O último Congresso Socialista em Viseu foi uma demonstração pobre e mal ensaiada de um partido que quer ser alternativa...
O último Congresso Socialista em Viseu foi uma demonstração pobre e mal ensaiada de um partido que quer ser alternativa de governação mas que na verdade não tem qualquer base de credibilidade. Os últimos anos de António Costa já antecipavam um partido sem capacidade critica, sem inovação, sem rasgo e sem ideias, talvez refém de um enorme imobilismo assente na gestão do quotidiano de uma maioria absoluta estéril. Pedro Nuno insistiu, apostou na velha receita da geringonça, num rasgo esquerdista ou numas pernas a tremer, mas foi derrotado quando colocou uma enorme carroça à frente dos bois. O Ps passou a ser, como mereceu, uma valente terceira força política. José Luís Carneiro apareceu assim por conveniência, por falta de tempero, por ocasião dos dias, por até dar jeito num período difícil. É aqui que este congresso socialista podia ter desmentido esta teoria, podia ter mostrado algo de novo, alguma organização, algum método, alguma coerência política para criação de bases sólidas para o futuro.
Mas assim não foi. Foi antes um conjunto desgarrado, uma sala vazia, um espectáculo triste para o qual o próprio José Luís Carneiro contribuiu. Primeiro ameaçou o governo com enormes tempestades, depois lembrou as cartas que escreveu e que nunca recebeu resposta, para ainda mais tarde concluir com uma frase de disponibilidade para uma possível articulação. Tudo isto depois de uma visita desastrosa à Venezuela, juntamente com Eurico Dias como lhe chamou, enquanto elogiava um regime autoritário e repressivo. Em Viseu, o PS não apresentou uma alternativa para Portugal. Apresentou um sinal de fraqueza. Um partido que ainda há pouco tempo governava com maioria absoluta chegou ao ponto de transformar um congresso nacional numa operação de prova de vida. Houve aparato, houve discurso oficial, houve moções e eleições internas, mas faltou o essencial: entusiasmo, clareza e liderança mobilizadora. O PS tentou vender confiança mas o que transmitiu foi insegurança. Tentou vender unidade mas o que expôs foi hesitação. Quis mostrar organização mas sobrou trapalhada. E quando um partido troca a ambição pela mera sobrevivência, deixa de ser alternativa e passa a ser apenas uma leve memória do poder que teve.