
Alexandre Pais
“Cris, preciso de ti”, suplicou o selecionador nacional. “Se não fosse a forte amizade com Jorge Jesus, Cristiano teria deixado a Seleção após o Mundial”, revelou Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Ambos são, por isso, responsáveis por um país dividido, a favor ou contra um dos melhores futebolistas da história – e que tornou Portugal conhecido nos lugares mais recônditos do Planeta.
O jornalista António Tadeia escrevia por estes dias na rede social ‘X’ que as 100 maiores federações de futebol estão ‘a nadar em dinheiro’, pelo que não seria por motivosfinanceiros que PP precisaria que Cristiano Ronaldo regressasse à Seleção. A questão é que a FPF está com prémios em atraso a funcionários e até os jogadores que estão a disputar a Liga das Nações ainda só terão recebido uma parte do que lhes é devido. Quando se faz vida de rico, mesmo que o dinheiro abunde, nunca chega.
Acontece que estando Cristiano Ronaldo em Riade e com nove (!) jogos num mês emagenda – a começar na próxima sexta-feira –complica-se a vida de Pedro Proença para tentar convencer a lenda madeirense a voltar. Para mais, conta com a oposição da família e do círculo próximo do jogador, que há muito o haviam aconselhado a dar por finda a sua inultrapassável carreira internacional. E se a vontade há três meses já era nenhuma, calcula-se como estará hoje…
Eu sei que os não adeptos de Cristiano gostariam de ver o imbróglio resolvido com uma simples festinha de despedida para descargo de consciência, mas se já não será fácil fazer com que CR7 torne a ouvir à voz de ‘comandante’ de Jorge Jesus, bem mais duvidoso será que aceite esse rebuçado sem se falar mais no assunto.
A poder pensar no retorno, o capitão da Seleção exigiria sempre a reposição das condições que combinou com Jesus, a gestão de esforço que o selecionador lhe tinha preparado e o restabelecimento da relação pessoal que possibilitou o convívio e o trabalho comum no Al-Nassr, aliás com excelentes resultados. E é nessa relação pessoal que encontramos o maior obstáculo porque, se for verdade que Cristiano se sentiu ‘traído’, a desconfiança muito dificilmente deixará de pairar sobre os dois ex-amigos.
A falta do pedido de desculpas que muitos ‘especialistas em Cristiano’ alegam estar na origem do abandono do estágio da Seleção é outro fator de desestabilização. Por um lado, não existe no âmbito do carácter egocêntricode JJ a capacidade para tal pedido público – nem vejo motivo para tal, uma vez que já reconheceu que devia ter mandado o jogador aquecer um bocado mais tarde. E por outro, não pode um selecionador nacional, e se pode não deve, dar esse sinal de fraquezaaos homens que lidera.
Mas Jesus – que o antigo treinador Manuel José admite ter atuado propositadamente, no que não acredito – precisa de um entendimento. E por três razões. A primeira: sabe que se ‘esqueceu’ que Cristiano estava a aquecer e não quis admiti-lo. Mas sabe também que ele tem razão. Com um quarto de hora para jogar, mesmo sendo preciso defender o resultado, que deu Francisco Trincão à Seleção que não pudesse ter dado o capitão?
Aos 59 minutos da partida contra Gales e lançado por Bruno Fernandes, CR7 bateu em corrida o defesa e isolou-se para fazer o que teria sido o 2-0 – que o VAR anulou por centímetros. E então não tinha disponibilidade física para andar atrás dos noruegueses durante os 15 minutos que faltavam para o final? E mal acabou e jogo, Jesus não se explicou e ‘matou’ de imediato o problema porquê?
A segunda razão é que JJ sabe que gerido com sabedoria, como sucedeu na Arábia, Cristiano ainda lhe pode ser útil em campo. De repente, Gonçalo Ramos lesiona-se ou cai de produção, e depois? Mas há um terceiro e mais relevante motivo para o interesse de Jesus em Cristiano: é o lugar na história. O treinador não quer ficar nos livros como o homem que afastou o português mais conhecido do Mundo da sua Seleção.Pelo contrário, quer alavancar nele a sua imagem, fazer parte do seu último jogo, do seu último golo internacional, do seu adeus consensual e glorioso à camisola das quinas. Jesus quer ficar nessa fotografia. O que não estou a ver é como irá consegui-lo.
As quatro vitórias em quatro jogos ajudam a diminuir as tensões, mas Proença parece ‘curto’ para desatar o nó que criou, pensando ter descoberto a pólvora. Necessitaria de reforços, talvez Dona Dolores, Pepe, Luís Montenegro… Mas mesmo que levasse os três para Riade, a sua missão seria terrível. Boa sorte, bem precisa.

Alexandre Pais
Com a indicação dos 25 jogadores que irão disputar – a partir de amanhã e apenas em 11 dias! – os quatro encontros iniciais da Liga das Nações’27, Jorge Jesus já vestiu a odiada ‘pele’ de Roberto Martínez, a mesma que antes foi de Fernando Santos, de Paulo Bento, de Carlos Queiroz e de Luís Filipe Scolari, este o primeiro selecionador nacional a ser alvo da raiva intensa de alguns doutorados em pontapé na bola, que sobre o técnico brasileiro despejaram as próprias frustrações. Jesus tem, no entanto, uma vantagem sobre os antecessores: a capacidade de arrasar essa tropa fandanga, como depressa veremos.
E qual foi a principal crítica dirigida à primeira convocatória de JJ? A falta do que chamam ‘renovação’ sem fazerem a mínima ideia de como a evolução da lista de eleitos pode e deve ser conduzida. Mas apesar disso falam, falam, falam como se, na matéria, tivessem conhecimento ou experiência – e não fossem simplesmente ridículos.
Falham desde logo, na substância, nos factos. Acham que pôr de fora José Sá e chamar Samuel Soares, não escolher Nélson Semedo e Matheus Nunes e convocar Nuno Tavares, deixar cair Samuel Costa e recuperar João Palhinha ou preferir Fábio Silva a Gonçalo Guedes – e ainda a André Silva, Gonçalo Paciência ou Paulinho, um jovem a três veteranos – não é renovar mas sim, dizem, uma ‘continuidade’. E justificam a sua ‘desilusão’, como se interessasse a alguém que se sintam ‘desiludidos’, reclamando que Rodrigo Mora, que não é titular da Roma, ou Mateus Fernandes, que joga minutos sem convencer no Tottenham – último da Premier League – deviam ter ‘saltado’ dos sub-21 para a equipa A. Que exemplos tão ‘renovadores’!
Mas os sabichões do blá-blá falham também na estratégia. Portugal venceu duas vezes a Liga das Nações e é o campeão em título, pelo que só um acéfalo se poria a ‘inovar’ na convocatória, tendo em vista o Mundial de 2030, para isso mandando já para casa futebolistas que só então serão ‘velhos’, como João Cancelo e Rui Silva (36 anos), Bernardo Silva e Bruno Fernandes (quase 36), João Palhinha (35) ou mesmo Rúben Dias e Rúben Neves, por certo ‘acabados’ aos 33 anos. Juntando-lhes Cristiano Ronaldo, seriam oito a saltar do comboio. E quem convocariam os iluminados críticos de Jorge Jesus – e dos que o antecederam, tudo gente ignorante? Mais malta dos sub-21? Devia ser uma lista jeitosa.
Claro que o verdadeiro motivo da irritação dos campeões da arenga é o de sempre: Cristiano Ronaldo. Escrevi aqui há muito que a ida de Jesus para a Arábia, a fim de ajudar Cristiano a ser campeão saudita, teria a contrapartida que está à vista: o capitão da Seleção vai dar o seu contributo para o êxito de JJ, tentando em simultâneo aumentar as suas possibilidades de chegar aos 1 000 golos naquela que será, provavelmente, a sua derradeira temporada como jogador. Depois, virá ainda o Europeu de 2028 e aí, com CR7, ou talvez não, deixarão de ser escolhidos mais dois ou três e de seguida outros tantos com vista ao Mundial. É assim, com sangue novo mas sem se perder o talento e o saber acumulado dos mais experientes, que se fará a renovação. Não com as alarvices largadas pela boca fora por alguns arrivistas para cativar os eternos descontentes ou ganhar audiências. A ‘next gen’ terá o seu tempo. Até lá, haja paciência.

Alexandre Pais
O elevador da Glória despenhou-se há um ano e no assinalar da data a querela partidária e a ingenuidade jornalística entretêm-se com questões laterais. Sim, hoje já pouco interessa a confusão estabelecida então, desde o anúncio da morte de pessoas que não morreram à dificuldade em contactar e informar as famílias das vítimas – muitas delas estrangeiras. Nenhum país do Mundo tem uma máquina perfeita preparada para enfrentar o inesperado, em especial quando os acontecimentos constituem, como foi o caso, verdadeiras tragédias.
O que de facto choca é o aproveitamento político e o chorinho sobre o leite derramado, a aceitação da realidade como se nada houvesse a fazer. Um ano depois, ninguém assumiu responsabilidades, não existem arguidos, as auditorias ou não têm conclusões ou ainda não foram divulgadas e há familiares de mortos e feridos que continuam à espera de respostas. Alguns não foram sequer contactados, ou melhor, foram, mas apenas quando receberam o convite para comporem a plateia, na inauguração do memorial que recorda os seus entes queridos.
Não sou dos que culpam Carlos Moedas pelo acidente – resultante acima de tudo do mal português do ‘deixa andar’ – nem vejo no ar compungido com que surgiu na cerimónia do Largo da Oliveirinha necessariamente um ato de hipocrisia. Que mais poderia fazer numa altura em que também ele está refém da lentidão dos inquéritos e da justiça num país que vai perdendo solidariedade e valores? E em que a Câmara de Lisboa está, por sua vez, dependente da seguradora, que só chegou a 4-acordos-4 num total de 40 vítimas, das quais 16 mortais.
Talvez a companhia de seguros pudesse andar mais depressa, mas face ao número de acidentados e às elevadas indemnizações que vai ter de suportar, a rapidez não é boa conselheira. E indo os processos para tribunal, com os advogados dos sinistrados a pedirem muito e os representantes da seguradora a contraporem pouco, os atrasos nas reparações financeiras serão maiores – esse é o segredo do negócio.
A comparação é ridícula, mas sei de um amigo que viu uma inundação na sua arrecadação inutilizar-lhe centenas de livros e discos, e alguns quadros e móveis, grande parte com largas dezenas de anos. Acionou a seguradora do condomínio e participou a ocorrência, logo entrando o processo em banho-maria perante a exigência de apresentação das faturas de compra (!) dos bens que foram destruídos. E entre uma qualquer perda irrisória e a tragédia da morte, a ‘filosofia’ das companhias de seguros é idêntica: pagar pouco e o mais tarde possível ou recorrer a subterfúgios e tentar não pagar.
A tragédia do elevador da Glória e o drama das famílias das vítimas, com todo o seu cortejo de dor, vai ficando para trás. E para o ano, e nos seguintes, haverá mais coroas de flores, mais rostos fechados e mais palavras carregadas de emoção – é a vida que prossegue no país dos brinquedos.

Alexandre Pais
A questão das pensões é séria, mas a discussão está a ser divertida nos jornais e nos debates televisivos. De um lado, os próceres da direita, mortinhos por abrir uma brecha, ainda que pequena, que conduza – um dia que não seja de São Nunca – à reforma e privatização parcial do sistema. Do outro, militantes da esquerda, fiéis à sua trilogia preferida: tudo de borla, descida de impostos e alguém que pague.
O recente estudo encomendado pelo Governo a uma rapaziada conhecida por ser mais afeta ao grupo que se intitula ‘reformista’, não fez a coisa por menos: pegou no prejuízo anual e incontornável daquela Caixa Geral de Aposentações que restou em 2006 – quando os novos funcionários públicos passaram a descontar para a Segurança Social – e promoveu o terramoto. São quase 7 mil milhões de euros de défice que o Orçamento de Estado tem de cobrir todos os anos, anunciaram, em polvorosa. E juntando esse valor negativo ao saldo positivo da SS, arranjaram maneira de provar que a matemática é uma ciência exata – tudo somado, os dois regimes de pensões têm receitas inferiores às despesas. Considerando a previdência como um todo, sim, existe um problema.
Claro que do lado contrário se agita o ‘excedente’ da Segurança Social, coisa para 6,5 mil milhões de euros, como se fosse a excelência da gestão dos dinheiros públicos, e divulga-se um facto incontornável: os fundos de pensões em Portugal tinham, no final de junho, 20,5 mil milhões de euros em ativos sob gestão. Os fundos fechados contavam 15,2 mil milhões do total e os fundos abertos 5,3 mil milhões. Sim, mas então e a acumulação de resultados negativos da CGA? Bem, quanto a isso, moita, o Orçamento que vá buscar dinheiro onde quiser.
Também aos defensores de que tudo fique na mesma não se ouviu uma palavrinha sobre outro facto igualmente indiscutível. É que dos funcionários públicos que têm vindo a contribuir para o sistema geral de pensões nas últimas duas décadas, poucos se terão já aposentado, pelo que a Segurança Social recebe os descontos dos novos trabalhadores do Estado mas ainda não precisa de lhes pagar pensões. Quanto valerá à SS essa tão simpática situação? Não sabemos, evidentemente, nem ninguém nos diz.
Pelo que acabei de escrever, torna-se óbvio que pertenço ao grupo dos pensadores um bocadinho limitados que solicita às magníficas luminárias LED da nação que o esclareça sobre os prós e os contras da mudança ou da continuidade do atual sistema de pensões. No meu caso, porém, o pragmatismo transforma em simples o que parece complexo: no tempo que me resta, partido algum ousará candidatar-se a eleições legislativas tendo no seu programa a reforma da Segurança Social, o que significa que não haverá Governo que me ataque a pensão. Primeiro porque ela é o que é, com fatores de sustentabilidade, penalizações, ausência de atualização anual e muito mais malfeitorias que não pedi – foram-me impostas. E depois porque há uma qualidade que os 3 milhões de pensionistas portugueses têm: cheira-lhes à légua quem, de forma espertalhona ou encapotada, sonhe em dar um pequeno passo que seja para lhes ir ao bolso.
A vida é o que é e sem uma boa parte dos votos da ‘peste grisalha’ não haverá Executivo com maioria parlamentar que permita alterar o inalterável. Dito isto, a excelsa classe de avençados bem-pensantes que continue por aí a defender tudo e o seu contrário. Depois de velho, divertir-me passou a ter sabor especial e a ser até uma prioridade. Ainda por cima, voltei a gostar de palhaços.

Alexandre Pais
Meses atrás, perante a insistência das notícias que davam por concluído um acordo entre Israel e o Hamas, para a retirada do primeiro da faixa de Gaza e a entrega das armas pelo segundo, publiquei um artigo no ‘Correio da Manhã’ explicando porque achava que se estava perante um embuste. Agora, tendo regressado a conversa da possibilidade de um entendimento, abusarei da paciência dos leitores do ‘24Horas’ para sublinhar aquilo que nos ensina a experiência: não haverá qualquer compromisso entre os dois velhos inimigos.
Comecemos pelo Hamas, que terá aprovado um plano de paz proposto pelos Estados Unidos e que Netanyahu liminarmente rejeitou – e veremos porquê. O grupo palestiniano radical só quer que as Forças de Defesa de Israel (IDF) desapareçam do seu território para poder retomar a propaganda e reconstruir os túneis, e criar novas formas de resistência e de terror. Entregará apenas aquela parte do material de guerra que menos lhe interessar ou que estiver deteriorado e ficará com a ‘nata’ do armamento que conseguiu preservar. Disto não sairá, até porque sabe que os israelitas jamais abandonarão o processo de liquidação seletiva dos quadros palestinianos que sobreviveram. E esse é o cerne da questão.
Israel esquecerá o assalto terrorista de 7 de outubro de 2023 tão depressa como esqueceu o Holocausto, ou seja, nunca. Castigar a selvajaria que mutilou, violou, sequestrou e assassinou 1 200 pessoas, muitas delas velhos, doentes e crianças, arrancados das suas casas antes destas serem incendiadas, é uma marca brutal, implantada a ferro e fogo – e impossível de apagar.
O sentimento de vingança que move Netanyahu e o seu governo pode não passar de uma estratégia de sobrevivência política para quem analise o conflito de fora, mas é algo profundo que Israel leva muito a sério. É que dos cerca de 5 mil ‘invasores’ do Hamas de 7 de outubro terão já morrido metade e 300 estão presos e aguardam julgamento, pelo que restam ainda vivos e em liberdade ‘várias centenas’ – segundo fontes como o ‘Times of Israel’ ou o Channel 12. Esses serão localizados, perseguidos e capturados ou eliminados ‘até ao último homem’, de acordo com relatórios oficiais.
Para essa ‘liquidação total’ existe uma ‘operação especial contínua’ que reúne as IDF e os serviços de inteligência do Shin Bet – sem esquecer os da Mossad, claro – numa unidade designada por Nili (acrónimo de ‘a eternidade de Israel não mente’). É ela que lidera a caça aos ‘fugitivos’, com o recurso a reconhecimento facial, IA e vídeos confiscados aos atacantes ou divulgados pelos próprios. E a interrogatórios, muitos interrogatórios.
Face a esta realidade, as supostas conversações de paz não passam de manobra de diversão. Quando o objetivo único dos inimigos é a eliminação física do outro, resta a guerra e a sua corte monstruosa de vítimas inocentes – como as israelitas de 7 de outubro ou as palestinianas que pereceram sob os escombros de uma terra destruída. Mas há também as menos inocentes, como aquelas famílias de Gaza, algumas com crianças em casa, que mantiveram em cativeiro, sujeitos a torturas inimagináveis, reféns do 7 de outubro. Desgraçadamente para todos, o rol de atrocidades não irá parar, perpetuando um ódio que se revigorará de geração em geração como sinal da derrota da civilização às mãos da barbárie.

Alexandre Pais
Entrou morno agosto, até com uns borrifos de chuva, uma trégua para populações e bombeiros, e para o ministro da Administração Interna a necessitar de um pouco de carinho. A esse presente divino juntou-se a ida para férias de parte da cambada que resolveu fazer a vida de Luís Neves num inferno. Adiou-se assim para setembro a continuidade do festim montado à volta de um dos mais capazes membros do Governo.
Parece que das obras num pequeno monte, de um tanque de água esverdeada, de uns modestos milhares de euros pagos em mão e de uma suposta falta de licença vá lá perceber-se para quê – atos gravíssimos com os quais nenhum português seguramente se identifica ou alguma vez praticou – depende a saúde de uma sociedade e a felicidade e o futuro da Nação.
Já eu adoraria sentir idêntica preocupação e atirar foguetes no mesmo arraial, com um enredo mais comezinho: a compra de material militar por cerca de 6 mil milhões de euros, uma ninharia. Ao que consta, vamos adquirir fragatas, drones, satélites e carripanas várias, não sabemos com base em que critérios, nem se houve concursos e que empresas concorreram, nem se há ou não comissões a pagar e a quem, ou sequer se está ou não alguém a fiscalizar o alegre negócio – onde para a anunciada ‘estrutura de missão’? Pacífico, unicamente o facto de a retribuição dos equipamentos – pelo valor mais favorável ao Estado, certamente – não ser feita em numerário, desplante a que se deu a mulher de Luís Neves ao passar aquela fortuna indecorosa para as mãos do empreiteiro de Barcelos. Perante a basbacaria silenciosa, o secretismo em torno de um investimento público astronómico preocupa-me – não o montículo de Odemira. Mas isso sou eu.
Vou dar outro exemplo e igualmente insignificante: o contrato de 3,06 milhões de euros que o Ministério da Educação fez com a Deloitte para a ‘digitalização, gestão de projetos e classificação eletrónica de exames nacionais’ e que redundou no lindo imbróglio que se sabe. Não que ponha em dúvida – aliás, como no caso anterior – a seriedade de quem quer que seja, mas gostaria de sentir alguma inquietação com uma contratação de valor tão elevado e ver perguntado: foi para fazer concretamente o quê, se outras agências foram consultadas, se foi caro ou barato, e por aí fora. Enfim, ver levantadas dúvidas que suscitassem o amplo esclarecimento que não vi prestado. Perante a basbacaria silenciosa, esta despesa absurda, ou quem sabe não, preocupa-me – não o montículo de Odemira. Mas isso sou eu.
Eu que poderia continuar a dar exemplos de opacidade – e lá iria cair no financiamento dos partidos, nova inconveniência – fico-me então por uma derradeira preocupação e por um cumprimento. A primeira é pela séria hipótese de – por causa de um atrelado que a Polícia Judiciária não tinha onde guardar sem pagar e pagar bem – se vá devassar numa comissão parlamentar, em que não faltarão arrivistas, o funcionamento de uma das poucas instituições que funcionam bem em Portugal e na qual os portugueses confiam.
Termino com o cumprimento, endereçando-o a uma pessoa que nunca vi e que me desconhece a existência, o que, tendo sido polícia, é um excelente sinal. E saúdo-o por uma vida dedicada ao serviço público, que agradeço. Como estou grato pelo trabalho excecional feito na PJ e agora pelo seu empenho e afirmação no terreno, neste difícil meio ano como MAI. E agradeço-lhe ainda a paciência – e espero que a renove porque vai precisar – com que responde a perguntas pertinentes, umas inteligentes, algumas estúpidas, muitas repetidas mil vezes. Ou a coragem com que enfrenta velhos bandidos de sempre, ora travestidos de homens perfeitos, perdedores que exigem a sua demissão com uma raiva semelhante à que põem na desgraça do país. Não deixe que desta vez lhe ganhem, Luís.

Alexandre Pais
Em entrevista ao diário ‘Marca’, o dianteiro espanhol Mikel Merino explicou a forma como obteve o golo que levou La Roja a eliminar a nossa Seleção do Mundial de futebol: “Vi que tínhamos alguma superioridade, Bernardo Silva protestava e não estava a olhar para a bola, decidi avançar rápido e apanhámo-los desorientados”. Eis uma visão externa e objetiva que confirma que a pálida participação portuguesa se ficou a dever ao sub-rendimento da maioria dos jogadores e não apenas ao de Cristiano Ronaldo, como tentam provar, com desespero, aqueles que o diabolizam.
Só a tomada de posse de Jorge Jesus como selecionador logrou suspender, durante alguns minutos, a intensa atividade nas trincheiras dos adeptos pró e contra Cristiano Ronaldo. Tudo por existir uma única dúvida: o que pensaria o novo técnico nacional da polémica que vem agitando comentadores de jornais e canais de TV, e milhares de ‘bitaiteiros’ de café que pululam nas redes sociais?
Foi pequena a trégua. Perguntado sobre o tema Cristiano, JJ não podia ter sido mais claro, traçando um quadro de pragmatismo e bom senso: será convocado se estiver em forma, jogará se tiver de jogar, será substituído quando tal se justificar e poderá, mesmo, falhar algumas partidas – numa gestão semelhante à que foi feita na época que finda agora, no Al-Nassr, pelo próprio Jesus.
Curiosamente, não foi uniforme a reação dos ‘haters’ de Cristiano, grupo em que se incluem – valha a verdade – igualmente fãs do muito que o jogador deu ao futebol e ao país, mas críticos ferozes do prolongamento de uma carreira sem fim próximo à vista. Estes últimos logo perceberam que podia ser mau para as respetivas avenças continuarem a remar contra uma maré que vai encher e refletiram: se tem de ser, deixa-me cá aguentar a coisa, dizer que sim mas que também, quem sabe tudo corre pelo pior na Liga das Nações e então voltarei à carga. É uma gente muito resistente.
Menos íntimos da inteligência, outros analistas alimentam ainda a esperança que Cristiano venha em seu socorro e não queira prosseguir, por mais uma temporada que seja, na Seleção. E que aceite a sua, deles, tão generosa ‘proposta’ à FPF para que o ‘capitão’ prossiga ligado à equipa das quinas mas… não dentro do campo. Como se isso fosse possível! Calcula-se o enorme sofrimento desses radicais que tanto gostavam que a vida decorresse segundo as suas sábias diretivas. Não sendo assim, boas melhoras é o que se pode desejar.
Nas redes sociais, o festival de asneiras é talvez mais absurdo porque o desconhecimento da razão estende-se a uns 90 por cento dos opinantes e mal Jorge Jesus apresentou Cristiano como ‘símbolo de Portugal’, de imediato o espírito de sobrevivência na lama repôs as mensagens de ressabiamento. Elas têm várias origens – ou até nenhuma. A saber: porque o homem ganha 250 milhões de euros/ano e joga num país que não respeita os direitos humanos ou porque é adepto de um clube rival ou porque foi recebido por Donald Trump ou simplesmente porque sim. Ao ódio, basta a inveja social para que se torne pujante e eterno – não existe volta a dar.
Agora, vamos a banhos. Mas em dois meses, Jorge Jesus fará a sua primeira convocatória para uma competição em que a Seleção terá de disputar quatro partidas em 11 (!) dias. E como em algum ou alguns desses jogos por certo não venceremos e Cristiano poderá até jogar tanto como, no passado sábado, jogou o fantástico Erling Haaland – ou seja, nada – teremos de novo o caldo perfeito para uma ‘rentrée’ animada. É mau? É o que é: o poder do futebol com as suas grandezas e as suas misérias. Quem gosta, gosta, quem não gosta tem sempre o banho ao cão ou o ‘Casados à primeira vista’.

Alexandre Pais
“Há mais armas que país”, dizia aos repórteres, num misto de desespero e resignação, um venezuelano sem acesso a material pesado ou sequer a uma simples rebarbadora e condenado a procurar a família debaixo dos escombros com o recurso dos pobres: as próprias mãos.
Quando se fala do ‘chavismo’ e das suas perversões, omite-se um facto relevante: Hugo Chávez emergiu porque a democracia venezuelana foi um desfilar de atos de corrupção para deitar mão ao dinheiro do crude. Desgraçadamente, a revolução ‘bolivariana’ cedo se transformou num projeto unipessoal, com o poder assente num líder e numa corte imensa de oportunistas que se constituiu em guarda pretoriana do ditador. Como sempre, ela substitui o Estado e decide quem se senta à mesa das mordomias e quem é perseguido, preso ou morto por discordar do ‘salvador’ da pátria.
Não tendo Nicolás Maduro a autoridade natural de Chávez, nem a sua dimensão política, foi apenas um ‘clown’ o que Donald Trump retirou do ‘bunker’ de Caracas. Tal como não é mais que uma sombra a presidenta interina, Delcy Rodríguez, que os Estados Unidos deixaram ficar no comando do país para fazer o que um líder eleito não quereria: ser uma marioneta dos Estados Unidos. Daí que os venezuelanos pareçam condenados a continuar sob a pata da ditadura, com os beneficiários da boa vida, aqueles que não têm de se ‘abastecer’ nos supermercados vazios ou nas farmácias onde não existem remédios, a esquecerem Maduro e a obedecerem a Trump, cumprindo o único objetivo que têm na vida: manter os seus privilégios.
Ora, se a situação de um país pobre, decapitado e entregue a um aparelho de sicários já era trágica, os sismos de 24 de junho tudo pioraram, dando aos crentes a ideia de que até Deus desistiu da Venezuela. É que os males da tirania, da falta de liberdade individual à carência alimentar, passando por todo o tipo de outras privações, revelaram dispor ainda de uma face mais cruel quando a terra tremeu, largas centenas de edifícios desabaram, milhares de pessoas ficaram soterradas e o cenário se tornou numa visão do próprio inferno. Como e com quê acudir às vítimas?
Se um regime prejudica a sua produção petrolífera porque deixa deteriorar os equipamentos e não os substituiu, se não consegue garantir o abastecimento de bens essenciais à população, se gasta parte substancial do orçamento na compra de armas, se aceita ser governado por uma potência estrangeira e se continua a sustentar uma clientela que suga os escassos recursos que restam, imagina-se a disponibilidade financeira para o que devia importar. Da aquisição de maquinaria pesada, tão necessária nestes dias terríveis, aos meios indispensáveis a bombeiros e socorristas ou à dotação de instrumentos de diagnóstico e tratamento que possam salvar vidas nos hospitais. Para nem sequer relevar o sistema que permite ou não autorizar a construção de edifícios e a fiscalização das obras. Quantos prédios terão agora tombado por défice de cimento e de fundações adequadas?
Seria demagogia atribuir à ditadura o que é da responsabilidade da Natureza. Como não seria sério não reconhecer que país algum do Planeta, por muito desenvolvido que seja, possa acudir de imediato e a toda a gente, com o pleno dos meios. Mas a falta de ferramentas que possibilitem socorrer os sobreviventes em tempo útil é por demais evidente. E a necessidade de os sinistrados que chegam aos hospitais (os que ficaram de pé) terem de levar consigo os medicamentos é de uma brutalidade infinita. Tudo porque aos herdeiros do ‘chavismo’ nada interessa o povo, de que nunca cuidaram. E também por isso, equipas de resgate enviadas por dezenas de países solidários são bloqueadas e inspecionadas durante horas, enquanto mais vítimas soçobram sob os escombros. Ao mesmo tempo, jornalistas de todo o Mundo são condicionados pelo exército, de modo a esconder a tragédia e a negligência de um regime que vive do nepotismo e da propaganda.
Talvez um dia Trump preste contas aos norte-americanos por estes dias de raiva – e por ter ficado com o petróleo e deixado os tiranos no poder. Que Deus salve a Venezuela.

Alexandre Pais
Não há reforma laboral, falhas do SNS, aumento de preços dos combustíveis, entrevistas de André Ventura, gatunagem à solta ou Prestação Social Única que nos excite particularmente por estes dias. Tudo gira hoje em torno do Mundial de Futebol ou, melhor dito, ao redor da utilização plena, da menor utilização ou até da não utilização de Cristiano Ronaldo na equipa das quinas. É a guerra aberta entre os incondicionais, radicais ou moderados, do capitão da Seleção, e os seus diabolizadores, que vão do imbecil ao acéfalo. Poder falar mal de um ícone global proporciona-lhes, julgam eles, o estatuto que a vida lhes recusou.
Compreende-se que se ache que Cristiano já não é o mesmo dos melhores tempos. Não o poderia ser aos 41 anos. Falha por vezes golos que noutras alturas não falharia? É verdade. O que é mais difícil de aceitar é que não se entenda que ele é ainda o nosso jogador mais eficaz na sua posição e é por isso que é convocado. Por isso e pela intensa paixão que mantém pelo jogo, e pelo entusiasmo dos 18 anos com que continua a subir ao relvado e a perseguir o sucesso.
Mas não só. É que do ponto de vista estratégico, os 11 da Seleção jogam normalmente contra 10, pois a simples presença de CR7 em campo obriga o adversário a ter não um, mas pelo menos dois defesas ‘em cima dele’, libertando espaço para os outros avançados. E em termos mentais Cristiano constitui uma inspiração para os companheiros, que sentem em ação, ao seu lado, um dos melhores jogadores de sempre e o maior goleador da história do futebol. Finalmente, há que ter em conta esse ‘pormenor’ do prestígio, da admiração com que é visto pelos opositores. E pelo respeito que se nota até nos árbitros. A ingenuidade é morta.
De fora, fica a gratidão pelo que a equipa de todos nós logrou, ‘transportada às costas’ por Cristiano Ronaldo e por uma plêiade de grandes talentos: com 3-títulos-3 nos últimos dez anos, temos a seleção mais vitoriosa do Planeta, coisinha pouca. Como alguém lembrou há dias, e foi apenas um exemplo, sem os dois golos de Cristiano à Hungria não teríamos sequer ultrapassado a fase de grupos no Europeu de 2016. Mas que interessa isso? Na final, contra a França, ele quase não jogou… lembram, ressabiados, os detratores.
Quando se sublinha uma evidência, que os anos passam sobre Cristiano, há que distinguir dois tipos de críticos: os racionais e os descerebrados. Os primeiros – que metem a cabeça de fora logo haja um ou dois jogos sem golos de CR7 – disfarçam as suas reservas atrás de um problema que Jorge Jesus resolveu, com sabedoria, no Al-Nassr, e que foi a gestão na utilização do seu principal futebolista. Mal um jogo ficava resolvido, JJ substituía-o. E quando havia partidas pouco ou nada relevantes, nem sequer o convocava.
Foi essa opção de mestre que possibilitou que Cristiano chegasse ao Mundial em excelentes condições. E Roberto Martínez deu indicações de que seguirá por esse caminho ao longo do torneio, até porque existe a expectativa de que a Seleção possa vir a disputar oito jogos. E ninguém é de ferro. Além do capitão, titulares habituais como Rúben Dias, Nuno Mendes, Bernardo Silva, Gonçalo Inácio, Rafael Leão ou mesmo Bruno Fernandes estão nos Estados Unidos com largas dezenas de jogos nas pernas e o inerente castigo físico. Sim, ninguém, Cristiano incluído, tem de jogar sempre ou jogar o tempo inteiro. Dessa gestão, aliás, dependerá em grande parte o êxito ou o inêxito da Seleção neste Mundial.
Resta-me falar nos ‘haters’, muitos deles acéfalos. E aí as coisas tornam-se mais claras. Porque é puro ódio social – com o seu rol interminável de matizes – o que alguns portugueses alimentam pelo compatriota que tornou o País mais conhecido em todo o Mundo. Porque ganha demasiado, quando recebe de acordo com as receitas que gera. Porque está a apoiar um país onde não existe igualdade de género, sem se ter em conta os avanços nos direitos das mulheres que a sua chegada à Arábia Saudita permitiu. Porque foi recebido por Donald Trump, como se fosse o único ou o Presidente norte-americano não tivesse sido eleito pela maioria dos eleitores. Porque é vaidoso, como se o que conseguiu na vida pudesse não resultar em óbvio motivo de orgulho.
Enfim, tudo serve para tentar, sem sucesso é certo, denegrir a imagem de um grande embaixador de Portugal, de um homem que do nada se tornou na personalidade mais popular da internet: é a única figura planetária que soma acima de mil milhões de seguidores. E é por ele que os jogos em que participa a Seleção Nacional nos Estados Unidos foram os primeiros a esgotar as lotações, com as vendas a atingirem, entretanto, no mercado negro, valores estratosféricos. Mas como nada disso acalma os demónios pousados nos ombros dos ‘haters’ de Cristiano, antes da partida de hoje contra o Congo quero incentivá-los a adotarem a palavra de ordem que melhor os define: ‘Invejosos de todo o Mundo, uni-vos!’ É a vossa hora. E pode correr-lhes tão mal…

Alexandre Pais
Maria da Graça Carvalho, titular da pasta do Ambiente e da Energia, é bem capaz de ser a melhor ministra deste Governo. Pelas decisões que toma, pela coragem com que dá o peito às balas e pelas explicações a que não se furta – seja nas estações de TV ou nas redes sociais – e nas quais demonstra experiência, bom senso, conhecimento e preparação. Merecia, por isso, ter quem lhe facilitasse a vida e não lhe arranjasse mais preocupações do que as que tem.
Só as contestações à construção de novas barragens por parte dos colecionadores de calhaus e dos protetores de libelinhas ou a resistência de populações pouco esclarecidas à instalação de minas de lítio e de aterros sanitários já lhe deviam bastar. Mas tem muitos outros problemas bicudos pela frente, como o da Herdade da Comporta e do ‘cerco’ a meia dúzia de praias públicas da zona. Avançando os planos dos investidores, deixar-se-ia de cumprir o que determina a lei: a não existência de praias privadas em Portugal.
Como se fosse coisa pequena o que está em jogo e que interfere diretamente com a qualidade de vida dos portugueses, houve há dias uma ‘inteligência ambiental’ superior que resolveu inventar. Infelizmente, não uma forma de ajudar os municípios a contratar os 265 vigilantes que faltam nas praias, uma ninharia. Optou por uma polémica para fazer prova de vida e animar a atualidade informativa no pré-verão: a magna questão da localização dos guarda-sóis particulares nas praias concessionadas.
Ora, o que se passava até agora era uma relação pacífica e consensual entre concessionários de 30 por cento do espaço público à beira-mar e os utentes em geral, que colocavam chapéus de sol, cadeiras e outros equipamentos pessoais nas zonas laterais às concessões ou seja, nos restantes 70 por cento de área disponível. Era uma forma ordeira e natural de cada um disfrutar com tranquilidade do sol e do mar, e de os empresários garantirem, por sua vez, o retorno dos investimentos, continuando a apoiar os nadadores-salvadores e a cederem gratuitamente chuveiros, lavabos ou simples lava-pés aos banhistas, pagantes ou não.
Com a ‘clarificação’ da regulamentação por parte do presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (AP), José Pimenta Machado, e da própria ministra – vá lá entender-se porquê – teremos um verão pleno de conflitos que se deviam ter evitado. Guarda-sóis avulsos instalados ao lado, ou mesmo ‘em cima’ de espreguiçadeiras alugadas, acesso ao mar dos nadadores-salvadores dificultados ou até barrados pela traquitana de famílias inteiras – a que se juntará a ausência tradicional da autoridade marítima nas praias – são o caldo perfeito para uma guerra social espúria. O líder da APA, que está no cargo há um ano e meio e que no verão de 2025 não se lembrou disto, ‘resolveu’ o imbróglio com um ‘comunicado’. Não chega. O caso ganhou uma dimensão que impõe que Maria da Graça Carvalho venha a terreiro e que seja ela a pôr os pontos nos ‘is’ de modo a que não restem dúvidas.
Do muito que retive de centenas de episódios da série norte-americana ‘Dr. Phill’, aprendi depressa uma coisa: há pessoas perturbadas, ou apenas malévolas, que todos os dias saem de casa com o único objetivo de arranjar conflitos. E não só nos Estados Unidos. Agora imagine-se o que se irá passar num país onde, por exemplo, num tribunal se apontam armas a guardas da GNR para se libertar um preso ou num hospital se agridem seguranças e enfermeiros por não serem tão ‘diligentes’ como gostariam os energúmenos. Não será preciso esperar muito para que os nossos areais se transformem em arenas: concessionários tentando proteger o seu negócio e provocadores aproveitando a oportunidade para fazer baderna e lançar o caos numa qualquer praia do território. E a conclusão é simples – abrimos uma caixa de Pandora de maneira nada inteligente, sofreremos estupidamente as consequências.