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Rui Gomes da Silva

O DESESPERO DE QUEM VALE 11,3 %

Rui Gomes da Silva

Aníbal Cavaco Silva não valerá – hoje, em termos eleitorais – mais que os 11,3 % do que o ‘seu’ candidato obteve na primeira volta das últimas eleições presidenciais!

Seu e de Montenegro, que, com essa escolha, deram mais um empurrão para uma futura irrelevância do PSD.

Mas esse erro – como todos os que envolveram as suas apostas anteriores, sempre que se empenhou no apoio a lideranças do PSD, como com Manuela Ferreira Leite (em 2008 e 2009) ou com Rui Rio (especialmente em 2016) e, agora, numa confirmação de que ‘não há duas sem três’, com Luís Montenegro – não o impede de vir dar lições de qual o caminho a seguir!

E a essa lição, de qual o caminho a seguir, junta a crítica feroz ao Chega, com todo o ‘ódio’ que acumulou a André Ventura.

Desconsideração – como sempre – a quem não se verga ao que quer, quem não o considera intocável, nem vê nele uma referência para todo o sempre.

E fá-lo com a desculpa da defesa do interesse nacional… logo ele que nunca se preocupou com nada… a não ser consigo mesmo.

Foi assim contra Francisco Pinto Balsemão (de 1981 a 1982), na indiferença em relação a Mota Pinto (de 1983 a 1985), contra quem dele discordou, na sua liderança (entre 1985 e 1995), no abandono a Diogo Freitas do Amaral (em 1986), contra quem ele achou que o poderia impedir de chegar a Presidente da República, como com Pedro Santana Lopes (em 2004 e 2005), contra que ele nunca suportou no PSD, como Luís Filipe Menezes (em 2007 e 2008) ou contra Pedro Passos Coelho, que nunca suportou, desde que foi líder da JSD, mas especialmente como líder do PSD e primeiro-ministro (entre 2011 e 2015).

Vem agora Cavaco Silva, em artigo publicado na semana passada, do alto do seu pedestal, dar conselhos sobre credibilidade política e sobre a necessidade de reformas para travar o Chega. O Chega, de André Ventura, que não lhe deve nada e que não lhe rende a homenagem de que sempre se julgou credor.

E não o faz porque não precisou nem vai precisar dele para nada. Antes pelo contrário. André Ventura e o Chega vão ganhar eleições sem o apoio de Cavaco e (repetindo o velho lugar –comum), se necessário, contra Cavaco!

O que verdadeiramente preocupa Cavaco é o cada vez maior apoio popular e eleitoral do Chega e de André Ventura! Porque, se fosse verdade que o Chega demonstrava uma impreparação técnica evidente ao falar dos problemas do País, Cavaco não se preocuparia com o Chega.

O que os portugueses passaram a perguntar – e, com isso, a desconsiderar as opiniões do ex-PM e ex-PR – é porque é que Cavaco Silva não teve essa mesma coragem para afrontar José Sócrates, que fez dele ‘gato sapato’, e com quem conviveu de 2006 até 2011, ou para discordar de António Costa, quando este lhe apresentou a ‘geringonça’, em 2015, e até ter saído de Belém, em 2016?

Nas entrelinhas do seu artigo, percebe-se o desconforto de Cavaco Silva com a atual situação do PSD e o medo que demonstra em ter apoiado quem apoiou e vir a ficar ‘mal na fotografia’, também ele culpado pelo mal que vão acabar por fazer ao PSD, e, bem mais importante do que isso, a todo o bloco de direita em Portugal.

Porque, apesar de termos deixado o Luís trabalhar, concluímos todos que, afinal, ele não quer nada com o trabalho (não o próprio, que nisso sempre foi exímio, mas o de executar as reformas que deveria para bem de Portugal)!

E se Passos Coelho deu expressão pública e notória a essa incapacidade, Cavaco veio enfatizá-la, pese embora essa sua indisposição permanente com quem não lhe presta vassalagem! O atual chefe do governo não tem capacidade para fazer o que devia e Aníbal Cavaco Silva, como seu mentor, desespera! Essa deve ser a leitura que teremos que fazer do artigo em questão

E como se não bastasse esse seu desespero com o Chega, eis que Jorge Miranda vem dar pública interpretação ao que circula por esse grupo… Ao afirmar que “o Chega não tem direito a estar no Tribunal Constitucional”, Jorge Miranda verbalizou o que pensa essa casta de ‘donos do regime’, esses ‘ayatollahs’ da Constituição”, esses guardiões da legitimidade republicana!!!

Ou seja, os mesmo que, após o 25 de Novembro de 1975, se apressaram a levantar a voz contra a ilegalização do Partido Comunista, em homenagem ao princípio máximo da liberdade e do respeito pelas ideias de todos, são os que agora defendem a exclusão do Chega da vida democrática (quando não, mesmo, a sua erradicação)!

O Chega existe sem ter de lhes pedir autorização… a eles e aos que – na comunicação social – se disfarçam de analistas para inclinar a realidade contra André Ventura. Cavaco não é o dono do regime, por muito que isso lhe custe, e a censura e a possibilidade de poucos determinarem o que todos podem dizer acabou a 24 de Abril de 1974.

E até o quem pode invocar e fazer de Francisco Sá Carneiro o seu modelo e a sua inspiração, não é ‘propriedade intelectual’ de ninguém!

Cá estaremos todos para ver essa realidade a acontecer – com o Chega a ganhar eleições e a ser governo em Portugal, por muito que isso custe aos “marajás” do regime!!!

 

 

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Publicado em 01 abril de 2026
Rui Gomes da Silva

ELEIÇÕES… CONTAGEM DECRESCENTE?

Rui Gomes da Silva

Reconheço que não teremos todos os dados reunidos… Mas – da experiência retirada de momentos vividos, da perceção e do conhecimento de cada um dos ‘atores políticos’ em presença nestes duelos, após as eleições presidenciais – tudo nos começa a levar no caminho de eleições legislativas antecipadas!

Sim, é verdade que a declaração proferida, na tomada de posse, pelo novo Presidente da República, de que o objetivo seria o de só haver eleições gerais em Outubro de 2029 (logo repetida, sublinhada e aplaudida pelos diferentes partidos políticos), poderia fazer supor o contrário. Mas não, não, não será desta – do que vamos vendo – que Portugal vai voltar a um novo ciclo de estabilidade política.

Ora, apesar dessa declaração do Presidente da República, alertando, até, para o facto de uma não aprovação do Orçamento não obrigar a eleições antecipadas, a verdade é que isso não levou a uma grande certeza sobre o cumprimento da legislatura. Antes pelo contrário!

Essa ‘liberdade’ acrescida, anunciada por António José Seguro, no Parlamento, para que, sem ‘calculismos’ eleitorais, os partidos pudessem deixar de se preocupar com uma nova ida às urnas, ao ‘virar da esquina’, fez com que os seus líderes, sem essa limitação, ficassem como sem saber o que fazer!

O PS, sem ter de dar a ideia de responsabilidade, perde-se com propostas irrelevantes ou em chantagens parlamentares, invocando princípios que, apenas há poucos anos, não respeitou.

A AD, porque tinha – também ela – a sua chantagem, com a necessidade de aprovar o Orçamento, num folhetim com um guião que lhe dava para nisso centrar e disso alimentar a discussão até novembro (como aconteceu em 24 e em 25), sem qualquer necessidade de lançar outros temas para a agenda política.

Este ano, sem essa ‘amarração política’ que dramatizasse o voto do PS e do Chega em relação ao Orçamento, a AD perdeu-se…

Como perdida anda, desde então… e perdida vai continuar, porque, sem essa obrigatoriedade de, pelo menos um dos outros dois partidos ‘ter’ de votar o OE para não haver eleições, deixou de liderar a agenda política.

E se o Governo tinha dificuldades em fazê-lo (veja-se, a título de exemplo, o primeiro debate parlamentar, depois de um longo hiato, por causa das eleições presidenciais, onde o PM chegou sem uma única medida para anunciar… quando devia retomar, nesse momento, a iniciativa política que havia perdido por sucessivos erros políticos, nessa mesma corrida eleitoral), agora, sem essa ameaça, ficou exposta a vulnerabilidade reformista do Executivo.

O Governo, sem essa ‘arma’ da ‘obrigatoriedade’ de aprovação do Orçamento, ficou sem a ‘bengala’ a que se agarrava, sempre que necessitava de dramatizar a vida política, face a uma qualquer dificuldade.

E, sem isso, perdeu o ‘norte político’, sem argumentos para continuar a invocar o “deixem o Luís trabalhar”!

Ficou claro, agora, que o Luís só não trabalha porque não sabe o que fazer!

Como também ficou bem visível a falta de um projeto político do PSD… que não seja o de continuar no Governo, no dia seguinte, porque sim!!!

E sem essa ideia da necessidade (da AD) de combater um inimigo externo e (do PS) de armar em ‘Conselheiro Acácio e coçar a cabeça’, a fazer de conta que está preocupado com a gravidade da situação, todos os dias, resta o Chega… com uma agenda e um projeto para ir ao encontro do que querem cada vez mais portugueses.

Se, àquela falta de projeto e a essa não obrigatoriedade de aprovação do Orçamento, juntarmos os ‘casos’ que se anunciam por aí… uns em reedição, em versões corrigidas e aumentadas… outros em estreias absolutas (sabem do ou dos que falo), então, teremos um novo ‘pântano’ e, com isso… novas eleições.

Porque a estabilidade não deve, não pode, nunca ser um fim em si mesmo, mas, antes um meio para governar bem.

Quando, quem governa, está mais preocupado com os seus casos e não tem ideias… será inevitável que António José Seguro, daqui a uns meses, após o chumbo do Orçamento… venha dizer… “eu bem não queria, mas não me deram outra saída”!!!

Rui Gomes da Silva

A “MORAL REPUBLICANA” VOLTA A ATACAR

Rui Gomes da Silva

Se – numa frase sempre repetida e usada, entre outros, por Agustina Bessa Luís – “longos dias têm cem anos”, parece que os primeiros tempos do novo Presidente da República em Belém, apesar da tentativa do mesmo para serenar os ânimos, não vão muito de feição para os que, no seu partido de origem, sempre invocaram a “moral republicana” para tentar estabelecer uma diferença que (sempre o soubemos) nunca existiu para qualquer outra força política.

Antes pelo contrário!

Já não bastavam os exemplos de um ex-primeiro-ministro do PS, que tenta – tudo e por tudo – para não ser julgado… “vá lá saber-se porquê”…

Não bastam , agora, os “casos e casinhos” por esse País fora – com que, por exemplo, ainda ontem, fomos surpreendidos – a atrapalhar o discurso de “mãos limpas” que Belém poderia querer renovar…

Não bastaria o novo “caso” da pensão de reforma – digna de um verdadeiro “marajá” – do ex Governador do Banco de Portugal, ex Ministro do PS, e possível candidato a Belém e, com esta pensão, um nunca mais candidato a nada.

Vem agora Ferro Rodrigues, ex-MES (deviam, os mais novos, ir saber o que foi, para não se equivocarem sobre o que os seus membros nunca terão deixado de pensar), ex-ministro do PS, ex-líder do PS, ex-presidente da Assembleia da República… afirmar – com a “elevação” que, sempre lhe reconhecemos – e cito… “Não pode haver gente do Chega no Tribunal Constitucional…”!!!

Ou seja, os democratas sem limites tem os limites que acharem bem para não serem afastados dos cargos, mesmo que isso não coincida com a vontade popular!

Os tolerantes de ontem são, hoje, os reis da intolerância, face a quem fica à frente deles, em termos eleitorais!

E – com isso – a recusa, frontal ou velada, de aceitarem reduzir-se à sua dimensão atual.

Ora, só com base nessa “moral republicana” (tão grata a Manuel Alegre)… “moral republicana” na sua nova versão “olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço”!

Comportamentos de “democratas” nas palavras, mas sem respeito pelo voto, quando o povo caminha no sentido do que não gostam ou ao que se opõem.

Só essa falta de sentido democrático poderá explicar a declaração de Ferro Rodrigues!

Só essa falta de sentido democrático poderá explicar a (anunciada) recusa de José Luís Carneiro em ir atrás de André Ventura numa qualquer lista da AR para os órgãos externos… apesar de os votos das últimas eleições assim o terem ditado.

Só essa “moral republicana” poderá impedir o Presidente da República de dizer (hoje e amanhã), aos líderes de todos partidos políticos com assento no Parlamento, quando os receber, pela primeira vez, em Belém, a coisa mais evidente: que tenham juízo e que a regra a aplicar, nas tais eleições, deverá ser a do método de hondt, de cada representação partidária, na organização das diferentes listas.

A não ser que o método de hondt já não seja o que era… para essa “moral republicana”… quando os seus autores não são os primeiros!

Ou será que a tal “moral republicana” terá voltado a atacar???

Rui Gomes da Silva

SEGURO PARTIU O 'BRINQUEDO' DOS 'MENINOS'

Rui Gomes da Silva

Bem-vindos à era Seguro!!!

A qual, ao contrário do que poderíamos pensar (muito especialmente os que, nos partidos do Governo, lídimos representantes da “direita fofinha”, foram a correr apoiá-lo), não vai ser fácil para Montenegro e os que o acompanham na tarefe da governação.

E se, em política, “o que parece é” (convém nunca o esquecer)… então, António José Seguro já deu um primeiro sinal ao que vem!

Nem uma palavra de elogio para o Governo, mas muitos avisos, muitos recados, todos eles “deixados” em locais escolhidos para o efeito.

O último dos quais no Porto, em “casa” de Pedro Duarte, até há pouco ministro do núcleo duro do atual Governo, a introduzir na agenda política uma nova dor de cabeça para o PM, ali mesmo com o beneplácito do novo PR.

Deixemos tudo isso para os próximos tempos… e concentremo-nos num dos pontos do discurso inaugural: o anúncio de que o “chumbo” do Orçamento de Estado não levará a novas eleições.

E com esta declaração tão simples… António José Seguro deu cabo do recurso de que Luís Montenegro se vem servindo, desde que, pela primeira vez, tomou posse como PM.

Com essa afirmação, o Presidente deu cabo do “folhetim” (tipo ‘Sítio do Picapau Amarelo’) com que este Governo da AD tem vindo a alimentar os tempos de comentário e análise política: a aprovação do OE.

De facto, desde que iniciou funções, todos os anos, de março a novembro, os seus membros desdobram-se em declarações sobre a “obrigatoriedade” dos partidos da oposição – Chega e PS – terem de viabilizar o Orçamento, para o País não ir outra vez para eleições (mesmo que o PM não se tenha importado de nos ter obrigado a “ir às urnas”, sem outra razão que não tivesse sido a sua sobrevivência politica!).

Ora, com esta afirmação – o chumbo do Orçamento não pressuporá eleições –, Seguro acabou com a dramatização anunciada.

Ou seja, o PR “tirou o brinquedo aos meninos”!!!

E, com isto, deixou-os (a Montenegro e aos parceiros do “núcleo duro” do “seu” Executivo) sem desculpas, sem estratégias de fuga, sem a possibilidade de retirar a atenção sobre os erros, as incapacidades, os adiamentos e as hesitações do Governo.

Ou seja, acabou a “telenovela” que – este ano – estava já na sua “pré-temporada”!

Deixando tudo a descoberto… incluindo, obviamente e por falar em “folhetins”, os novos episódios dos casos ‘Spinumviva’, ‘Pagamento da Casa’ ou ‘Mais-valias das Ações do BCP’!!!

Tudo isto sem uma palavra de simpatia – sequer – de António José Seguro para quem tanto contribuiu para os seus quase 67%!

Uma injustiça… ou talvez não, mas antes e apenas a confirmação do princípio… “Roma traditoribus non premiae”.

Ou, numa tradução que seja perceptível em S. Bento, “Roma não paga a traidores”!!!

Rui Gomes da Silva

O FIM DO PSD (DE NOVO) ANUNCIADO

Rui Gomes da Silva

Poderia, hoje, falar sobre a crise do Médio Oriente ou – até – sobre o ódio aos EUA (agora disfarçado de ‘militantismo’ anti-Trump) de tanto ‘comentador’ que nos entra em casa, pela televisão, na sua esmagadora maioria sem saber do que está a falar!

Como poderia, ainda, abordar a – para mim – cada vez mais evidente reserva exclusiva de um ex-governante nas escolhas para o MAI, desde que Luís Montenegro assumiu as funções de PM.

Mas… prefiro, antes, regressar ao que, desde há alguns anos, tenho vindo a sustentar: o PSD caminha, de forma rápida e em plano inclinado, para a sua irrelevância política.

E, com esse desaparecimento como grande partido, Luís Montenegro será o último PM da história do PSD.

Uma crise que – depois de Pedro Passos Coelho ter abandonado o Governo nesse golpe palaciano que deu pelo nome de ‘Geringonça’ – teve Rui Rio como protagonista principal.

E, quando todos achavam que o ‘calvário’ poderia ter um fim, eis que o PSD de Luís Montenegro ganhou umas eleições à tangente (mesmo depois de o PS ter saído do Governo com acusações gravíssimas… incluindo as relativas ao dinheiro escondido em caixas de garrafas… na residência oficial do PM).

Durante alguns anos, fui alertando para esses erros, até ter decidido sair do PSD, depois de 48 anos de militância.

E, como se já não bastasse a erosão do poder, ampliada pela falta de projeto político da atual maioria (embora minoritária) parlamentar, eis que surgem os sinais evidentes de que já nem o Partido aguenta esse poder, que tentou ser absoluto, do eixo Espinho/Braga, centrado cada vez mais e só a Norte de Portugal.

O PSD profundo está a bater com a porta na cara da dupla Luís Montenegro/Hugo Soares, como o provaram as derrotas dos dois no mesmo dia (ironia do destino), nas eleições internas para a Distrital de Braga e da Concelhia de Espinho… e que poderá continuar nas próximas eleições para a Distrital de Lisboa.

Só não percebeu quem não quis… se calhar, os próprios e os seus acólitos mais próximos recusaram-se a ler o seu significado… mas tudo leva este PSD fraco e sem ideias a caminho do Bloco Central, que, porventura, a tal dupla referida não terá outra hipótese que não seja aceitar.

Um Bloco Central que alguns querem reeditar, com as exteriorizações bem evidentes nos apoios a António José Seguro, na 2ª volta das presidenciais (incluindo pessoas do círculo íntimo do poder partidário de Montenegro), passando pela escolha de Luís Neves para MAI ou de um ex-secretário de Estado de António Costa para um relevante cargo de nomeação política do Governo.

Eis um PSD em fim de ciclo!

Sem capacidade interna para ganhar eleições com grande significado político, sem capacidade para resistir ao Bloco Central, já como figurante, na sua preocupação de tentar combater o CHEGA, inconsequente e não conseguida, face ao cada vez maior apoio político ao seu líder.

E se o futuro será por aí (um Bloco Central de interesses, desesperados antes de os portugueses darem uma maioria absoluta a André Ventura), ficará a memória dos que, com a Nova Esperança, no PSD, lutaram, entre 1983 e 1985, contra o Bloco Central (Pedro Santana Lopes, Marcelo Rebelo de Sousa, Conceição Monteiro, José Manuel Durão Barroso, José Miguel Júdice… e, entre tantos outros, muito modestamente, eu próprio) ou de Aníbal Cavaco Silva que, sem querer saber dos invocados “interesses nacionais”, chegou à liderança do PSD e, mesmo com a entrada muito próxima de Portugal na então CEE, não hesitou no derrube desse mesmo Bloco Central.

Quando se governa por sondagens e não por princípios, quando se abdica das convicções por imposições de interesses de terceiros, quando não se tem poder para fazer escolhas, mas antes se tem de seguir o caminho que nos indicam, quando se decide por medo do MP ou da PJ (o que não significa não respeitar o que representam)… então o caminho, se não fica mais curto, pode – apenas – prolongar-se como aparência, sem qualquer rumo, sem concretizar o que quer que seja, sem fazer as reformas que Portugal precisa.

É esse, também, o fundamento das últimas posições de Pedro Passos Coelho.

Que – por causa da força que têm pela verdade que encerram – tanta irritação e tanto desconforto têm causado no núcleo duro do Governo, muito especialmente no eixo Espinho/Braga.

O que antecipa o fim anunciado.

Um fim que os próximos dias, as próximas semanas, mais provarão ser inevitável, pelas cedências ao PS… em tudo!

O fim do PSD, depois de um último estertor num Bloco Central contra André Ventura… num ‘apeadeiro’ onde descerão muitos dos, até agora, votantes da AD, que permitirão ao CHEGA e ao seu líder um caminho sereno e convicto para uma maioria absoluta, por mais cenários que os novos estrategas de Belém imaginem.

Para que – depois – não digam que foram surpreendidos!!!

Rui Gomes da Silva

O APELO… DO TERREIRO DO PAÇO

Rui Gomes da Silva

Temos um novo Ministro da Administração Interna!!!

Um novo MAI que não telefonou a anunciar “Pai… sou Ministro” (como um seu antecessor), mas – antes – sentiu um “apelo”… do Terreiro do Paço (presumimos nós)!

Um novo MAI que a prudência e a legítima expectativa de todos os portugueses, traduzidas no “talvez seja desta…”, me aconselharam a dar, num primeiro momento, o “benefício da dúvida”… o que não significou um cheque em branco nem, muito menos, pode ser confundido com uma caminhada “gloriosa” sem qualquer escrutínio!

Um benefício da dúvida – reconheço – com medo de que esta seja mais uma escolha pelo passado e não pelo que o presente possa trazer.

Uma escolha do atual primeiro-ministro, do PSD, do, até agora, Diretor Nacional da Polícia Judiciária, que tinha sido escolhido para esse cargo pelo anterior primeiro-ministro, do PS (de quem, aliás, a “voz populi” dizia ser amigo e visita de casa).

Uma escolha a recair sobre a mesma pessoa que – há uns meses – tinha ficado meses à espera de ser reconduzido no cargo de Diretor Nacional da Polícia Judiciária (vá lá saber-se porquê), exatamente por quem, agora, o “escolheu” para MAI.

Não acreditamos na tese conspirativa que as razões pelas quais não o conseguiu substituir então, serão as mesmas razões pelas quais foi obrigado a escolhê-lo, agora!

Mas o mais estranho de tudo isto talvez seja o elogio rasgado dos que, no PSD, sempre o viram como a encarnação do mal, e que, desta vez, foram os primeiros a bater palmas à escolha, ao lado dos seus velhos amigos do PS, esses, sim, coerentes nas razões e – quem sabe – esperançados que este novo ministro (agora já lá dentro) lhes possa “abrir a porta”, na primeira oportunidade.

Face a essa escolha, há os que aproveitam para constatar o “taticismo” permanente em que vive este Governo… e – confesso – não vejo como os desmentir!

Como os que estranham que não houve – da parte do convidado – mais do que umas simples palavras para o convite e para quem o fez, em vez de fazer realçar a honra que isso poderia ter representado, pelo projeto que estaria disposto a concretizar…

Tudo isto para além de passarmos a saber que, afinal, o Diretor Nacional da Polícia Judiciária não sabe nada de nada sobre investigações a correr na “Casa”… o que, ainda assim não dará para desvalorizar a escolha sobre quem será o sucessor de Luís Neves na PJ.

E – sejamos objetivos – ou o escolhido será um dos homens de confiança do agora MAI, e essa opção resultará numa derrota muito evidente de Luís Montenegro… ou a opção será por alguém que não tem nada a ver com Luís Neves e essa será a primeira derrota deste… como ministro.

Vitória ou derrota de quem – vindo de fora, sem qualquer ligação anterior com as máquinas partidárias, o que poderia explicar a opção – aceitou ir para um cargo com a importância de ministro da Administração Interna, sem levar consigo, para Secretário de Estado, alguém da sua confiança.

Nem um, sequer, em três possíveis!

E isto significará ou desvalorização desses “ajudantes” (na designação de Cavaco Silva) ou desconhecimento sobre “ao que vai”!

Ou será que o “apelo” também trazia instruções para não descer ao nível dos “meninos” – sempre com honrosas exceções – que acompanham Luís Montenegro no Conselho de Ministros?

Se for o “caso”… será “caso” para afirmar que, depois de já conhecermos o “apelo da selva” (versão Jack London), passaremos a ter, agora, a versão “apelo do Terreiro do Paço” (versão Luís Neves)!!!

A seguir as cenas dos próximos capítulos.

Rui Gomes da Silva

UM ANO SEM ELEIÇÕES?

Rui Gomes da Silva

O Portugal “politicamente correto” anda feliz!

E, tendo respirado de alívio com os resultados das presidenciais – voltemos a um pormenor da noite eleitoral da semana passada – coincidiu no anúncio de um período de três anos e meio sem eleições.

Tão coincidentes os discursos do Presidente eleito, do líder do Governo e do líder da oposição que – acreditando não terem sido combinados – não podem ter outra explicação senão o medo que elas… eleições… causam a esses protagonistas da política portuguesa.

Ao Presidente da República eleito,… o medo que uma possível ida às urnas, por sua decisão última, possa colidir com as promessas que fez na campanha eleitoral (e que sabe que, com toda a probabilidade, não irá cumprir)!

Como se – e repito-me tantas vezes quantas as que forem precisas – a estabilidade fosse um fim em si mesmo!

Mas, também, medo que essa sua decisão seja o detonador de uma futura vitória de André Ventura e que isso o obrigue a ter de empossar um governo liderado pelo Chega!

Por medo, também, o do líder da actual maioria minoritária na AR,… medo que uma ida às urnas traga uma cada vez mais previsível vitória do Chega!

E ao que isso obrigaria, em termos de ginástica política, com o recurso último do Bloco Central, de braço dado com o PS, no que será (sim, vai ser, estou cada vez mais convicto disso) o fim do PSD.

Medo, por último, do Secretário Geral do PS, por poder vir a não ser o Partido mais votado, ou –sequer – ter mais votos do que o PSD e, com isso, ver-se apeado do cargo que vai exercendo por falta de comparência dos barões do PS (alguns dos quais terão, a partir de Março, “base operacional” em Belém).

Ou seja… o medo de eleições juntou os “protagonistas do sistema”!

Mas… sendo verdade que a nossa mente atrai o que tememos… eu não vejo como haverá outra forma de sair da crise que está a chegar!

Por muito que nos possamos entreter com a interpretação e análise do discurso do novo PR, a 9 de Março,… ou com o futuro de Marcelo fora de Belém,… ou sobre quantos serão os Ministros e os Secretários de Estado remodelados logo após a entrada em funções de António José Seguro,… ou se uma queda de um enfermeiro arrasta a queda de um Secretário de Estado que, por sua vez, leva consigo uma Ministra, etc., etc., etc.!!!

Podemos ir discutindo tudo isto e mais o que já andamos a discutir há cerca de um ano… mas –por muito que o sistema não queira – teremos eleições legislativas até ao fim do inverno de 2027.

A pensar num futuro melhor para Portugal!!!

Rui Gomes da Silva

A 'VITÓRIA' DOS QUE NÃO PUDERAM FESTEJAR

Rui Gomes da Silva

António José Seguro venceu a segunda volta das eleições presidenciais. Parabéns, por isso, a quem foi eleito, partindo de uma posição de verdadeiro proscrito do sistema (muito por culpa do seu sucessor na liderança do PS), até chegar a Belém, por mérito próprio, impondo-se a todos os que nele votaram, que – com honrosas excepções – não o queriam ou não o imaginavam Presidente até há cerca de pouco mais de um mês atrás.

Ganhou, por isso, sem ficar com dívidas de gratidão a ninguém, por quaisquer apoios recebidos, incluindo o do seu Partido de origem, que tudo fez para encontrar outro candidato.

Ganhou – também – sem ter sido o candidato das “redações” (a não ser no período entre a primeira e a segunda volta… tanto era o medo dessas mesmas “redações” verem o povo eleger André Ventura).

Sim, medo de André Ventura, a única razão desta verdadeira “união nacional” de apoios (para além daquele seu punhado de amigos de quem todos tinham pena no princípio desta corrida a Belém)!

André Ventura, a quem António José Seguro deve o resultado que conseguiu… pois, apesar de não ter nenhum voto seu, a não ser o do tal grupo de amigos que o apoiou na primeira hora (vejam bem quem estava na apresentação da candidatura), ainda assim conseguiu ter sido o presidente eleito com a maior votação em toda a história da democracia portuguesa.

Um André Ventura – derrotado matematicamente, sem qualquer dúvida, nestas eleições – que, para além de ter sido o vencedor das “primárias” à direita, ganhando, com isso, a legitimidade de disputar a segunda volta destas eleições, alcançou, agora, um novo resultado histórico.

Muitos não perceberam o significado dessa votação, a única conseguida – desde o 25 de Abril – por um líder partidário no activo e com as consequências que isso terá na reconfiguração do sistema partidário português.

Até porque – para desespero de todos os partidos políticos, com excepção do Chega, de todos as figuras relevantes dessa nova “Brigada do Reumático”, na sua versão 2026, e de todas as “redações” que, em desespero de causa, foram apoiar quem nunca gostaram – nunca foi tão verdade a frase (sempre repetida) que a maioria presidencial se esgotou no próprio dia da eleição!

Ao contrário dos votos de André Ventura, que serão sempre o que deles ele quiser fazer, os votos de António José Seguro voltarão, pelo seu pé, a quem pertencem.

Com a agravante de todos os que, à direita do PS, nesse seu afã de exprimir o ódio a Ventura, apelaram ao voto em Seguro, se terem esquecido de princípios essenciais da ciência política.

Quando – por medo – tratam alguém do espectro democrático, mesmo à direita, como um inimigo a eliminar, cometem dois erros.

O primeiro, transformando o sistema num bloco monolítico, sem capacidade de resolver os seus problemas internos, com a alternância democrática.

O segundo, o de transformarem quem não querem como um objectivo apetecido e cada vez mais provável de vir a vencer eleições… um dia, muito próximo, com maioria absoluta.

Poderão até ensaiar a possibilidade de o proibir de concorrer… mas esses erros só vão contribuir para as próximas e sucessivas vitórias de André Ventura.

O último desses erros previsíveis será o de fazer um governo de bloco central.

E se o PS poderá nunca aceitar ser segundo… estejam descansados que o PSD aceitará (com a reposição do estafado discurso do “interesse nacional” e a tentar trazer para dentro a IL… ou o 2031 ou o que for)!

Pelo meio… o agitar do “papão” do medo da direita,… o episódio anual do “Folhetim do Orçamento”, a começar já hoje, no Parlamento,… o drama de uma remodelação que parece ter sido forçado pela Ministra, diretamente com Belém, contra a vontade de Montenegro,… o mesmo Luís Montenegro cujo Governo se prepara para deixar as vítimas das tempestades deste Inverno como ainda continuam as vítimas dos Incêndios do último Verão, ou seja, sem qualquer apoio recebido!!!

E com isto… lá voltaremos ao normal, depois de umas eleições presidenciais.

Umas eleições em que os que ganharam não puderam festejar.

Não puderam festejar os que, no PS, queriam todos menos Seguro em Belém,… não puderam festejar todos os que, à direita do PS, apoiaram Seguro, sem qualquer convicção, apenas porque não querem ver Ventura a mandar,… não puderam festejar os que, à esquerda do PS, desapareceram (de vez, espero eu) do espectro político português,… não puderam festejar os que votaram Ventura porque o querem como Primeiro-Ministro,… não pode festejar André Ventura porque embora tenha tido uma grande vitória, perdeu uma eleição.

Com os seus 43 anos,… com 1,8 milhões de votos e os adversários com quem vai ter de se encontrar, um dia, a terem cometido o erro de terem apoiado um socialista (como o fizeram)… o futuro é – mesmo – de André Ventura!!!

Rui Gomes da Silva

UM PRESIDENTE QUE DEFENDA AS PESSOAS E NÃO OS GOVERNOS

Rui Gomes da Silva

No próximo domingo vamos voltar a escolher um novo Presidente da República. E, tirando a excepção – repetidamente invocada – de 1986, desta vez os “donos da opinião publicada” não conseguiram fazer eleger, à primeira volta, quem queriam… para “descanso do sistema”!

Durante meses, os pretensos “novos donos disto” tentaram fazer de cada debate, de cada análise ou de cada comentário (quase sempre sem contraditório, como convém… não vá o “povo” ser sensível aos argumentos desses “intrusos”)… tentaram fazer desta eleição um verdadeiro plebiscito sobre quem queriam a representá-los, para que nada lhes fugisse do controle.

Foi assim, primeiro com Luís Marques Mendes… o “seu candidato”, até terem percebido que, com esse, não iam lá.

Percebida a impossibilidade, mudaram-se, de armas e bagagens, para Cotrim de Figueiredo, na esperança que difícil, difícil era fazer passar quem queriam à segunda volta.

Mas a coisa não correu bem e foram obrigados a mudar o seu apoio – a contra-gosto, percebeu-se, logo, à distância – para António José Seguro, a quem nunca reconheceram (no e pelo seu passado) uma única virtude… nem nunca lhes mereceu um elogio (que não circunstancial), enquanto líder do PS.

Muito poucos, foram, mesmo, os que, nos debates da primeira volta, o deram a vencer André Ventura, tal era a certeza (então) da sua irrelevância.

Percebe-se – agora –  nesta segunda volta, as razões da fuga a todos os confrontos de ideias, bem como o silêncio a que votaram essa atitude anti-democrática, sem uma crítica, sequer, desses “donos da opinião publicada”,… não vão os apoios dados desaparecerem num ápice, com a exposição, na praça pública, da banalidade do discurso e da mão cheia de coisa nenhuma do (agora)… seu candidato.

Mas, ainda assim, do único frente-a-frente em que o candidato da “Nova Brigada do Reumático” (da direita portuguesa ex-anti-socialista) aceitou participar, ressalta a frase de André Ventura, ao prometer ser “um Presidente que defenda as pessoas e não os Governos”!!!

Passados uns dias apenas, com as tempestades a assolarem Portugal e com toda esta sucessão de atitudes inimagináveis e inexplicáveis do Governo, desde o Primeiro-Ministro até aos seus “ajudantes” (não, não é só a Ministra da Administração Interna, ou o da Economia, ou o da Presidência… são quase todos), percebeu-se o que significa não ter ninguém que não se preocupe com a sua sobrevivência política, mas, antes, com as pessoas!

Porque Luís Montenegro e os seus “acompanhantes” apenas se têm preocupado com a ocupação do poder e não com os portugueses,… e Seguro, para não perder os poucos votos que parece ter recebido do que resta do centro-direita, não pode anunciar ao que vai (como irá, certamente,… cá estaremos para ver)!

Ou seja, um só quer manter-se no poleiro, o outro só quer saltar para lá,… o primeiro sem nenhum projecto político visível, o outro sem poder anunciar ao que vai (meter o PS,… o seu PS, de novo, no poder, com o regresso do Bloco Central)!

Por isso, a quem, agora como antes, se opõe ao “centrão dos interesses”, chamam sempre de fascista!

É mais fácil… especialmente para quem não tem grandes ideias para apresentar.

Foi assim – como vou sempre lembrando – em 1978 e 1980 com Francisco Sá Carneiro… mas, ainda assim, ganhou!

Foi assim – também – em 1985 e 1987, com Aníbal Cavaco Silva… mas, ainda assim, ganhou!

Será assim, ainda, com André Ventura… que, um dia destes, ganhará!

Quanto ao PSD, continuo a pensar o mesmo que tenho dito e escrito,… e que só vai sendo confirmado com todos estes apoios a António José Seguro.

Com esta “romaria” – ao arrepio do que deveria ser a posição de todo o Partido –vapenas estão a antecipar as condições para o seu desaparecimento (irrelevância … para não chocar tanto os meus ex-companheiros).

Até porque ao vermos pessoas com grande responsabilidade na direção política do PSD a declarar o seu apoio a Seguro… isso só poderá significar uma campanha dissimulada de Montenegro.

Com todos essas declarações (especialmente com a última conhecida), o apoio do PSD ao ex-secretário-geral socialista passou a ser oficioso, senão mesmo oficial.

O PSD será, a muito curto prazo, um PS 2, e vai representar – é bom recordá-lo – aquilo que os “Opções Inadiáveis” defendiam, em 1978, e que levou à ruptura com Francisco Sá Carneiro.

Para todos eles, o PSD devia coligar-se com o PS.

Sá Carneiro preferiu o caminho contrário… e venceu!!!

Hoje, quem pensa como ele, só pode votar André Ventura.

Para termos… “um Presidente que defenda as pessoas e não os Governos”!!!

Domingo… eu vou votar André Ventura.

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