
Judite Sousa
Durante muito tempo, discutiu-se o alcance do poder no feminino. Na política, é certo que já não podemos falar de uma fortaleza masculina. Basta vermos os exemplos de Christine Largarde, à frente do Banco Central Europeu, ou da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen, ou ainda da primeira-ministra italiana, Georgia Meloni, que, em poucos anos, passou de uma militante neo-fascista para líder de uma das economias do G7.
É curioso, por exemplo, que em África, no Ruanda, que viveu em 1984 um dos piores genocídios do século XX, 60 por cento dos lugares no atual parlamento sejam ocupados agora por mulheres. Mas do que vos venho falar é de um livro acabado de ser publicado em Espanha, pela historiadora Ana Velasco Molpeceres, e que se chama ‘Moda Política, as Aparências do Poder’. O que ela nos diz é que “o poder, antes de construir leis, constrói imagens”.
Fala, por exemplo, do estilo de Jacqueline Kennedy como fazendo parte do mito presidencial que representava o marido e presidente dos Estados Unidos. Ou ainda de como Melania Trump personifica o luxo silencioso. Ou de como Letizia de Espanha opta pelos fatos de trabalho, demonstrando contenção de custos, mas simultaneamente legitimidade histórica.
A conclusão da autora é a seguinte: a liderança feminina contemporânea é um equilíbrio entre autoridade e acessibilidade. Embora neste ano de 2026 as passerelles tenham sido invadidas pelos elementos do barroco, como o uso de colares, tão elegantemente protagonizados pela Coco Chanel, ou pelos broches nas lapelas dos casacos, nas mangas das camisas ou num normal boné, o posicionamento na forma como a imagem feminina é comunicada implica credibilidade com elegância e marca distintiva. É, de certo modo, uma espécie, como diz a autora, de “diplomacia estética”.