
José Braga Gonçalves
As empresas farmacêuticas de marcas que fornecem ao SNS português medicamentos essenciais e de grande consumo, a ver, Pfizer, Merck, Novartis, Roche, AstraZeneca, GSK, Sanofi, AbbVie, Amgen, Eli Lilly, são controladas, ao nível acionista, essencialmente por dois Fundos americanos, BlackRock e Vanguard, englobados numa intrincada teia com outros quatro que lhe estão relacionados, State Street, Geode Capital, T. Rowe Price e Davis Selected Advisers.
A BlackRock é a maior gestora de ativos do mundo; o Vanguard é o maior acionista passivo do mercado americano.
Parece vago ou confuso, mas não é; antes pelo contrário, é claro e distinto, pois esta teia produz um impacto crucial na política de patentes onde as farmacêuticas de marca utilizam estratégias de evergreening para prolongar artificialmente a exclusividade dos seus medicamentos, atrasando a entrada de genéricos.
O evergreening é um conjunto de práticas das farmacêuticas de marcas em operações de registo e processos nos tribunais de propriedade intelectual, que são incentivadas pelos acionistas institucionais para prolongar artificialmente margens elevadas e previsibilidade de grandes receitas.
O que é então o evergeening que tanto dinheiro custa aos bolsos dos utentes portugueses, às famílias e ao Estado?
O evergreening é um conjunto de práticas das farmacêuticas de marcas em operações de registo e processos nos tribunais de propriedade intelectual, que são incentivadas pelos acionistas institucionais para prolongar artificialmente margens elevadas e previsibilidade de grandes receitas.
E assim, perto do fim do prazo de reserva exclusiva de uma patente, as farmacêuticas de marcas introduzem uma alteração menor no medicamento mudando o comprimido para uma cápsula de libertação prolongada, alterando a dosagem ou combinando com outra substância ativa, procedendo então ao registo uma nova patente para esta “nova” versão e tentando impedir o aparecimento de medicamentos genéricos muitíssimo mais baratos.
Esta luta trava-se todos os dias nos tribunais portugueses, ao caso, no Tribunal da Propriedade Intelectual.
Valha-nos este.

José Braga Gonçalves
As perseguições perpetradas pelo Departamento de Justiça aos inimigos de Trump, criaram um precedente nunca antes visto no sistema político e judicial americano.
Ao abrir precedentes a que até o Republicano Nixon escapou, cavalheirescamente perdoado pelos Democratas, deixam estes estupefactos ante a Caixa de Pandora que Trump literalmente arrombou e que aqueles pudicamente mantinham fechada.
Ali, vão querer tirar a desforra daquela que consideram uma família assaltante do poder e da economia da América.
Anseiam, assim, a vez de catapultar a família Trump para o panteão da primeira ocupante da Casa Branca a enfrentar de volta uma perseguição implacável, tão logo o atual Presidente saia do poder, seja pelo decurso do tempo, ou pelos efeitos físicos da idade.
Ali, vão querer tirar a desforra daquela que consideram uma família assaltante do poder e da economia da América.
Certo é que ninguém se vai lembrar dos sultanatos dos Bush, dos Clinton ou de outros mais.
Sabido é que todos vão querer saborear o sangue económico da família Trump, o qual já se encontram a cheirar.
Certo e sabido que assim será. E certo e sabido é a família Trump não ter ideia onde se irá refugiar.
Nos Estados Unidos, não será.

José Braga Gonçalves
Devastado, o Mundo olha para a Venezuela, mártir agora de mais um terramoto que avassalou o que sobrara em ruína de outra devastação, a política de uma suposta esquerda que até daria bom nome a Robespierre, se comparada fosse.
Devastado, o Mundo olhara quase três séculos antes para um próspero reino ibérico governado pelo Rei mais rico que até então se conhecera, e que enriquecera cobrando os “Quintos dos Infernos”, os vinte por cento de imposto sobre todo o ouro e pedras preciosas extraídas no Brasil.
Ambos regimes de pendor cleptocrata, um, salvo pela figura visionária de um Marquês de antanho, Pombal de seu último título nobiliárquico; o outro, aguardando a intervenção de um rei dos tempos modernos.
Quanto a este, com menos margem de manobra que o então ministro Pombal, iniciou a tomada de poder estabelecendo uma robusta pegada militar em torno do avassalado país com o envio, agora, de mais um milhar de militares a pretexto de apoiar o rescaldo.
Pombal, jamais aceitaria uma tal ajuda; o fragilizado poder venezuelano, já está por tudo. É a oportunidade.
Pombal recuperou Portugal com as riquezas do Brasil; a cleptocracia venezuelana vai ter que recuperar o país com a sua própria riqueza.
Apenas, Trump mandará nela.
Ainda mais.

José Braga Gonçalves
De Trump, diz-se de tudo. O difícil é escolher. Mas talvez exista ali mais pragmatismo económico do que mera bravata, como a muitos aparenta.
Neste momento, Trump aproveitou a guerra da Rússia e substituiu-se-lhe na venda de gás à Europa com proveitos extraordinários literalmente roubados a Putin enquanto lhe dava palmadinhas nas costas.
Aproveitou também a guerra da Rússia e a distração que esta causa em Putin, para se apoderar da maior reserva de petróleo do mundo, a Venezuela.
Pragmaticamente, transformou-a num Proxy, à iraniana.
Aproveitou-se do bloqueio no Golfo para deixar que outrem explicasse militarmente aos árabes moderados e antagonistas históricos do Irão, a fragilidade das suas rotas de exportação.
Bloqueado o estreito, aumentou as suas.
Subiu a venda de armas americanas a números inimagináveis e encheu os cofres dos fabricantes e militares seus apoiantes de sempre.
E se não houvesse eleições intercalares, ao seu pragmatismo económico pouco importaria os bolsos dos cidadãos. A breve trecho se encheriam de novo.
No fundo, o pragmatismo de Trump só está preocupado com a Paz. Essa é que lhe pode estragar as contas.
As do gás, as do petróleo, as das armas.
Não é a Guerra que o preocupará.

José Braga Gonçalves
Subitamente, o mundo recua. Recua de novo. Recua mais uma vez.
A cada recuo seu, a esperança de milhões de mulheres persas com ambição ocidental, estremecem na solidão dos muros, na escuridão dos chadors e nos maus-tratos dos casamentos forçados, das prisões e dos espancamentos apenas porque se recusam a tapar o cabelo.
Elas tremem e não merecem. Foram mais uma vez trocadas por um punhado de dólares, uns barris de petróleo, umas senhas de passagem num estreito qualquer.
Para elas, a esperança morreu. Por muitas gerações. E o mundo regozija, o mundo enaltece e os aiatolás preparam a sua vingança contra aquelas que nas ruas lutaram.
O que não tardará.

José Braga Gonçalves
No século XX, o Vaticano não só rezava; também construía. E às vezes construía para quem rezava a Alá.
Portugal e o Irão têm em comum a construção de dois importantes portos de mar: Sines no Atlântico e Bandar Abbas no Estreito de Ormuz.
Sines foi construído na década de 70 do século passado, tal como Bandar Abbas, tendo ambos sido iniciados por ditaduras: a portuguesa, já de Marcelo Caetano, e a iraniana, do então Xá da Pérsia.
Em 1979, ambos tiveram graves contrariedades, com a destruição do molhe de Sines por uma violenta tempestade e Bandar Abbas com a construção paralisada pela violenta revolução iraniana.
O que terá então o Vaticano a ver com estes dois cruciais portos do Ocidente e do Oriente ?
Estas duas infraestruturas, hoje mundialmente estratégicas, foram afinal construídas pela mesma empresa italiana, a Condotte d’Acqua, então propriedade do Vaticano.
Construiu, e depois reconstruiu e terminou o que os tempos e os ventos tinham destruído.
Para terminar o grande porto do Golfo, os aiatolás acabaram a depender da boa vontade do Papa.
E assim, muito antes de ser atingida por mísseis, Teerão foi atingida pela névoa sagrada do Vaticano.
Uma névoa que ainda hoje passa por Roma e paira sobre Teerão.

José Braga Gonçalves
Escrevi antes, em “O FASCÍNIO DE PUTIN POR UM PORTUGUÊS I”, que Putin tem referências históricas ligadas a um judeu português, António Manuel de Vieira, na Rússia do século XVIII apelidado de “Anton Devier”, homem-forte do Imperador Pedro, O Grande.
E não nos iludamos com coincidências.
Vladimir Putin tinha pais pobres, tal como o português do século XVIII, pais que lutavam para sobreviver.
A maior parte das pessoas vivia durante a juventude de Putin em apartamentos comunais divididos em quartos, com uma família por quarto e cozinha e casas de banho partilhadas.
No quarto ao lado, vivia uma família cujo pai era professor e ajudava Putin nos trabalhos de casa. Era uma família judaica, que o convidava também para os jantares de Sexta-feira à noite, o Shabbat, quando depois da refeição pegavam num livro antigo e o liam em voz alta.
Anos depois, a primeira escola judaica de São Petersburgo foi autorizada por Vladimir Vladimirovich Putin, já então vice-presidente da Câmara de São Petersburgo, a cidade construída pelo seu fascinante judeu português, António de Vieira, o Devier.
No clima de tensão que hoje reina no Médio Oriente, a Rússia mantém um papel militarmente neutral.
É esta a política declarada do Presidente Vladimir Putin, que cultiva igualmente um vínculo próximo com os judeus do seu país.
Muitos dos seus conselheiros são judeus, não raro preferindo apoiar-se em oligarcas de origem judaica como o também português Roman Abramovich.
Queremos conhecer Putin melhor?
Estudemos o português Devier.

José Braga Gonçalves
Há crocodilos em Portugal. A expressão “lágrimas de crocodilo” remonta à Antiguidade greco-romana, e já Plutarco referia a crença de que os crocodilos choravam enquanto devoravam as suas vítimas.
Na Idade Média europeia, através dos bestiários – enciclopédias de animais com significado moral – o crocodilo surgia como figura da hipocrisia e da sedução perigosa.
E os crocodilos vieram para ficar.
Veja-se o quanto Portugal está a ver chorar lágrimas e a deixar faturar em remédios de marca, em lugar de genéricos, os milhões que – só estes – permitiam acabar em pouco tempo com muita da miséria no país.
Todos os dias assistimos a patentes caducas serem prorrogadas com artifícios processuais aos quais o Tribunal da Propriedade Intelectual (TPI) não reage em tempo, sem entender que os artifícios jurídicos custam vidas e saúde aos portugueses.
Basta olhar de soslaio para o julgamento a decorrer sobre uma patente da AstraZeneca relativa a um produto para os diabéticos e cujo genérico poderia já começar a poupar ao Estado e aos Utentes portugueses mais de 45 milhões de euros por ano!
Será que alguém se lembra da razão pela qual esta mesma AstraZeneca viu revogada pela Comissão Europeia a autorização de introdução no mercado europeu da sua vacina do COVID?
E assim as gigantes farmacêuticas lá vão chorando pelos corredores do Tribunal, carpindo as coitadinhas que são.
É que o crocodilo sempre chora.

José Braga Gonçalves
Putin tentou com a invasão da Ucrânia estancar a saída de mais países da esfera da Rússia para o âmbito político-militar da NATO e económico da União Europeia.
Ultimamente, perdeu a sua fiel Hungria, ganhando quase no mesmo dia a grande Bulgária, ambos antigos países alinhados com a União Soviética e então membros do Pacto de Varsóvia, a oponente da NATO.
Se as contas lhe sairam furadas em relação à totalidade da Ucrânia, consolidou a preço de sangue a posse da Crimeia e adicionou-lhe os territórios russófonos ou oblasts do Leste da mesma. Meia vitória soa-lhe hoje a melhor que nada.
Mas, por olhar para a História, Putin considera-se um iluminado e certamente um injustiçado, duas circunstâncias em que viveu o homem que alguns defendem ser o seu verdadeiro guia histórico: um português.
E porque Putin conhece a História da Rússia como ninguém, nesta se descortinará a sua identificação com o ser e o agir desse português, de seu nome António Manuel de Vieira.
Quem era e de onde surgiu este homem grande da Rússia do século XVIII, que tanto ajudou o Imperador Pedro a ganhar o cognome de “O Grande” ?
Conhecido na Rússia como Anton Devier, uma franco-russificação do seu nome, António de Vieira era um judeu nascido em Portugal e fugido para Amsterdão aos estertores da Inquisição pré-pombalina, cidade onde a sorte de uma vida o fez cruzar-se com Pedro, o Imperador.
Segundo os autores versados sobre a figura política e policial daquele, junto do Império de Pedro e Catarina, os Grandes, António de Vieira, ou Anton Devier, foi tudo aquilo que fascina Putin.
Devier, pobre e oriundo do Minho, chegou a braço direito do líder da Rússia e foi um dos construtores de São Petersburgo, sendo-lhe endossada a polícia política imperial.
Putin, séculos depois, nasceria pobre na mesma cidade, tornando-se membro da polícia política e braço direito de um outro líder da Rússia, antes o poder por este lhe ser endossado, também.
O fascínio das semelhanças entre ambos prossegue em cada estratégia imperial, em cada tática militar, em cada procedimento político.
Estude-se Devier, entenda-se Putin.