
Judite Sousa
O tema da idade da reforma está a dominar o espaço público, em resultado da proposta formulada por André Ventura. É neste contexto que avalio a questão no âmbito da maioria dos países europeus. Desde logo, existe um ponto prévio: em muitos casos, a idade da reforma está a subir e não a descer, devido ao envelhecimento da população e à pressão que existe sobre a sustentabilidade financeira dos sistemas de pensões.
Há dados muito curiosos. Os países que têm como idade legal da reforma uma média de 66 anos são Portugal, Espanha, Alemanha, Itália, Países Baixos, Bélgica, Irlanda, Dinamarca, Suécia, Hungria e a Grécia. Na ordem dos 65 anos, estão a maioria dos países da Europa de Leste que, durante décadas, funcionaram na órbita da antiga União Soviética. Ou seja, países como a ex-República Checa, Polónia, Eslováquia, Bulgária e Hungria, que têm como idade legal da reforma cerca de 65 anos. À margem desta avaliação está a França, que aumentou de 62 para 64 anos a idade da reforma, depois de um conflituoso processo com implicações políticas.
Como se percebe, as diferenças em termos de idade não são assim tão distantes a nível europeu. As grandes diferenças estão nos modelos financeiros para a sustentabilidade das pensões, sendo que, na maioria dos países analisados, existe uma combinação entre fundos públicos e privados. A discussão é complexa, porque envolve a questão demográfica mais sensível nas sociedades atuais: o aumento da esperança de vida e o consequente envelhecimento da população, o que não significa que a experiência dos mais idosos não deva ser valorizada e mantida no espaço laboral mediante um quadro legal adequado.

Judite Sousa
Durante muito tempo, discutiu-se o alcance do poder no feminino. Na política, é certo que já não podemos falar de uma fortaleza masculina. Basta vermos os exemplos de Christine Largarde, à frente do Banco Central Europeu, ou da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen, ou ainda da primeira-ministra italiana, Georgia Meloni, que, em poucos anos, passou de uma militante neo-fascista para líder de uma das economias do G7.
É curioso, por exemplo, que em África, no Ruanda, que viveu em 1984 um dos piores genocídios do século XX, 60 por cento dos lugares no atual parlamento sejam ocupados agora por mulheres. Mas do que vos venho falar é de um livro acabado de ser publicado em Espanha, pela historiadora Ana Velasco Molpeceres, e que se chama ‘Moda Política, as Aparências do Poder’. O que ela nos diz é que “o poder, antes de construir leis, constrói imagens”.
Fala, por exemplo, do estilo de Jacqueline Kennedy como fazendo parte do mito presidencial que representava o marido e presidente dos Estados Unidos. Ou ainda de como Melania Trump personifica o luxo silencioso. Ou de como Letizia de Espanha opta pelos fatos de trabalho, demonstrando contenção de custos, mas simultaneamente legitimidade histórica.
A conclusão da autora é a seguinte: a liderança feminina contemporânea é um equilíbrio entre autoridade e acessibilidade. Embora neste ano de 2026 as passerelles tenham sido invadidas pelos elementos do barroco, como o uso de colares, tão elegantemente protagonizados pela Coco Chanel, ou pelos broches nas lapelas dos casacos, nas mangas das camisas ou num normal boné, o posicionamento na forma como a imagem feminina é comunicada implica credibilidade com elegância e marca distintiva. É, de certo modo, uma espécie, como diz a autora, de “diplomacia estética”.