Frase do dia

  • “Foi o melhor jogo da minha vida”, Luis Enrique, depois do 5-4 no PSG-Bayern
  • “Foi o melhor jogo da minha vida”, Luis Enrique, depois do 5-4 no PSG-Bayern
  • “Foi o melhor jogo da minha vida”, Luis Enrique, depois do 5-4 no PSG-Bayern
  • “Foi o melhor jogo da minha vida”, Luis Enrique, depois do 5-4 no PSG-Bayern
  • “Foi o melhor jogo da minha vida”, Luis Enrique, depois do 5-4 no PSG-Bayern
  • “Foi o melhor jogo da minha vida”, Luis Enrique, depois do 5-4 no PSG-Bayern
  • “Foi o melhor jogo da minha vida”, Luis Enrique, depois do 5-4 no PSG-Bayern
  • “Foi o melhor jogo da minha vida”, Luis Enrique, depois do 5-4 no PSG-Bayern
  • “Foi o melhor jogo da minha vida”, Luis Enrique, depois do 5-4 no PSG-Bayern
  • “Foi o melhor jogo da minha vida”, Luis Enrique, depois do 5-4 no PSG-Bayern
  • “Foi o melhor jogo da minha vida”, Luis Enrique, depois do 5-4 no PSG-Bayern
  • “Foi o melhor jogo da minha vida”, Luis Enrique, depois do 5-4 no PSG-Bayern
  • “Foi o melhor jogo da minha vida”, Luis Enrique, depois do 5-4 no PSG-Bayern
  • “Foi o melhor jogo da minha vida”, Luis Enrique, depois do 5-4 no PSG-Bayern
  • “Foi o melhor jogo da minha vida”, Luis Enrique, depois do 5-4 no PSG-Bayern
  • “Foi o melhor jogo da minha vida”, Luis Enrique, depois do 5-4 no PSG-Bayern
  • “Foi o melhor jogo da minha vida”, Luis Enrique, depois do 5-4 no PSG-Bayern
Search
José Paulo Fafe

Não sei se já tiveram oportunidade de alguma vez ouvir falar de Eike Batista - acredito que sim. Algo (para...

Não sei se já tiveram oportunidade de alguma vez ouvir falar de Eike Batista – acredito que sim. Algo (para não dizer muito…) excêntrico, chegou a ser o homem mais rico do Brasil, com incontáveis projetos na área do petróleo, da logística, da mineração, etc., e sabe-se lá que mais.

Personagem fascinante de um certo Brasil que, no dealbar deste século, conseguia crescer quase ao nível da China ou do Vietnam, Eike era um autêntico ‘tanque’ na persistência e entusiasmo que colocava naquilo em que se envolvia. O seu estilo era único – sedutor, carismático, ambicioso ao limite, Eike era o protótipo do ‘vendedor’ perfeito, do tipo que encantava plateias e investidores pelo mundo fora com os seus inseparáveis ‘powerpoints’, vendendo visões e projetos de grande escala, prometendo mundos e fundos, leia-se, garantindo receitas e lucros inimagináveis.

A sua imagem de ‘rei Midas brasileiro’, que as praças financeiras e a imprensa especializada durante anos atestaram e fomentaram, fazia a outra parte, ou seja, conferia-lhe uma credibilidade e uma aparente robustez financeira que levou muitos a apostarem no seu ‘universo’, e a Eike a capitalizar-se junto de investidores e banca.

Por volta de 2013, o seu império entrou em colapso com a falência da petrolífera OGX, cuja ‘débacle’ financeira provocou um efeito dominó em todo o seu grupo, estimando-se perdas a ultrapassar os 35 mil milhões de dólares, e confirmando aquilo que muitos há muito vaticinavam: as projeções irrealistas ‘garantidas’ por Eike nos seus célebres ’powerpoints’ não tinham qualquer correspondência com a realidade – eram afinal um embuste.

A esta altura, haverá alguns leitores que legitimamente se perguntarão sobre o que um brasileiro, de seu nome completo Eike Fuhrken Batista da Silva, tem a ver com o nosso ministro para a Reforma do Estado que dá título a este texto, no caso, com o inefável ministro Gonçalo Matias, de sua graça.

Poderá parecer estranho, mas Eike e Matias têm tudo em comum, são assim como uma espécie de irmãos gémeos, ainda que separados, neste caso pela distância, idade, ocupação, e várias outras especificidades. Matias, não sendo uma personagem fascinante, ou encantando plateias, também adora a exibição – quem não se recorda daquela célebre aparição na Web Summit, ou da fotografia posando de ‘boxeur’ que postou nas redes sociais?; tal como Eike, tão-pouco resiste aos malditos ‘powerpoints’, arma essencial no que toca a distorcer a realidade; e, se não chegasse já a comparação, o ‘nosso’ ministro, quando escolhido, foi apresentado como se se tratasse assim de uma espécie de sétima maravilha do mundo, capaz de levar a cabo a tarefa que lhe foi incumbida.

E quando nós portugueses, simples cidadãos, nos damos conta de que, afinal, os sucessivos anúncios de uma suposta desburocratização e reforma do Estado afinal não passam de promessas vãs, de malditos ‘powerpoints’ que pouco ou nada têm a ver com o mundo real e tudo a ver com um mundo de puras ilusões, fica difícil não chegar à conclusão, pese embora o que os separa, de que o defunto império de Eike tem tudo ver com a suposta reforma de Matias.

Se não, o que dizer quando alguém, 2 semanas depois de ter pedido online o registo criminal, ainda não o recebeu? Ou que, ao invés do que foi anunciado a sete ventos, a validade dos passaportes não passou para 10 anos no início de 2026? Ou quando percebemos que o ‘Empresa na Hora’ pura e simplesmente não funciona, e que a formalização de todos os atos necessários para constituição de uma empresa e o seu início de atividade pode, na melhor das hipóteses, demorar uns 3 ou 4 meses? E já agora, quando sabemos que uma simples certidão negativa, segundo revelou ainda recentemente o bastonário da Ordem dos Notários, pode demorar até um ano?

Eike Batista que me perdoe, mas a comparação era inevitável…