
Carlos Janela
Sabiam que 99% dos melhores jogadores da história do futebol mundial revelaram-se entre os 17 e os 21 anos? E que foi nesse período que conquistaram a titularidade nas equipas principais dos seus clubes e começaram a ser convocados para as seleções principais dos seus países?
Depois dos 21 anos, também podem surgir jogadores de boa qualidade, cuja afirmação tardia resulta de diferentes circunstâncias.
Mas convém distinguir a descoberta tardia de um bom jogador e o período natural onde se revelam os talentos no futebol de alto rendimento.
Afinal, o que significa ser um jogador-talento?
Ser talentoso significa possuir aptidões invulgares para o desempenho de uma atividade ou de uma função específica.
No futebol, porém, temos assistido a um uso excessivo da palavra “talento”, atribuindo-a frequentemente a jogadores que, sendo bons, não apresentam as características extraordinárias que justificam essa classificação.
Por isso, é importante actualizar o conceito de talento na exacta medida das exigências do futebol atual, particularmente ao nível da UEFA Champions League, a competição mais exigente, em múltiplos parâmetros, do futebol contemporâneo.
Durante muito tempo, o rótulo de talento foi reservado, sobretudo, aos médios criativos, aos extremos desiquilibradores e aos avançados-centro com elevados recursos técnicos.
Hoje, o conceito é muito mais abrangente e exigente.
Um jogador-talento tem de reunir elevadas qualidades nos planos físico-atlético, técnica, versatilidade e compreensão dos momentos do jogo e uma forte mentalidade competitiva, traduzindo-as em rendimento efetivo dentro do campo, sempre ao serviço do coletivo.
No futebol moderno, todas as posições são determinantes – guarda-redes, defesas, médios e avançados.
As equipas jogam com 11 jogadores e há jogadores-talento em todas as funções de uma equipa.
O talento mede-se pelo rendimento no contexto da equipa.
O principal pressuposto nas competições de elite, é o rendimento individual contribuir para o desempenho global da equipa. Melhor dizendo, o grau de qualidade das suas capacidades individuais ao serviço do coletivo.
Antes de avançar, importa também não confundir habilidade com técnica.
A habilidade é uma execução individual e uma ação recreativa.
A técnica, no futebol de alto rendimento, é muito mais do que habilidade – é a capacidade de executar bem, de forma eficiente e saber resolver cada dificuldade do jogo, frequentemente sob pressão e a grande velocidade.
A excelência técnica está na eficácia da solução, não apenas na beleza da execução.
As múltiplas investigações científicas e a minha longa experiência no futebol de alto rendimento, leva-me a uma convicção – O talento não é um dom inato, nem pode ser explicado como um presente de Deus.
Ninguém nasce jogador de futebol, muito menos, um talento inato.
Nascemos com aptidões, características individuais e diferentes potencialidades. O talento emerge do desenvolvimento dessas aptidões, da qualidade do treino, da dedicação do praticante e das circunstâncias em nasce e em que cresce.
Se Olise, Vitinha, Mbappé, Messi ou Cristiano Ronaldo tivessem nascido e crescido em locais onde o futebol não fosse uma prática regular, onde outros desportos fossem mais importantes, não tinham sequer sido jogadores de futebol.
O Cristiano Ronaldo e Mbappé ainda poderiam, eventualmente, ter encontrado noutras modalidades desportivas, um espaço para desenvolver as suas extraordinárias capacidades atléticas.
Mas Messi e Vitinha, sem uma bola por perto, nem em outras modalidades se poderiam distinguir, devido às suas aparentes fragilidades físico-atléticas.
E aqui que ganha particular significado o pensamento de Ortega y Gasset – “Eu sou eu e a minha circunstância, e se não a salvo a ela, não me salvo a mim.”
Esta afirmação, que sublinha a relação inseparável entre o indivíduo e a realidade em que está inserido, aplica-se perfeitamente à formação de um jogador-talento.
As circunstâncias não explicam tudo, mas condicionam profundamente aquilo que somos e aquilo em que nos podemos transformar. No futebol, as aptidões individuais só atingem o seu verdadeiro potencial quando encontram condições adequadas para se desenvolverem.
Na minha opinião, no futebol actual de alto rendimento, um Jogador-Talento deve reunir seis grandes qualidades:
1. Dominar completamente os movimentos do seu próprio corpo.
O primeiro pressuposto é possuir uma elevada coordenação motora, um excelente domínio corporal e uma visão periférica desenvolvida. Unidade de movimento.
Se um jogador não dominar os movimentos do próprio corpo, como poderá controlar um objeto exterior, a bola, e integrá-la naturalmente nos seus movimentos? E como poderá executar gestos técnicos a velocidades elevadas, como exige o futebol atual?
O domínio corporal é a primeira condição para a excelência técnica.
2. Fazer da bola uma extensão do próprio corpo.
Num jogador-talento, a relação entre o corpo e a bola deve ser tão natural que não exista qualquer conflito entre ambos. A bola tem de funcionar como uma extensão dos seus membros, respondendo com rapidez às ordens e estimulos do cérebro do jogador.
A técnica é uma expressão psicomotora: envolve o cérebro, a perceção, a decisão, a coordenação e a execução do movimento. Tudo automático e em nanossegundos.
A qualidade do treino permite consolidar as qualidades de movimento, tornando-as progressivamente mais eficientes e mais rápidas.
Quanto maior for a integração entre o corpo e a bola, maior será a capacidade de executar ações técnicas complexas sob pressão e a grande velocidade.
3. Saber jogar contra a oposição do adversário.
Depois de dominar o corpo e a bola, o jogador-talento tem de saber superar o adversário.
Com bola, deve ser capaz de criar desequilíbrios através do passe, do drible, da mudança de direção ou de outras soluções criativas.
O talento ofensivo manifesta-se, muitas vezes, na capacidade de criar aquilo que ainda não existe – um espaço, uma linha de passe, uma oportunidade de finalização ou uma vantagem para a equipa.
Sem bola, no momento defensivo e particularmente no caso dos defesas, o talento revela-se na capacidade de antecipar, posicionar-se, ganhar duelos e neutralizar/controlar os adversários, tanto pelo solo como pelo ar.
4. Saber jogar em equipa.
O futebol é um jogo coletivo. Por isso, nenhuma qualidade individual, por extraordinária que seja, pode ser avaliada de forma isolada.
Com bola, todas as capacidades do jogador devem contribuir para os movimentos, os objetivos e a estratégia da equipa. A qualidade individual ganha verdadeiro significado quando melhora o rendimento coletivo.
Sem bola, o jogador-talento tem de participar ativamente na organização defensiva, nos movimentos de pressão, nas coberturas e no controlo dos adversários.
Não basta saber jogar à bola.
O Jogador de Elite não se avalia apenas pelo que consegue fazer com a bola, mas pelo valor que acrescenta ao rendimento da equipa.
5. Dominar o espaço de jogo.
O campo de futebol tem grandes dimensões, mas o espaço efetivamente utilizado durante o jogo é condicionado por diferentes fatores, entre os quais a lei do fora de jogo, a linha do meio-campo, o posicionamento das equipas e onde está a bola em cada momento do jogo.
Um jogador-talento, independentemente da sua posição, deve compreender e dominar o espaço, tanto na largura como na profundidade.
Tem de saber ocupar, criar, reduzir e explorar espaços. Deve antecipar os movimentos dos adversários e dos companheiros, reconhecendo onde, quando e como pode intervir para favorecer a equipa.
A inteligência espacial é uma das características mais distingue os jogadores excepcionais dos jogadores que são simplesmente bons.
6. Possuir velocidade e resistência em ritmos elevados.
O futebol de alto rendimento exige uma combinação de capacidades técnicas, físicas e cognitivas num grau muito elevado.
Um jogador-talento deve apresentar níveis elevados nas três velocidades fundamentais do futebol actual,
A estas capacidades junta-se a resistência necessária para manter um elevado nível de rendimento ao longo de todo o jogo.
Lembro que cada jogador, durante um jogo, em média, apenas tem um contacto com a bola durante 90 segundos (1.5 min). Pelo que no resto do tempo de jogo, tem de correr, correr muito, posicionar-se e participar activamente nas acções defensivas e atacantes.
Nos jogos da Champions League, as exigências físicas são extraordinárias. Um jogador correr, a grande velocidade, 10 ou mais quilómetros num jogo é normal.
O futebol evoluiu. O conceito de talento também teve de evoluir.
O treino e o jogo de futebol evoluíram extraordinariamente nos últimos 30 anos, talvez mais do que nos cem anos anteriores, em muitos dos seus aspetos fundamentais.
Não foi apenas o futebol jogado que se transformou. Em praticamente todas as modalidades desportivas, verificamos um aumento das exigências físicas, da velocidade de execução e da rapidez de deslocação dos praticantes.
Esta evolução resulta de múltiplos fatores – melhores métodos de treino, maior conhecimento científico, avanços na preparação física, acompanhamento médico mais especializado, análise do jogo e desenvolvimento da mentalidade competitiva.
O futebol de elite tornou-se mais rápido, mais intenso e mais complexo. Consequentemente, a definição de jogador-talento não pode ficar presa aos critérios de tempos passados.
Hoje, não basta executar um gesto técnico individual de forma brilhante.
É necessário executá-lo no momento certo, no espaço certo, sob pressão, com alta velocidade e sempre em benefício da equipa.
É essa capacidade de transformar aptidões individuais em rendimento coletivo que, na minha opinião, distingue verdadeiramente um jogador-talento.
Termino com uma convicção que não me canso de defender – a prática desportiva e o exercício físico deveriam ser oficialmente reconhecidos como necessidades fundamentais do Ser Humano, a par da alimentação, do descanso, do bem-estar, da cultura, do trabalho e do amor fraterno.
Porque o desporto não serve apenas para formar atletas.
Serve essencialmente para formar Pessoas e Cidadãos.

Carlos Janela
Costumo repetir que gostar de boa comida, frequentar bons restaurantes e/ou ler livros de culinária, não faz de alguém um bom cozinheiro, um Chef. Da mesma forma,
Gostar de cinema, assistir regularmente a bons filmes, não nos transforma em actores, realizadores ou críticos de cinema.
No futebol, como em outras atividades da vida, a paixão não substitui o conhecimento, nem a observação significa a compreensão profunda do fenómeno.
Fazer uma auditoria desportiva a um ciclo negativo de uma equipa que luta por títulos, exige conhecimentos/competências específicas e muitaexperiência acumulada.
Não basta ver futebol há muitos anos, ler diariamente os jornais desportivos ou acompanhar regularmente os programas de debate nas TVs.
Com este texto pretendo contribuir para que os leitores e adeptos de futebol de alto rendimento, compreendam melhor a realidade interna de um grupo de trabalhoquando uma equipa que joga para conquistar títulos passa por fases de insucesso nas competições nacionais e/ou nas internacionais.
É nos momentos de insucesso (teste de stress) que melhor se revelam as reais capacidades de uma equipa, a competência das suas lideranças e a verdadeira cultura competitiva do clube.
O futebol é um espetáculo público, aberto ao olhar de milhões de pessoas.
Mas, existe uma grande diferença entre ver um jogo e compreender tudo aquilo determina o sucesso ou o insucesso de uma equipa no relvado.
Quase sempre, as causas vivem escondidas no balneário, na qualidade dos treinos, na escolha do plantel, na dinâmica do grupo e sobretudo, na competência do treinador.
Não haja dúvidas, o Treinador é o principal factor do sucesso de um clube com ambições de títulos.
Conhecer as leis/regras do jogo ou apreciar o futebol bem jogado, não significa conhecer profundamente o treino, a preparação física, a gestão do plantel, a liderança ou a psicodinâmica de uma equipa de alta competição.
São comuns os principais factores de sucesso das equipas vencedoras:
Um treinador muito competente (factor determinante), um plantel de elevada qualidade técnica e física, metodologias de treino eficazes, uma estrutura de apoio qualificada e uma dinâmica coletiva positiva, são fatores determinantes na construção de uma equipa ganhadora.Mas atenção,
Nenhum deles isoladamente, garante a conquista de títulos. A fragilidade de vários destes factores torna impossível alcançar títulos em competições cujos rivais são fortes.
São diferentes as razões do fracasso desportivo dasgrandes equipas:
Uma equipa grande pode entrar num ciclo negativo por um erro na escolha do treinador (é fatal), sucessivos erros na escolha do plantel, por lesões e castigos circunstanciais, por quebras de rendimento físico, por falta de união no plantel, por decisões desajustadas, e ainda, por fatores externos que perturbam a estabilidade do grupo.
É precisamente esta diversidade de causas que torna tão simplista atribuir todas as derrotas a um único responsável, o treinador. Cada situação exige diagnóstico próprio, fundamentado em factos e não em suposições/emoções.
Na minha opinião, no futebol moderno, a escolha dotreinador é a decisão mais determinante para o sucesso desportivo de um clube.
A sua influência é decisiva – escolhe, prepara, organiza, motiva, corrige e toma decisões sob permanente pressão.E muito importante,
Porque preparam a equipa para ganhar, são os treinadores aqueles que melhor sabem as causas da derrota, e,transformam essa análise em medidas corretivas.
Só quem compreende as razões do sucesso consegue interpretar verdadeiramente as causas do insucesso. Ou seja,
Só quem sabe porque se ganha, pode compreender as razões por que se perde.
O conhecimento profundo do futebol exige a capacidade de olhar para além do resultado.
E os dirigentes na hora da derrota?
A verdadeira qualidade dos dirigentes, sobretudo do Presidente da Direcção/SAD, revela-se nos momentos difíceis.
Quando tudo corre bem, é relativamente fácil liderar. Os bons resultados alimentam a confiança, reforçam a autoridade e aproximam as pessoas.
Uma boa liderança não consiste em procurar culpados para satisfazer a pressão exterior dos adeptos e/ou da Comunicação Social.
Consiste em compreender os problemas, criar condições para os resolver e decidir com coragem.
Os treinadores, os jogadores e os adeptos precisam, nesses momentos, de dirigentes capazes de transmitir serenidade, tomar decisões ponderadas, que protejam a estabilidade do grupo de trabalho e exijamresponsabilidades quando tal se justifica.
E a Comunicação do clube?
A comunicação de um clube deve ser responsável, coerente com os objetivos desportivos e consciente de quetudo deve ser feito para ajudar a equipa a ter sucesso no campo.
Uma boa estratégia de comunicação não ganha jogos, mas pode ajudar a evitar muitas forças adicionais de pressãonegativa sobre a equipa no campo.
A prevenção e a humildade não diminuem a ambição. Ajudam a protegê-la.
É fundamental, na hora da derrota,
Antes de procurar responsáveis no exterior, é necessário olhar para dentro.
Perante uma sequência de derrotas, é tentador invocar másarbitragens, maus calendários, azares ou outras causasexternas.
Sim, esses fatores podem ter influência e devem ser avaliados quando realmente existam razões objetivas para isso.
Mas a primeira obrigação de uma estrutura profissional é “auditar” as suas próprias decisões e comportamentos, desde a direção ao departamento de futebol, da equipa técnica ao plantel e estruturas de apoio.
A incapacidade de reconhecer os erros próprios é um dos maiores obstáculos à conquista de vitórias.
Nunca esquecer que não existem épocas desportivas perfeitas!
Mesmo os melhores treinadores, os jogadores de elite e os dirigentes mais experientes, cometem erros.
O futebol é uma actividade de enorme complexidade, condicionada por fatores técnicos, físicos, psicológicos, estratégicos e humanos.
“A bola é redonda”, como sabiamente repetem os adeptos.
O futebol actual está muito exigente – a preparação tem de encontrar o equilíbrio entre o treinar o necessário para melhorar o desempenho e o descanso indispensável para competir ao mais alto nível.
É essencial compreender que o alto rendimento desportivonão se constrói nem se mantém por acaso. É necessário conjugar muitas competências.
É fundamental uma cultura de responsabilidade coletiva.
Quando os resultados são positivos, muitos querem reivindicar a sua quota-parte do sucesso. Multiplicam-se os elogios, reforçam-se os discursos de confiança e todos parecem ter contribuído para a vitória.
O problema surge quando chega a hora da derrota.
É nos momentos difíceis que melhor se define o carácterdas pessoas e a qualidade das organizações.
Quem trabalha num clube e integra a estrutura do futebol não pode comportar-se como se o problema/derrota não lhe dissesse respeito. Jamais pode negar ou desvalorizar os problemas que precisam de soluções.
A responsabilidade deve ser assumida de acordo com as funções, as decisões tomadas e a influência efetiva de cada interveniente. Não se trata de responsabilizar todos por tudo, mas de impedir que alguém finja que o “problema não é meu!”.
O desempenho de uma equipa é um projeto coletivo.
O seu sucesso depende da articulação de diferentes competências e responsabilidades. E é precisamente essa articulação que deve ser reforçada nos momentos de maior dificuldade.
Existe uma máxima popular que merece lembrar – só quem vive no convento é que sabe o que lá vai dentro!
A gigantesca dimensão publica da Indústria do Futebol, gera expectativas nos adeptos e na comunicação social que alimentam permanentemente especulações, debates e interpretações.
Também por isso, a gestão de um período negativo exige um trabalho em duas frentes.
A primeira é interna – identificar as causas do insucesso, reconhecer os erros, avaliar responsabilidades e aplicar medidas corretivas. É aqui que se decide a capacidade real de recuperar o rendimento desportivo.
A segunda é externa – desenvolver uma estratégia de comunicação clara e responsável, capaz de evitar que uma sequência de maus resultados se transforme numa crise explosiva que fomente declarações contraditórias, rumores e reações emocionais que destabilizem a estrutura do futebol.
A Comunicação, por mais competente que seja, não substitui as competências especificas, nem resolve aquilo que apenas os responsáveis podem corrigir. Mas uma comunicação inadequada pode agravar seriamente uma situação desportiva complicada.
Não devemos desperdiçar uma derrota para aprender e melhorar.
No futebol, como na vida, é relativamente fácil celebrar as vitórias.
A hora da derrota exige outra maturidade.
O resultado de um jogo é uma realidade objetiva.
Pode ser injusto, inesperado ou condicionado por circunstâncias particulares, mas não deve ser mascarado para proteger egos, justificar decisões ou alimentar narrativas convenientes.
O relvado é um critério de verdade – mostra aquilo que aconteceu.
Na hora da derrota, é demasiado fácil procurar culpados. É preciso encontrar causas.
É igualmente, muito importante não confundir diferentes níveis de exigência competitiva.
Uma coisa é jogar para ganhar nas provas nacionais, com as suas próprias características e dificuldades.
Outra, bem diferente, é jogar para ganhar e/ou chegar às fases finais da Champions League e da Europa League.
São contextos, ritmos, adversários e graus de dificuldade distintos.
Não se devem misturar realidades competitivas diferentes, nem avaliar objetivos de dimensão internacional como se fossem equivalentes aos das competições nacionais.
Uma, duas derrotas, não têm de representar o princípio de uma crise.
Pode ser o início de uma correção ou de uma mudança necessária no caminho da vitória final.
Insisto: A prática desportiva, o exercicio físico, deveria ser formalmente considerado como uma das necessidades fundamentais do Homem, tal como a Alimentação, Cultura, Descanso, Trabalho e o Amor.

Carlos Janela
É evidente que a função de Guarda Redes foi a que mais evoluiu no futebol nos últimos 30 anos.
Essa evolução e aperfeiçoamento foi tão extraordinário que derrubou uma grande quantidade designações usadas e a maioria dos princípios/conceitos da análise das equipas, dos jogos e do futebol actual, nas suas diversas dimensões.
Todos conhecemos a usada e repetida expressão, “os 10 jogadores de campo”.
Mas uma equipa não são 11 jogadores? Então quem sobra? Qual é o excluído?
Quem ficou “fora de campo”?
É claro que o “excluido” é…o guarda-redes!
Veja-se a soma das várias tactica do futebol,
O 4x4x2; o 4x3x3; o 3x5x2; o 3x4x3; etc. Todas somam10 jogadores.
Mas uma equipa não é composta por 11 elementos? Então quem era o elemento da equipa eliminado /ignorado no jogo?
O guarda-redes!
E se há trinta e mais anos, essas velhas expressões e entendimentos, ainda faziam algum sentido porquecorrespondiam a uma realidade generalizada. Hoje,
Apesar de ainda usada por muitos comentadores distraídos, não refletem a realidade real do jogo, nem tudo aquilo que os nossos olhos veem em cada jogo dos campeonatos profissionais em todo mundo.
Nesses tempos, os guarda-redes, treinavam sempre à parte. Não integravam activamente o jogo da equipa. Sempre que recebiam uma bola jogável dos colegas ou adversários, ou a agarravam e/ou a chutavam de qualquer maneira para o mais longe possível.
Quando iniciavam uma jogada a partir da sua área, era quase sempre com as mãos. Lembro os grandes elogios aos guarda-redes que tinham a capacidade técnica de fazer passes longos com as mãos.
Quem não se lembra que o jogo de pés dos guarda-redes ser tão inábil que na maioria das equipas eram os defesas que batiam os pontapés de baliza para que a bola chegasse longe e o melhor possível aos avançados da sua equipa.
Foi um longo período do futebol em que o guarda-redes tinha apenas por incumbência – defender os remates dos adversários; agarrar a bola, chutá-la para o ataque; ou com as mãos, entregar a bola ao colega mais próximo.
Numa fase seguinte,
A evolução do trabalho dos GRedes passou a ter a capacidadebater com qualidade os pontapés de baliza, permitindo o adiantamento no campo das linhas defensivas, e a ser dominante no chamado “jogo aéreo” fora dos postes.
Ter um GR bom no jogo “fora dos postes”, representava um aumento da qualidade defensiva de uma equipa.
Outro exemplo concreto,
Eram raríssimos os guarda-redes que defendiam bem penáltis. A maioria dos penáltis eram falhados pelos marcadores e não defendidos pelos GRs. Actualmente,
Para além de ter aumentado o número de penáltis não concretizados, 90% dos castigos máximos falhados são defendidos pelos guarda-redes. Significativo.
Definitivamente, nos dias de hoje, acabaram os jogos de 10 contra 10.
No futebol moderno, as equipas jogam com “11 jogadores de campo”.
A soma dos jogadores de cada equipa é o número 11.
Uma equipa para ter sucesso desportivo deve ser um todo composto por 11 capacidades.
Para melhor expressar o presente contexto do futebol, os números das designações tácticas e algumas concepções devemser corrigidas e actualizadas.
Há muito que acabou o “futebol de sectores ou partes”.
Hoje uma equipa é um TODO dinâmico de 11 jogadores em que nenhum elemento é prescindível quer no jogo defensivo que no jogo ofensivo.
No presente,
Pela grande qualidade do treino dos GRs nas suas diferentes vertentes; pela integração dos GRs no jogo da equipa; E, pelomérito e competência das novas gerações de GRs, a função do guarda –redes está muito valorizada quer na qualidade do jogo, quer no valor que os guarda-redes têm no mercado dos jogadores.
Hoje, mais que outrora, o desempenho dos guarda-redes é decisivo para o sucesso desportivo e para a conquista de títulosdas grandes equipas.
Não é verdade que,
A maioria das jogadas das equipas começam na qualidade dospés dos guarda-redes?!
A qualidade e o critério de cada passe de um GR interferem decisivamente no jogo ofensivo da sua equipa.
Mais ainda, os GRs passaram a ser uma linha de passe na construção do jogo. E,
Mais uma opção estratégica para atrair a pressão do adversário e depois explorar a profundidade através de lançamentos longos. Também,
A profundidade do jogo adversário passou a ter mais uma dificuldade, os GRs.
Nos últimos 20 anos, de forma crescente, todos os estudos estatísticos e análises dos jogos das principais competições nacionais e internacionais, confirmam uma subida exponencial da participação quantitativa e qualitativa dos GRs no jogo ofensivo e defensivo das suas equipas.
O Brasil é um exemplo paradigmático da grande evolução das qualidades, atributos e responsabilidades dos “goleiros” no futebol contemporâneo.
Com a “revolução Taffarel” iniciada no final dos anos 90, aquele Brasil sem GRs de qualidade superior, passou a ter uma das melhores escolas de “goleiros” do mundo, tendo em conta o rácio numero-qualidade.
A notável evolução das capacidades e competências dos GRsdeve-se essencialmente à melhoria das metodologias de treino especificas para a função, ao desenvolvimento das qualidades técnicas na relação dos pés com a bola, tornando possível a sua participação activa no jogo ofensivo da equipa.
Um exemplo concreto é a Espanha, campeã do mundo, tem como GR titular o Unai Simon, pelo seu excelente “jogo de pés”, mas que, na minha opinião, não entra no Top 10 dos melhores do mundo e até tem uma cotação inferior aos seus suplentes na La Roja.
O preço alto dos GRs no Primeiro Mercado de Transferências de Jogadores, reflete essa crescente valorização.
O valor dos GRs passou a ser considerado como as demais funções no campo.
Para nossa alegria e orgulho, temos o Diogo Costa que é excelente exemplo do que é um Guarda Redes de Elite na dinâmica do futebol jogado pelas grandes equipas e seleções em 2026.
Volto a terminar, repetindo que o Desporto deveria ser formalmente considerado como uma das necessidades fundamentais do Homem a par do Amor, Alimentação, Cultura, Descanso e Trabalho.

Carlos Janela
O relvado é um tribunal onde a realidade não mente nem se consegue manipular.
Há histórias no futebol que deveriam terminar como terminam as grandes histórias dos herois da humanidade, no momento certo, com dignidade, com reconhecimento e com aplausos.
O problema é que, algumas vezes, o actor principal recusa cumprir o último capítulo.
Houve um tempo em que um jogador foi, sem qualquer dúvida, um dos melhores do mundo.
Foi extraordinário. Ganhou, marcou, decidiu, encantou o mundo inteiro.
Durante muitos anos, o planeta do futebol rendeu-se ao seu talento e mesmo nos momentos em que fez algumas diatribes, sempre lhe perdoaram como se perdoa os deuses do Olimpo.
Mas existe uma coisa que nem o talento, nem os títulos, nem a fama, conseguem derrotar – o tempo.
Há cerca de seis anos, talvez tivesse chegado o momento desse heroi dos estádios, perceber que a sua história heroica estava a terminar.
Não porque tivesse deixado de ser um fantástico jogador, mas precisamente porque os grandes jogadores também precisam de saber reconhecer quando a sua grandeza entra na estrada da memória.
Enão soube ou nao se apercebeu.
E desde então assistimos a uma espécie de farsa involuntária.
O jogador continua em campo, mas já não é aquele jogador.
O corpo já não responde como antes, a velocidade desapareceu, os movimentos perderam qualidade e aquilo que antes parecia fácil passou a ser esforçado.
Passou a ser apenas um bom jogador.
De imediato, surgiram logo as desculpas e as falsas explicações
É o treinador que não sabe tirar partido das suas qualidades.
São os colegas que nao lhe passam bem a bola.
É a equipa que não ajuda.
É o sistema que nao o favorece.
É a arbitragem que lhe anula golos por centímetros.
É uma parte da imprensa que nao gosta dele.
Sao os adeptos que sao ingratos e invejosos.
Tudo para aos poucos se criar uma realidade paralela – o problema nunca era daquele jogador.
O problema era e é sempre… os outros!
E chegados aqui, lembramos a velha e conhecida fábula de “O Rei Vai Nu”
O Rei desfila perante o povo convencido de que veste uma roupa magnífica.
Os amigos e seus dependentes, por medo, interesse pessoal e conveniência, fingem nao ver a nudez, recusam ver a verdade e aplaudem com entusiasmo o rei.
Até que uma criança, pura de sentimentos, sem interesses pessoais e sem medo, olha para o rei e grita com sinceridade
“O rei vai nu!”
Só que, neste caso, nao foi uma criança a fazê-lo, foi um Treinador.
Um Treinador competente, corajoso e suficientemente independente para não se deixar intimidar pelo nome, pelo passado, pelo estatuto de quem tinha diante de si.
Um Treinador que teve a coragem de fazer aquilo que outros nao tiveram – olhar para o relvado e dizer a verdade.
E isso é o que mais incomoda os defensores do jogador.
No futebol existe uma diferença fundamental em relação a muitas outras áreas da vida, joga-se à vista de todos.
O relvado é um critério de verdade.
Não é uma opinião de um jornalista.
Não é uma discussão de redes sociais.
Não é uma narrativa criada pelo próprio jogador.
Não é uma conferência de imprensa.
Não é uma campanha de comunicação.
É um jogo aberto aos olhares de pessoas.
É correr. É acelerar. É recuperar.É pressionar. É disputar.É decidir.
É marcar.É defender. E,
É conseguir fazer hoje melhor do que aquilo que se fazia ontem.
Tudo acontece diante de milhares de pessoas no estádio e de milhões de olhos em todo o mundo pelas televisoes.
No relvado, ninguém consegue esconder aquilo que já não consegue fazer.
O futebol real não é como no cinema, onde entram os ” duplos” para fazer as cenas mais difíceis.
A volta do jogo pode discutir-se quase tudo – sistemas, tácticas, estratégias dos treinadores, arbitragens, escolhas dos 11s, arbitragens, VARs, desempenhos dos jogadores, conferências de imprensa, etc.
Mas há uma coisa impossivel de discutir com seriedade e competência – aquilo que todos acabaram de ver com os seus próprios olhos.
E, foi exatamente por isso que esse Treinador sério e competente foi a “criança” desta história.
Não precisou de insultar.
Não precisou de humilhar.
Não precisou de desvalorizar o passado.
Não precisou sequer de convencer ninguém.
Limitou-se a olhar para a realidade do presente e defender/proteger uma equipa, um colectivo.
O problema é que o rei não gostou.E,
Em vez de olhar para o espelho, começou a procurar culpados e pretextos para tentar justificar graves infracções disciplinares.
É o velho mecanismo de quem já não consegue aceitar a realidade – quando não se consegue mudar aquilo que acontece dentro do campo, tenta-se atacar quem teve a coragem de decidir na defesa dos sagrados interesses do colectivo.
Mas há uma ironia extraordinária nesta história.
Quanto mais se tenta calar quem defende a verdade, mais atenção se chama para a própria verdade.
Porque um treinador pode ser criticado, contestado e até pode errar.
Mas existe uma coisa que nenhum discurso consegue apagar – a verdade do relvado vai continuar lá.
E tudo e todos vão continuar a olhar para o…relvado!
Aquele super jogador foi grande porque era o campo que confirmava a sua grandeza.
Agora, é precisamente o campo que expõe a distância entre o jogador que foi e o jogador que ainda julga ser.
É maior crueldade do futebol – o passado pode ser glorioso, mas pode não jogar o próximo jogo.
Os títulos não correm.
A reputação não dá velocidade nem potencia fisica.
A fama não recupera bolas.
A nostalgia não marca golos.E
O nome, por maior que seja, não consegue fazer aquilo que as pernas já não conseguem.
Ninguém lhe quer belicar o passado.
Ninguém pode apagar os seus golos, os seus títulos, os seus momentos extraordinários.
Mas também ninguém pode obrigar o presente a comportar-se como o passado.
O relvado e a bola não têm memória nem respeitam estatutos e/ou reputaçoes.
Chegou o momento do jogador compreender que aquele Treinador não foi um inimigo.
Foi simplesmente a “criança”que teve coragem de dizer aquilo que outros deviam ter visto.
Creio mesmo que este Treinador foi quem mais respeitou a verdadeiro estatuto daquele super jogador.
Há uma diferença enorme entre respeitar um grande jogador e alimentar a ilusão de que ele será eternamente o jogador que já foi.
A verdadeira homenagem a uma grande carreira não é prolongar indefinidamente a sua agonia.
É saber terminá-la com dignidade.
É sair enquanto ainda existe aplauso.
É deixar o relvado antes que o relvado passe a contar uma história diferente daquela que a memória gostaria de conservar.
No futebol há uma verdade simples, brutal e universal – podemos discutir opiniões mas não podemos discutir eternamente aquilo que milhões de olhos acabaram de ver.
E, repito, neste caso, milhões de olhos vão continuar a olhar para o relvado.
E o relvado vai continuar a dizer a mesma coisa – O rei vai nu.
O Treinador apenas se recusou participar na farsa involuntária que alguns alimentaram por conveniência pessoal, por inconsciência e/ou ignorância sobre o poder do campo.
Termino com uma pergunta assente na ética, na moral e nos bons costumes – um capitão de uma Seleção Nacional que comete uma infração disciplinar gravissima, pelo próprio já assumida, poderá algum dia voltar a usar a braçadeira de capitão da Seleção Nacional?

Carlos Janela
O Futebol é o desporto mais famoso do nosso Planeta.
Como é que o desporto mais popular do globo é, simultaneamente, o mais difícil de praticar?
Toda gente fala, discute, debate, analisa e opina sobre futebol e a esmagadora maioria das pessoas, não tem a noção, nem sequer a percepção, que o Futebol é a modalidade desportiva mais difícil de praticar.
Não me refiro apenas aos adeptos.
A grande maioria dos jogadores, treinadores, dirigentes e comentadores, não tem consciência dos “pormaiores invisíveis” que tornam o Futebol um jogo com dificuldades únicas.
Para tentar explicar a complexidade do futebol vou usar o “método comparativo” – ou seja, comparar o futebol com outras modalidades colectivas que usam uma bola.
Enumero cinco razões principais que tornam o Futebol é o desporto mais difícil de jogar.
Razão 1 – É jogado com a parte do corpo (os Pés) mais distante do Cérebro. À exceção dos guarda-redes, que na sua área, podem usar as mãos e restantes partes do corpo, os futebolistas que actuam nas outras funções, apenas podem utilizar os pés (e a cabeça). Sabendo que tudo está no Cérebro e que é este que dá “ordens” a todas as partes do corpo, e destas, recebe todas as “informações”, através da bainha de mielina, pense-se na grande distância entre o cérebro e os pés, e, nos milhões de neurónios e estímulos que envolve cada gesto e cada movimento de um jogador de futebol.
Com a velocidade e a intensidade do Futebol actual, todas as conexões nervosas são processadas em nanosegundos. É um processo fascinante.
Por comparação, os andebolistas, os basquetebolistas, os voleibolistas, etc. jogam com uma parte do corpo próxima do cérebro, as mãos. As informações e estímulos nervosos têm de percorrer metade do caminho e são envolvidos menos milhares de neurónios e ramificações.
Razão 2 – É jogado por uma parte redonda do corpo, os pés (e a cabeça), com um objecto redondo, a bola. Imaginem o grau de dificuldade para dominar, passar e chutar com uma direcção intencional e definida, um objecto redondo, a bola, por uma extremidade redonda, os pés. Por todas as leis da Física e da Bio Mecanica, é muito, mas muito, difícil.
Acresce que no acto de dominar, passar e chutar a bola, é usado apenas um dos pés.
Por comparação, o Andebol, o Basket, o Voleibol, Rugby, etc. jogam a bola com as mãos que são uma parte do corpo que agarra, segura e controla todo o tipo de objectos. As mãos, por todas as leis da anatomia e da biomecânica, manuseiam e direcionam uma bola com mais segurança e facilidade que os pés.
Imaginem o que seria se no Basket, Andebol, etc. tivessem de dominar, passar e jogar a bola, com as costas das mãos, a parte mais redonda das mãos.
E não esquecer, nestas modalidades, ainda se pode usar simultaneamente as duas mãos para dominar e controlar a bola. Algo impossível no futebol.
Razão 3 – Sempre que se domina, conduz, passa e chuta uma bola, todo o equilíbrio do corpo fica assente e dependente de uma só perna, a outra perna.
Sempre que se toca e/ou transporta a bola no pé direito ou esquerdo, o equilíbrio da unidade corporal do jogador é feito apenas pela outra perna. Os apoios no solo e os centro de gravidade que suportam todos os movimentos e acções de um futebolista, e que transformam em milionésimos de segundo os desequilíbrios em equilíbrios, são feitos por apenas a outra perna que não tem a bola. E se não é fácil controlar uma bola com um pé, imagine-se que no acto de dominar uma bola, simultaneamente ter que manter o equilibro do movimento apenas numa só perna. Lembremos as dificuldades de brincar ao pé-coxinho?!
Isto não acontece em mais nenhuma modalidade desportiva, pois conduzindo a bola com as mãos (ou stick), os jogadores têm permanentemente as duas pernas no solo, permitindo estar sempre mais equilibrados nos seus múltiplos movimentos.
Razão 4 – A Visão Periférica de um futebolista obriga a uma complexa “coordenação óculo-pedal”, para simultaneamente controlar a bola e realizar acções com os pés, percepcionar o espaço e o contexto circundante.
Acresce que a bola, um objecto redondo, em contacto com uma parte redonda, os pés, sofre efeitos inesperados e irregulares, obrigando a vista a reagir em microsegundos.
Coordenar – a bola no pé, o adversário, os colegas de equipa, o espaço de jogo e as balizas – é um “processo óculo-pedal” muito complexo.
Por comparação, as outras modalidades jogadas com a mão, usam a “coordenação óculo-manual”, bem mais simples, pois a bola está mais próxima dos olhos, permitindo libertar o cérebro para outras acções/soluções no jogo.
Razão 5 – Ao jogar a bola com os pés, os futebolistas têm mais dificuldades em proteger a bola dos adversários. Pela dificuldade do domínio da bola, pois os pés não agarram a bola, não guardam e não escondem a bola como as mãos podem fazer, e, pelo permanente desequilíbrio/equilíbrio dos movimentos, um futebolista tem a bola sempre ao alcance dos adversários. É uma arte única saber proteger a bola dos adversários.
Por comparação, em mais nenhuma outra modalidade a bola fica tão liberta e ao alcance dos adversários. Podem até guardar a bola atrás das costas.
Termino dizendo que considero o Desporto, em geral, e o Futebol, em particular, uma das necessidades fundamentais do Homem a par do Amor, Alimentação, Cultura, Descanso e Trabalho.