Reconheço que não teremos todos os dados reunidos… Mas - da experiência retirada de momentos vividos, da perceção e do...
Reconheço que não teremos todos os dados reunidos… Mas – da experiência retirada de momentos vividos, da perceção e do conhecimento de cada um dos ‘atores políticos’ em presença nestes duelos, após as eleições presidenciais – tudo nos começa a levar no caminho de eleições legislativas antecipadas!
Sim, é verdade que a declaração proferida, na tomada de posse, pelo novo Presidente da República, de que o objetivo seria o de só haver eleições gerais em Outubro de 2029 (logo repetida, sublinhada e aplaudida pelos diferentes partidos políticos), poderia fazer supor o contrário. Mas não, não, não será desta – do que vamos vendo – que Portugal vai voltar a um novo ciclo de estabilidade política.
Ora, apesar dessa declaração do Presidente da República, alertando, até, para o facto de uma não aprovação do Orçamento não obrigar a eleições antecipadas, a verdade é que isso não levou a uma grande certeza sobre o cumprimento da legislatura. Antes pelo contrário!
Essa ‘liberdade’ acrescida, anunciada por António José Seguro, no Parlamento, para que, sem ‘calculismos’ eleitorais, os partidos pudessem deixar de se preocupar com uma nova ida às urnas, ao ‘virar da esquina’, fez com que os seus líderes, sem essa limitação, ficassem como sem saber o que fazer!
O PS, sem ter de dar a ideia de responsabilidade, perde-se com propostas irrelevantes ou em chantagens parlamentares, invocando princípios que, apenas há poucos anos, não respeitou.
A AD, porque tinha – também ela – a sua chantagem, com a necessidade de aprovar o Orçamento, num folhetim com um guião que lhe dava para nisso centrar e disso alimentar a discussão até novembro (como aconteceu em 24 e em 25), sem qualquer necessidade de lançar outros temas para a agenda política.
Este ano, sem essa ‘amarração política’ que dramatizasse o voto do PS e do Chega em relação ao Orçamento, a AD perdeu-se…
Como perdida anda, desde então… e perdida vai continuar, porque, sem essa obrigatoriedade de, pelo menos um dos outros dois partidos ‘ter’ de votar o OE para não haver eleições, deixou de liderar a agenda política.
E se o Governo tinha dificuldades em fazê-lo (veja-se, a título de exemplo, o primeiro debate parlamentar, depois de um longo hiato, por causa das eleições presidenciais, onde o PM chegou sem uma única medida para anunciar… quando devia retomar, nesse momento, a iniciativa política que havia perdido por sucessivos erros políticos, nessa mesma corrida eleitoral), agora, sem essa ameaça, ficou exposta a vulnerabilidade reformista do Executivo.
O Governo, sem essa ‘arma’ da ‘obrigatoriedade’ de aprovação do Orçamento, ficou sem a ‘bengala’ a que se agarrava, sempre que necessitava de dramatizar a vida política, face a uma qualquer dificuldade.
E, sem isso, perdeu o ‘norte político’, sem argumentos para continuar a invocar o “deixem o Luís trabalhar”!
Ficou claro, agora, que o Luís só não trabalha porque não sabe o que fazer!
Como também ficou bem visível a falta de um projeto político do PSD… que não seja o de continuar no Governo, no dia seguinte, porque sim!!!
E sem essa ideia da necessidade (da AD) de combater um inimigo externo e (do PS) de armar em ‘Conselheiro Acácio e coçar a cabeça’, a fazer de conta que está preocupado com a gravidade da situação, todos os dias, resta o Chega… com uma agenda e um projeto para ir ao encontro do que querem cada vez mais portugueses.
Se, àquela falta de projeto e a essa não obrigatoriedade de aprovação do Orçamento, juntarmos os ‘casos’ que se anunciam por aí… uns em reedição, em versões corrigidas e aumentadas… outros em estreias absolutas (sabem do ou dos que falo), então, teremos um novo ‘pântano’ e, com isso… novas eleições.
Porque a estabilidade não deve, não pode, nunca ser um fim em si mesmo, mas, antes um meio para governar bem.
Quando, quem governa, está mais preocupado com os seus casos e não tem ideias… será inevitável que António José Seguro, daqui a uns meses, após o chumbo do Orçamento… venha dizer… “eu bem não queria, mas não me deram outra saída”!!!