da NATO – certamente a mais importante dos últimos anos, após cinco anos de guerra na Europa e dois anos de Presidência Trump nos EUA – a Cimeira de Ancara vincou, acima de tudo, a autonomia estratégica europeia perante a errática conduta norte-americana para com o “velho continente”, colocando em causa mais de 70 anos de feliz cooperação.

No que a Portugal diz respeito, um recente Relatório Anual da Aliança Atlântica confirma que – pela primeira vez desde o seu compromisso na Cimeira de Gales, em 2014 – o nosso País atingiu os 2% do PIB com a sua defesa, mantendo-se, contudo, e a par de Espanha, Canadá, Bélgica e Albânia, entre os Países-membros que menos despendem (investem) na matéria.

Na referida Cimeira, o nosso Primeiro-Ministro anunciou que, até ao final do presente ano, o País iria investir 3,1% da riqueza anual gerada nas suas capacidades de Segurança e Defesa (2,1% diretamente em defesa e 1% em infraestruturas de utilização dual), o que é manifestamente uma excelente notícia.

E para quê? Para que missões e com que objetivos estratégicos será feito esse investimento?

Como (quase) sempre em Portugal gostamos de “ser os bons alunos” muitas das vezes sem qualquer foco interno ou externo de assinalar.

Com um Conceito Estratégico de Defesa Nacional completamente obsoleto – de 2014, onde a Federação Russa ainda é considerada parceira – enormes dificuldades no recrutamento, e, principalmente, na retenção de pessoal, as questões que se colocam são: quem irá operar os meios a adquirir ou entretanto adquiridos (com especial preocupação na Marinha cujas guarnições estão exaustas), e, que capacidades defensivas queremos e para quê?

A verdade é que o País continua a ter o culto (bem salazarento) das corporações que paralisam o funcionamento do Estado.

 

Porque – ao longo dos anos – foi sempre mais fácil agradar a todos, mas, decidir em nome do interesse nacional e não de uma qualquer corporação, isso sim, deveria ser o desígnio de qualquer decisor público.

 

Um Estado que se dá ao “luxo” de investir em material de combate a incêndios dispersos por 3 ministérios e hierarquias distintas (autarquias, uma força de segurança de natureza militar e as Forças Armadas), assim como, em 2 guardas costeiras, concorrentes, também em Ministérios distintos, não pode tranquilizar os seus cidadãos (contribuintes) num investimento desta magnitude.

Porque – ao longo dos anos – foi sempre mais fácil agradar a todos, mas, decidir em nome do interesse nacional e não de uma qualquer corporação, isso sim, deveria ser o desígnio de qualquer decisor público.

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Publicado em 14 julho de 2026
André Pardal

A EVOLUÇÃO DO DESPORTO-REI

André Pardal

Para quem ama o desporto, em particular o futebol, acima de tudo pela paixão e imprevisibilidade que o mesmo provoca, reveste-se de especial importância tentar perceber o porquê de tanta adoração, um pouco por todo o Mundo.

O futebol em geral, mas muito em particular o de seleções – ao contrário da maioria dos desportos – é bastante democrático e popular, no sentido em que Países pobres ou em vias de desenvolvimento jogam de igual para igual com grandes potências mundiais, muitas das vezes superando-as.

Em mais nenhum desporto ou atividade isso acontece.

Jogadores provenientes de condições – autenticamente – marginais nas suas sociedades de origem, muitas vezes de Países já de si excluídos do “mainstream” mundial, ombreiam (ultrapassando-os na maioria dos casos) com congéneres ricas e poderosas.

É por isso que, desde os longínquos Anos 30 (aquando da realização do primeiro Campeonato do Mundo de Futebol e onde as seleções viajavam de barco entre continentes), levanta tantas paixões.

Contudo, o romantismo do futebol – da rua, da paixão – há muito que começou a ser posto em causa.

Desde logo, nos Anos 60, com a sua profissionalização. Onde jogadores, estruturas técnicas e dirigentes passaram de um completo amadorismo (até então jogador de futebol não era profissão, mas mero hobbie) para a profissionalização total que hoje conhecemos (e nem concebemos de outra forma).

E, nos Anos 90, com a industrialização do futebol. Onde – aliado à sua completa globalização – este passou a ser um deporto global de entretenimento, com um boom de receitas atraindo gigantes comerciais e do entretenimento.

O futebol que hoje conhecemos.

 

Neste Mundial, a forte ligação FIFA-Trump não deveria surpreender ninguém, assim como não surpreendeu anteriores escolhas e motivações.

 

Aliado a esse movimento, o futebol nunca foi indiferente à política, tenha ela conotações mais à esquerda ou mais à direita, mais ou menos democráticas. Foi, principalmente, usada (dada a paixão das massas) para sucessivos líderes alavancarem os seus índices de popularidade, o novo “ópio do povo” numa linguagem marxista.

Neste Mundial, a forte ligação FIFA-Trump não deveria surpreender ninguém, assim como não surpreendeu anteriores escolhas e motivações.

Falamos numa das maiores (e mais poderosas) instituições mundiais, aliada ao Presidente de um País (uma megapotência) que – não obstante o “soccer” não ser dos mais populares desportos nos EUA – entende a magnitude que o mesmo granjeia a nível mundial, inclusivamente, nos Estados alvos de sanções e proibições pela Administração Americana.

Para aqueles que – como eu – genuinamente apreciam o desporto-rei, a sua imprevisibilidade, paixão e democraticidade, teremos de conviver com todas estas evoluções, uma vez que, mesmo com elas, continuará a ser o desporto mais belo do Mundo.

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Publicado em 07 julho de 2026
André Pardal

UM PAÍS ADIADO

André Pardal

Regresso ao Mundial de Futebol cuja “campanha” da seleção nacional, até ao momento, tem sido uma boa metáfora do nosso País nos últimos anos.

Com excelentes quadros, dos melhores do Mundo nas suas posições, que fora de portas (bem enquadrados) brilham tanto como os melhores, mas que, na sua seleção (no seu País), jogam a passo e sem ambição. Uma equipa (um País) adiada(o)!

E onde é que já vimos isto?

Sem irmos às grandes potências do futebol, ao compararmos as “ganas” com que tanto as jovens e físicas equipas africanas, como as fogosas sul-americanas encaram o jogo, ainda que com executantes pouco consagrados, com condições deficientes de treino ou de exigência, mas que, dão tudo dentro de campo, com a nossa seleção, assistimos a um “Oceano” de diferenças.

Acima de tudo uma questão de atitude, de organização e de liderança, mais do que tudo o resto.

Quando nos perdemos no acessório, na espuma dos dias, na sobrevivência e na pequena tática, a consequência é que a economia (como um todo) arrefece, o salário mínimo aproxima-se (vertiginosamente) do médio, os jovens mais ambiciosos (tal como no futebol) desesperam por uma oportunidade no exterior, e, o País fica – perigosamente – adiado.

Acostumados a um “rame-rame” ou a um “triste fado”, somos frequentemente pouco ambiciosos, connosco e com quem nos governa, o “viver habitualmente” de Salazar que ainda ecoa em muitas mentes.

Mas, tanto no desporto-rei – com o maior fenómeno desportivo (e não só) nacional que, aos 41 anos, contraria as leis da Natureza – como no País, com os ambiciosos jovens que “já não estão para viver neste ritmo”, o tempo e as circunstâncias encarregar-se-ão de mostrar que Portugal não ficará eternamente adiado.

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Publicado em 30 junho de 2026
André Pardal

DO CÉU AO INFERNO EM 90 MINUTOS

André Pardal

Ciclicamente – agora quase com periodicidade anual, entre fases finais da Liga das Nações, do Europeu e do Mundial – o País (e não só o nosso, é certo) entra por esta altura do ano numa alienação coletiva motivada pela prestação da seleção nacional de futebol.

A verdade é que nem sempre assim foi.

O alargamento do número de Países presentes nas fases finais, mas, principalmente, o elevar do estatuto da nossa seleção para um patamar nunca antes obtido (nem mesmo com os epifenómenos de 1966 ou 1984), leva a que – mais próximo da realidade cultural sul-americana ou africana – Portugal pare por causa do desporto-rei.

Contudo, à boa maneira novelesca portuguesa, euforia e depressão, heróis e vilões, sucedem-se a uma cadência de segundos.

Mas, a verdade é que para um País de média dimensão (para alguns deslumbrados, de pequena, como eles), com um crónico baixo investimento no desporto, uma fraca cultura de preparação intensiva, e, salvo raras exceções, com fracos resultados desportivos contínuos nos outros desportos (veja-se a nossa posição no histórico do medalheiro olímpico), o futebol é mesmo um oásis, em particular nos últimos vinte e cinco anos.

E, a que se deve esta mudança?

É certo que a um maior apoio financeiro e a mais profissionalismo (ao nível dos melhores do Mundo) de todo o “edifício” do futebol, mas, acima de tudo, à mudança de mentalidade provocada por um atleta (e ser humano) extraordinário nascido no nosso País.

Bem sei que, na fase descendente da carreira e após um início pouco auspicioso de Mundial, não é muito popular defender Cristiano Ronaldo. Mas, é precisamente nestes momentos que devemos ter memória e ser gratos por havermos sido bafejados pela sorte (mas também pelo suor e lágrimas) de um dos melhores desportistas mundiais de sempre ser nosso concidadão.

Sejamos justos e razoáveis, e que ganhe a nossa seleção, naquilo que não deixa de ser apenas futebol.

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Publicado em 23 junho de 2026
André Pardal

MISS MUNDO EM BELÉM

André Pardal

Ao fim de 100 dias no exercício das funções de Presidente da República – período que habitualmente demonstra o tónico de todo um mandato – António José Seguro conseguiu apresentar-se aos portugueses (e não há duas oportunidades para causar uma boa primeira impressão) como uma mão cheia de nada.

Se, por um lado, o tempo – inédito – que demorou a constituir a sua equipa de trabalho personifica bem a falta de “Mundo” e de capacidade de decisão do novo inquilino do Palácio de Belém.

Por outro, os seus chatos, redondos e enfadonhos discursos – de onde sobressai o do passado 10 de junho, sem qualquer nota de realce assinalável – são dignos, no sentido pejorativo do termo, de uma qualquer candidata a Miss Mundo que procura, no afã do pouco tempo disponível em palco, agradar a todos, nada dizendo.

Para aqueles do espaço político do centro e do centro-direita que, sempre disponíveis para se “colarem” a um potencial vencedor, correram para um apoio a um candidato que nem o seu próprio partido quis (em particular os que logo o apoiaram à primeira volta), aí está o primeiro veto político do novel presidente, relembrando o seu espetro político de origem.

Se quisermos perceber a ascensão de partidos e movimentos populistas (de esquerda ou direita), bem como o afastamento entre eleitos e eleitores, é continuar com políticos “dinâmicos” e “originais” assim. 

Um País com a nossa História, a nossa cultura e as nossas gentes, que deu “Novos Mundos ao Mundo”, numa época de desafios urgentes a nível nacional e mundial, merecia bem mais.

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Publicado em 16 junho de 2026
André Pardal

PEDRO E O LOBO NA JUSTIÇA

André Pardal

Pela enésima vez nos últimos tempos, no passado dia 28 de maio (curiosamente dia que marcava o centenário do Golpe Militar que derrubou a I República, e, simultaneamente, data da prevista audição do Procurador-Geral da República no Parlamento), o País acordou com mais uma mediática “megaoperação” da PJ, desta feita com buscas a várias autarquias e à sede do PS.

Para além da banalização crescente das restrições aos constitucionalmente previstos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, como a realização de buscas (principalmente domiciliárias) e interceções telefónicas – que os visados e seus mais próximos nunca esquecerão – o avolumar deste tipo de atuações, muitas delas sem qualquer consequência prática (a não ser, infelizmente, para os próprios), só contribui para alimentar os mais perversos populismos da nossa sociedade.

Depois admiram-se.

Bem sei que a Justiça é cega, não escolhe datas, partidos ou pessoas, mas, já é altura de – do alto da sua habitual sobranceria – descer ao “Mundo Real” e habituar-se (como o comum dos mortais em democracia) a prestar contas, e, em determinados casos, a ter consequências das suas atuações.

A máquina judicial deve atuar – sempre, sem qualquer exceção – com parcimónia, proporcionalidade e adequação, e, não ao sabor de qualquer vaidade ou fervor mediático.

Não convence a habitual “lenga-lenga” da falta de recursos quando numa única operação se utiliza um terço do total dos inspetores de uma polícia.

O que seria se numa única ação policial – por exemplo o “cerco” a uma zona potencialmente perigosa ou uma operação de prevenção rodoviária – a PSP ou a GNR empenhassem 7.000 dos seus elementos?

Claro está que o principal – senão o único – responsável é o poder político, uma vez que, por receio ou incapacidade, nada faz a fim de evitar que a metáfora do velho conto infantil se aplique em cheio no nosso País, a bem da democracia e do bom funcionamento das suas instituições.

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Publicado em 09 junho de 2026
André Pardal

DE VITÓRIA EM VITÓRIA ATÉ À DERROTA FINAL

André Pardal

No passado sábado, Luis Montenegro – atual primeiro-ministro, Presidente do partido liderante da coligação governativa, maior e mais dinâmico partido nacional, que dirige (sozinho ou em coligação) a maioria das autarquias nacionais (Municípios e Freguesias), bem como as duas Regiões Autónomas – foi reeleito por 14.467 militantes, num universo global de 254.099 inscritos, menos de 6% do total.

Na capital do País, dirigida por um autarca do PSD, votaram pouco mais de 500.

Estes baixos números – que não são um exclusivo do PSD ou de Luis Montenegro – deveriam fazer-nos refletir enquanto sociedade (que se diz) democrática, e, não apenas o crescimento dos partidos populistas (de esquerda ou direita), o “imprevisível” Donald Trump ou o provocador “Bad Bunny”.

O facto de ser candidato único e, simultaneamente, primeiro-ministro torna naturais estes resultados, dir-me-ão.

Mas sempre assim foi? De todo.

Mais de cinquenta anos volvidos da “Revolução de Abril”, do atual regime constitucional e do surgimento dos grandes partidos democráticos, parece que os portugueses (até mesmo os que neles escolheram militar) lhes voltaram as costas.

E porque será?

Fechados em aparelhos e cúpulas partidárias, silenciando as consciências críticas e com métodos eleitorais internos opacos, tornaram-se verdadeiras caixas de ressonância amorfas das lideranças de circunstância.

Todos perdemos.

Só com uma profunda alteração – como há muito venho defendendo – do funcionamento interno dos Partidos (em particular das suas escolhas internas, e, principalmente, externas) e do sistema eleitoral (aproximando eleitos de eleitores) melhoramos a democracia e evitamos o crescimento daqueles que florescem com as suas fragilidades.

Caso contrário, continuaremos, alegremente, de vitória em vitória até à derrota final.

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Publicado em 02 junho de 2026
André Pardal

A REVISÃO DO RJIES

André Pardal

Quase vinte anos (quando a própria Lei previa que fosse ao fim de cinco), três Primeiros-Ministros e oito Governos depois, eis que, no passado dia 8 de maio, o Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) foi – finalmente – revisto pelo Parlamento.

E, se a Lei de Bases do Sistema Educativo (em 1986, também na vigência de um Governo minoritário, de Cavaco Silva) foi aprovada por unanimidade na Assembleia da República, ao invés, a versão inicial deste RJIES foi, em 2007, aprovada unicamente pelos deputados da maioria absoluta socialista, com a rejeição de todos os outros.

Agora, também num Governo minoritário, esta revisão foi aprovada com os votos de todos os partidos do centro-direita e da direita (PSD, CDS, Chega e IL), com a abstenção de PAN e JPP.

Sinais dos tempos.

E que balanço deste vinténio de vigência?

Os tentáculos controladores da dupla Sócrates/Gago “ceifaram” de morte a democraticidade interna das Instituições de Ensino Superior, excluindo estudantes e funcionários não docentes da sua gestão.

Os tradicionais corporativismo e endogamia docentes das Instituições lusas, apenas moderados pela paridade de estudantes nos seus órgãos, até 2007, foram, ao longo destas duas décadas, exacerbados a um ponto de difícil retorno.

Na revisão, agora aprovada, saliento como francamente positivo o alargamento do universo eleitoral para Reitor, com a consequente maior participação dos estudantes (o futuro de qualquer sociedade), bem como a maior flexibilidade e autonomia dadas às Instituições de Ensino Superior, possibilitando, inclusivamente, a sua fusão/incorporação com outras.

Contudo, o diluimento do sistema binário (Universidades e Politécnicos) – recordando que estes últimos, com a sua matriz profissionalizante vieram dinamizar áreas formativas, cidades e regiões muitas vezes esquecidas, fixando jovens qualificados – tudo tentando equiparar (nivelando por baixo) parece-me mais uma medida tipicamente provinciana, para agradar a caciques locais, que uma verdadeira medida estrutural.

O País precisa – há muito – de um reordenamento da sua rede de Instituições de Ensino Superior, com a supressão/agregação de muitas, bem como, da oferta formativa, e, dada a cultura reinante (de capelinhas) só mesmo com a intervenção do Estado (afinal de contas, quem financia) poderá ser convenientemente concretizada.

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Publicado em 26 maio de 2026
André Pardal

O PARADOXO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS NACIONAIS

André Pardal

Quem habitualmente se relaciona com os serviços da Administração Pública, seja por motivos pessoais ou profissionais, sente bem o colapso em que se encontram.

Muito para além de pomposos anúncios ou do costumeiro passa-culpas partidário, a verdade é que, de há anos a esta parte, se nota bem o abandono a que a maioria dos serviços públicos foram votados, por sucessivos Governos e responsáveis políticos.

Repartições vazias, serviços – supostamente de porta aberta – onde, mais de quatro anos após o final das medidas restritas da pandemia COVID-19, ainda se atende por marcação, funcionários desmotivados, mal pagos e com uma média etária (demasiado) elevada.

Enfim, o calvário diário para qualquer contribuinte, cidadão, empresário, investidor, nacional ou estrangeiro.

Isto a propósito dos recentes dados – divulgados pela Direção-Geral da Administração e Emprego Público (DGAEP) – que nos mostram que voltou em 2026 a bater-se o recorde do número de funcionários públicos, 767.094 (mais 40.000 em relação a dezembro de 2011), sendo as áreas em que o número mais subiu (é para rir, eu sei), a Saúde e a Educação!

Como entender este – aparente – paradoxo?

Enfrentamos não um problema de falta de recursos, mas, sim, uma crónica má gestão dos mesmos.

Áreas existem onde haverá – sim – funcionários a mais, e, outras (a maioria) a menos.

Foram opções políticas, conscientes ou não, que deverão ser tidas em conta no momento do voto, mas, não entremos em demagogias baratas.

O que, a título de exemplo, a reforma do – então – Diretor-Geral dos Impostos Paulo Macedo mostrou (há mais de 20 anos) é que havendo vontade política, conhecimento das matérias que se tutela e pessoas capazes, não é necessário grande esforço financeiro (antes pelo contrário) para melhorar a nossa Administração Pública, basta querer (e saber).

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Publicado em 19 maio de 2026
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