O Irão anda pela Suíça a tentar comprar um bom relógio suíço. Precisa comprar tempo. Tempo para cumprir a regra...
O Irão anda pela Suíça a tentar comprar um bom relógio suíço. Precisa comprar tempo. Tempo para cumprir a regra que o velho Khomeini estabeleceu como a Regra Suprema: “Preservar o sistema é o dever mais elevado.” E tempo, porque, desta vez, são os persas que estão nas Termópilas.
Já menos de 300 lançadores lhes sobram, tantos quantos os guerreiros espartanos que contiveram Xerxes, filho de Dario, o seu grande ancestral. Mas estes persas, agora iranianos, nem são os espartanos de então, nem têm Xerxes para os comandar. E têm a forçar o estreito deles uma força que lhes quer rasgar o ventre daquela Regra Suprema e exterminar-lhes o sistema, assim vingando a humilhação dos reféns de 1979.
Por isso, Teerão precisa de um relógio suíço. Um que se atrase. E que se atrase para se poder reorganizar internamente, agora que comunicaram ao mundo a indicação de um novo Líder Supremo, que jamais foi visto.
Mas é estreito este espaço de tempo. Tão estreito quanto o das Termópilas, pois que o filho do rei morto, o rei posto Khamenei II, se não morto também, terá pela frente um presidente Trump que mantém a posição de “rendição incondicional” como única saída.
A única que lhe foi dada e, por ora, outra se lhe não vê, salvo se o relógio suíço se atrasar, pois, neste momento crítico, quaisquer silêncios, negociações, ou mesmo recuos, visam um único objetivo: a autopreservação do sistema.
Mesmo que caia o regime.