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Carlos Reis

A morte de Jürgen Habermas (18.06.1929–14.03.2026) assinala o desaparecimento de uma das últimas grandes figuras da filosofia pública europeia. Herdeiro direto...

A morte de Jürgen Habermas (18.06.1929–14.03.2026) assinala o desaparecimento de uma das últimas grandes figuras da filosofia pública europeia.

Herdeiro direto da tradição da Escola de Frankfurt, Jürgen Habermas procurou preservar o impulso emancipatório do pensamento marxista ao mesmo tempo que o reconciliava com os fundamentos do liberalismo democrático.

A sua teoria da ação comunicativa e a defesa de uma esfera pública racional constituíram talvez a mais sofisticada tentativa contemporânea de justificar normativamente a democracia liberal sem abdicar da crítica estrutural às formas de poder e dominação.

Jürgen Habermas acreditava que a razão não estava condenada ao instrumentalismo denunciado pelos seus predecessores. Pelo contrário, na própria linguagem residiria um potencial de entendimento mútuo capaz de sustentar instituições democráticas mais legítimas. Assim, a tradição marxista, frequentemente associada a projetos revolucionários ou a leituras economicistas da história, encontrava na sua obra uma reformulação deliberativa: a emancipação não como ruptura violenta, mas como aprofundamento discursivo da democracia.

Contudo, permanece uma questão que a própria Teoria Crítica nos ensina a colocar. Se todo o edifício teórico deve permanecer exposto ao escrutínio crítico das condições históricas que o produzem, até que ponto a obra de Jürgen Habermas pode escapar ao mesmo processo de desconstrução que ela própria legitimou? Aplicada a si mesma, a crítica tende a operar sucessivos cortes epistemológicos, revelando contingências, pressupostos e limites que gradualmente reduzem a pretensão de universalidade de qualquer teoria.

Talvez resida aqui uma das ironias mais profundas da tradição crítica: o seu poder emancipador nasce precisamente da capacidade de minar as certezas que procura fundamentar. Nesse movimento contínuo de revisão, a filosofia corre o risco de produzir uma espécie de autodesgaste conceptual, onde cada nova camada crítica parece diminuir aquilo que julgávamos ser — ou compreender — sobre nós próprios.

Ainda assim, é possível que Jürgen Habermas tenha compreendido melhor do que ninguém esse paradoxo: que a razão só permanece viva enquanto aceita a possibilidade permanente da sua própria revisão.

Em suma, Jurgen Habermas supera o cogito, ergo sum de Descartes ao mudar o foco da filosofia da consciência para a filosofia da linguagem e da ação comunicativa, mudando o foco do “eu penso” para o “nós comunicamos”; logo existimos.

Talvez a crítica seja severamente injusta para uma mente tão brilhante como esta que a nossa civilização agora perde, mas é um facto inelutável que é nas ruínas intelectuais da Escola de Frankfurt que encontramos a caixa preta do colapso da Europa, enquanto projecto civilizacional de emancipação e liberdade, que aceitou e construiu o seu próprio cânone.

De certa forma, com a morte física de Habermas, foi atestado também o óbito da nossa Europa Ocidental…