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  • “Fui a pessoa mais atacada do Mundo nas redes sociais”, Meghan Markle
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Jorge Morais

Quem esteja um tempo longe deste paraíso à beira-mar prantado não pode deixar de espantar-se com algumas peculiaridades portugas. É...

Quem esteja um tempo longe deste paraíso à beira-mar prantado não pode deixar de espantar-se com algumas peculiaridades portugas. É sempre de fora que se vê melhor o que está dentro.

Num programa televisivo inglês de escopo mundial, “Salvage Hunters”, está o apresentador Drew Pritchard de visita a Lisboa, em busca de velharias de valor – quando, num antiquário da Baixa, encontra um verdadeiro armazém de azulejos históricos. São pilhas e pilhas, cobrem paredes, são às centenas, aos milhares. Século XIX, século XVIII, século XVII, todos à venda por bom preço. Prichard não consegue esconder o entusiasmo.

Pergunto-me, esfregando os olhos: ¿de onde terá vindo tanta relíquia? Uma breve pesquisa dá-me a resposta: de todos os azulejos “desaparecidos” de igrejas, palácios, moradias e repartições do Estado, 74% são descaradamente roubados e 15% são levados após queda por degradação ou má manutenção. Um estudo da organização “Vizinhos em Lisboa” é taxativo: “A subtração de azulejos históricos deliberada é claramente predominante”.

Divulgou-se isto na internet, escreveu-se à Câmara, identificaram-se edifícios em risco, propôs-se um conjunto de ações preventivas. Tudo em vão: neste país à beira-mar prantado, a Lei de Bases do Património Cultural só está lá para dizer que existe.

“Quando arrancam azulejos de uma fachada, não é só cerâmica que desaparece: é memória roubada”, alerta a “Vizinhos em Lisboa”. Mas Drew Pritchard é capaz de não se ter apercebido: certamente pensou que os azulejos históricos que viu à venda, em pilhas e aos milhares, tinham caído do céu por não terem unhas.

Alerta no telemóvel: notícia de última hora. Diz o título: “Portugal vai tremer de frio a partir desta data e esta será a região mais afetada”. ¿Qual data? Qual região? Para saber tenho de passar à janela seguinte e atravessar uma floresta de anúncios. Logo a seguir, outra: “Proibidos pagamentos em dinheiro acima deste valor a partir desta data”. ¿Qual valor? Qual data? Se quero apurar, tenho de dar ‘clicks’ ao patrocinador. Não conhecia esta moda, mas não deixa de ser esperta.

Imagine-se um jornal que na primeira página anunciasse “Acidente nesta localidade mata este número de pessoas”, ou “Presidente da República disse isto numa cerimónia neste lugar” – e agora, se queres saber o que aconteceu, compra o jornal e vai até à página 18.

Não me posso esquecer de atualizar as minhas ideias sobre “jornalismo” em Portugal.

Confiro o email: de parte incerta chega-me o convite para uma apresentação em Lisboa. Abro: é um ignoto “famoso” que cometeu aquilo a que chama “autobiografia” e agora a manda publicar chamando-lhe “livro”. O marmanjo ainda não tem 30 anos de idade, mas já enche 200 páginas de “vida e obra”. E tem quem o leve a sério.

Não há dúvida: é de fora que se vê melhor o que está dentro.