Num momento de tensão mundial com várias frentes de conflitos ativos, torna-se imprescindível, mais que nunca, de termos estabilidade interna,...
Num momento de tensão mundial com várias frentes de conflitos ativos, torna-se imprescindível, mais que nunca, de termos estabilidade interna, consenso interno e articulação política. É isto que Luís Montenegro tem procurado e tem alimentado desde logo com reuniões com todos os líderes partidários por forma a cerrar fileiras. É aqui que entra mais um movimento erróneo e irresponsável do líder socialista. Depois de ter sido o responsável da extinção do SEF, depois de ter andado a escrever cartas avulsas e fazer birras por não ter resposta, eis que surge a criticar a posição portuguesa relacionada com a Base das Lajes, exatamente a mesma Base para a qual foi o próprio governo socialista a desenhar os seus termos de utilização.
No meio de tanta esquizofrenia, poderia pelo menos haver um ponto comum no que diz respeito à condenação do regime iraniano. Mas mesmo assim parece que não há. Perante um ataque a um regime que protege e financia organizações terroristas, um regime que repudia os direitos humanos, que mata indiscriminadamente, que prende e executa pessoas de forma arbitrária, que trata as mulheres como objetos, o Secretário Geral Socialista Carneiro está preocupado, veja-se com a utilização Base das Lajes!
Condenar o regime iraniano é uma questão de coerência democrática. Falamos de um regime que reprime o seu próprio povo, limita brutalmente a liberdade das mulheres e persegue quem ousa discordar. Não se trata de condenar o povo iraniano – pelo contrário, trata-se de estar ao lado de milhões de cidadãos que aspiram a liberdade, dignidade e direitos fundamentais. As democracias não podem ser neutras perante a repressão. O silêncio perante regimes autoritários nunca é uma posição aceitável.
É exatamente aqui que Carneiro cometeu um erro crasso. Até podia, dentro de portas, na reunião com o PM, questionar os termos da utilização da Base das Lajes, mas para fora e sobretudo para os portugueses a prioridade nunca poderia ser esta. A prioridade é a democracia, a prioridade são os nossos aliados, a prioridade são os direitos humanos. Faltou uma condenação clara e inequívoca do regime iraniano. O silêncio ou a ambiguidade não são neutralidade – são uma clara falta de coragem política.