Frase do dia

  • “Foi o 1.º de Maio de 1974 que transformou o golpe militar numa revolução em marcha”, Manuel Carvalho da Silva
  • “Foi o 1.º de Maio de 1974 que transformou o golpe militar numa revolução em marcha”, Manuel Carvalho da Silva
  • “Foi o 1.º de Maio de 1974 que transformou o golpe militar numa revolução em marcha”, Manuel Carvalho da Silva
  • “Foi o 1.º de Maio de 1974 que transformou o golpe militar numa revolução em marcha”, Manuel Carvalho da Silva
  • “Foi o 1.º de Maio de 1974 que transformou o golpe militar numa revolução em marcha”, Manuel Carvalho da Silva
  • “Foi o 1.º de Maio de 1974 que transformou o golpe militar numa revolução em marcha”, Manuel Carvalho da Silva
  • “Foi o 1.º de Maio de 1974 que transformou o golpe militar numa revolução em marcha”, Manuel Carvalho da Silva
  • “Foi o 1.º de Maio de 1974 que transformou o golpe militar numa revolução em marcha”, Manuel Carvalho da Silva
  • “Foi o 1.º de Maio de 1974 que transformou o golpe militar numa revolução em marcha”, Manuel Carvalho da Silva
  • “Foi o 1.º de Maio de 1974 que transformou o golpe militar numa revolução em marcha”, Manuel Carvalho da Silva
  • “Foi o 1.º de Maio de 1974 que transformou o golpe militar numa revolução em marcha”, Manuel Carvalho da Silva
  • “Foi o 1.º de Maio de 1974 que transformou o golpe militar numa revolução em marcha”, Manuel Carvalho da Silva
  • “Foi o 1.º de Maio de 1974 que transformou o golpe militar numa revolução em marcha”, Manuel Carvalho da Silva
  • “Foi o 1.º de Maio de 1974 que transformou o golpe militar numa revolução em marcha”, Manuel Carvalho da Silva
  • “Foi o 1.º de Maio de 1974 que transformou o golpe militar numa revolução em marcha”, Manuel Carvalho da Silva
  • “Foi o 1.º de Maio de 1974 que transformou o golpe militar numa revolução em marcha”, Manuel Carvalho da Silva
  • “Foi o 1.º de Maio de 1974 que transformou o golpe militar numa revolução em marcha”, Manuel Carvalho da Silva
Search
João Vasco Almeida

Agora mesmo, sem pedir licença, já há músicas que nos entram no ouvido e foram paridas por uma máquina. Paridas,...

Agora mesmo, sem pedir licença, já há músicas que nos entram no ouvido e foram paridas por uma máquina. Paridas, sim. Como quem larga um vitelo no meio da estrada e segue. Nós olhamos. Achamos graça. E depois dançamos em cima do bicho.

A tal Inteligência Artificial, que também começa a pôr fala aos maus Governos, aprendeu o truque mais velho do mundo. O refrão fácil. A emoção de alguidar. O verso que serve para tudo, como uma enxada que tanto cava batatas como abre valas na alma. O mau uso da maquineta dá resultados hediondos. E, no entanto, não nos queixamos muito. Porque ouvir Kendrick Lamar ou Chico da Tina, em certos dias, pode ter o mesmo efeito: uma pancada boa, seguida de silêncio.

O que quase ninguém reparou é nisto: o perigo não é a máquina fazer canções. O perigo é nós deixarmos de saber o que é uma canção. Uma canção era, no fundo, um contrato de trabalho invisível. Um pacto de dignidade. Alguém gastava noites, costas, renda de casa, e oferecia-nos três minutos de mundo. Agora começa a aparecer música sem suor. E isso dá cabo do resto: do valor do esforço, do preço do tempo, da ideia de autoria, da paciência. Dá cabo até da democracia miúda que existe em cada obra feita à mão.

Mas há quem estude a ferramenta. Quem a trate como companheiro de lavoura. Quem leve lírica humana, mexa, desmex a, componha passo a passo. Aí, sim, surgem exemplos deliciosos. Bonitos. Como pão quente ao virar da esquina.

A nossa guerra com a Inteligência Artificial foi perdida na linha de partida. Resta a atitude adulta: compreendê-la e dominá-la. A rejeição, como se fez ao sushi e ao arenque fumado, só nos põe de fora. E um país que se põe de fora, depois queixa-se de tudo. Até do Mozart que passou dois meses, a sós, a limar uma pérola de 80 BPM, com lírica de Fernando Grade resgatado ao esquecimento. E nós, em vez de escutar, perguntamos: “Isto é de quem?”

Talvez a pergunta certa seja outra: “Isto fez-nos melhores ou apenas mais fáceis?”