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  • “Fui a pessoa mais atacada do Mundo nas redes sociais”, Meghan Markle
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Paulo Vieira da Silva

Jürgen Habermas, o mais notável dos pensadores do pós-Segunda Guerra Mundial, deixou-nos na semana passada. A notícia teve pouco destaque...

Jürgen Habermas, o mais notável dos pensadores do pós-Segunda Guerra Mundial, deixou-nos na semana passada. A notícia teve pouco destaque na comunicação social portuguesa, o que diz muito das nossas rádios, jornais e televisões.

O sociólogo e filósofo alemão que estudou aprofundadamente a Democracia dizia-nos que esta “vive da premissa de que os cidadãos estão dispostos a ouvir-se uns aos outros”, por isso, a sua construção não era algo que fosse imposto pelos mais fortes, mas algo construído através do diálogo entre todas as partes.

Habermas ensinou-me que a Democracia depende de um espaço público, que designou como “Esfera Pública”, onde os cidadãos trocam argumentos com o intuito de chegar a entendimentos e não apenas com o mero objectivo de ganhar discussões.

Uma das suas preocupações passava pelo facto de existirem poucos leitores, o que conduzia lentamente ao desaparecimento dos intelectuais, com o argumento que em grande medida era consequência de um espaço público com estruturas frágeis que vivem num processo acelerado de deterioração.

Hoje em dia não existe um jornalismo atento e responsável, com meios de comunicação de referência capazes de despertar o interesse da grande maioria das pessoas para temas relevantes na formação da opinião pública. Pelo contrário, os meios de comunicação passaram a utilizar estratégias mais ou menos insidiosas de mercantilização.

O mais preocupante é que a proliferação da Internet, que deu origem a uma nova mudança estrutural da esfera pública, concorreu para a primeira revolução dos media na história da humanidade que serve antes de tudo fins económicos e não culturais.

O seu objectivo não é atrair a atenção directa dos consumidores, mas a exploração económica do perfil privado dos seus utilizadores.

Houve um tempo em que o jornalismo filtrava o debate público com base na qualidade dos argumentos. Entretanto esse papel passou a ser desempenhado por uma entidade chamada de algoritmo focada em métricas de “engagement”, na maioria das vezes gerada pela indignação ou pelo ódio, que moldam as escolhas individuais dos cidadãos e colectivas de uma sociedade cada vez menos esclarecida.

Passaram-se a roubar os dados dos utilizadores sem o seu consentimento para poder melhor manipulá-los, não raras vezes até com fins económicos, políticos ou sociais perversos.

A Internet, nomeadamente as redes sociais, com todas as suas vantagens e desvantagens, acabou por transformar todos em autores potenciais mais ou menos benignos.

Este fenómeno não tem mais do que vinte anos. Ainda não conseguimos aprender a lidar com as redes sociais de forma civilizada, mas acredito que ainda será possível que isso aconteça com o aparecimento de mecanismos no âmbito da IA que separem a verdade da mentira, do que é manipulação e informação.

Tenhamos a esperança de que nos próximos vinte anos a mudança possa acontecer num sentido contrário ao que assistimos nas duas últimas décadas.

(Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)