Das letras mais pequenas e achava-os como os dedos espachados a agarrar-se à terra, como um herói numa levada com...
Das letras mais pequenas e achava-os como os dedos espachados a agarrar-se à terra, como um herói numa levada com dedos de pianista, mas cafre.
Enquanto insistias em chamar a empregada que o teu pai arranjara na paróquia de Benfica, baixa, atarracada, o mais longe que tinha ido era ao lugar do cristo rei, sem subir, pelas ‘vertigens’ e nunca mais sairia de Benfica, umas viagens a Campo de Ourique para ver a mãe acamada.
E ouvi agora a notícia que morreste, alegram-se melancólicos, estão a mostrar-te em todas as idades, com uma musiquinha de pianinho tolo, nunca leram a brutalidade que escreveste nem o prazer da janela por onde ias vendo o mundo a seco.
A empregada chamava-se Sustida, quem lho deu já cá não está, um padrinho que veio do Lubango novo, ainda, e andara amante de uma mulata desse nome e quis que tu fosses tão disposta e tão nua como a original, numa perversidade que só se consegue se não tivermos um pingo de temor.
Quando passam a notícia da tua morte, que eras um dos maiores senão o maior, vem a ladainha do Nobel, do Saramago, sem perceberem que não era um jogo de futebol, um contra outro, mas um tango onde os saltos afiados mostram quem mais se esforça, não é apenas ouvido médio e parietal a funcional, é um talento, mas falam tantos , e morreste ainda há bocadinho.
E Sustida trazia um copo de leite espetada uma colher e na ponta da colher o mel, que deslaçava ao calor do copo, “para acalmar, senhor doutor, para acalmar”.
dentro de um mês toda a gente se esqueceu de ti e devolvem os livros, ou nem sabem onde andam