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Carlos Reis

NÃO HOUVE NENHUM EMPATE TÉCNICO

Carlos Reis

As eleições autárquicas deste domingo deixaram uma mensagem política clara: Portugal quer moderação, estabilidade e competência.

A vitória inequívoca da Aliança Democrática (AD) e de Luís Montenegro não deixam margem para dúvida, seja qual for o parâmetro de análise.

Para o PSD foi o regresso às grandes noites eleitorais. Desde há 40 anos que um primeiro-ministro do PSD não vencia umas eleições locais, ganhando as presidências da ANMP e da ANAFRE.

Uma observação dos resultados e nota-se a afirmação da política das soluções e a rejeição dos extremos, num país que já começa a dar sinais de cansaço da crispação e da retórica do protesto.

Quando muitos anunciavam fragmentação, e o fim do sistema de alternância ao centro, também agora no Poder Local, o eleitorado respondeu com estabilidade.

O símbolo maior dessa escolha é Lisboa.

Carlos Moedas não só foi reeleito, como ampliou a sua maioria, com mais 30.000 votos, mais vereadores, deputados municipais e juntas de freguesia, derrotando uma esquerda frentista que sonhava tornar a capital num laboratório ideológico. A resposta dos lisboetas foi inequívoca: preferem uma cidade governada com competência, diálogo e resultados, em vez de frentes populares.

A este respeito Alexandra Leitão ainda não percebeu: a sua derrota não se deve ao facto de a sua coligação não ter conseguido a “convergência” com o PCP. Muito pelo contrário, perdeu precisamente porque convergiu numa coligação com o Bloco de Esquerda.

O espírito da manifestação identitária contra a polícia na Rua do Benformoso, onde o PS de Pedro Nuno Santos se decidiu enfiar, e que teve a sua confirmação na coligação frentista de esquerda, foi assim a votos.

E a resposta é inequívoca: os lisboetas estão com Carlos Moedas.

O falhanço dessa frente de esquerda é mais do que local — é um sinal de que a política da negação perdeu força. Os eleitores valorizaram trabalho, não slogans. E, ao fazê-lo, reafirmaram o valor da moderação num tempo de ruído e populismos.

À direita e à esquerda, os extremos detiveram-se ontem.

As urnas falaram: a moderação venceu.
Afinal não houve empate técnico.

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Publicado em 13 outubro de 2025
Carlos Reis

MARIANA NÃO É NENHUMA “PASIONARIA”

Carlos Reis

Mariana Mortágua não é nenhuma “Pasionaria”. Nem os restantes “ativistas” da flotilha, por onde deambularam durante um mês, são heróis. Estes “ativistas” são apenas políticos que querem recorrentemente substituir com a legitimidade das redações e a encenação nas ruas a legitimidade que não obtêm nas urnas de voto.

“Paulo Rangel pau mandado de Israel” – berravam alguns dos idiotas úteis que invadiram a Estação do Rossio, atrapalhando a vida dos cidadãos comuns, utentes dos transportes públicos Esta foi a gratidão que os “ativistas” prestaram a um ministério que se empenhou diplomaticamente em acompanhar e proteger os “ativistas” que se meteram numa aventura propagantística, porque quiseram.

Iniciativas como a “flotilha”, que se apresentou como uma caravana humanitária revelam, na prática, um projeto político comum com várias organizações antissemitas que pululam perante a indiferença das autoridades europeias: alimentar o ódio a Israel, minar a sua legitimidade e acalentar grupos que celebram a violência.

Não há qualquer ingenuidade destes “ativistas” – há apenas uma reiterada hipocrisia. Seria por isso muito útil que se fizesse o inventário da carga efetivamente destinada a ajuda humanitária. Quanta água, quantos medicamentos e alimentos? E quem é que pagou tudo isto?

Mais grave, a flotilha insere-se num quadro mais amplo de solidariedade com o chamado “Eixo da Resistência”, cujo objetivo estratégico é confrontar o Ocidente e corroer as democracias ocidentais.

Defender a liberdade de navegar e prestar ajuda à população tiranizada pelo Hamas, em Gaza, é inteiramente legítimo. Mas transformar barcos em palco de guerra psicológica e alinhamento com forças sinistras antissemitas é um ato político que merece firme repúdio.

Porque há uma causa, cada vez menos inconfessável, pela esquerda radical europeia aliada do islamismo radical do “Eixo da Resistência”: é a eliminação do único país democrático e pró-ocidental encravado numa região cada vez mais à mercê do ódio e das trevas.

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Publicado em 06 outubro de 2025
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