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Alexandre Fonseca

REGULAÇÃO E AMBIENTE COMPETITIVO EUROPEU

Alexandre Fonseca

O excesso de regulação tem sido apontado por economistas e líderes empresariais como um dos principais entraves ao crescimento económico, à inovação e à competitividade da Europa, especialmente quando comparado aos Estados Unidos ou à China.

O ambiente regulatório europeu tornou-se altamente complexo, com mais de 13.000 leis aprovadas no período entre 2019 e 2024, enquanto nos Estados Unidos, no mesmo período, foram aprovadas apenas 3.000 leis de âmbito regulatório. Este excesso de regulação resulta em custos administrativos e burocráticos elevados para as empresas, que precisam de canalizar recursos significativos apenas para garantir a conformidade, sejam eles recursos financeiros, humanos ou técnicos. As PME (esmagadora maioria do tecido empresarial português), em particular, sentem-se sufocadas e desmotivadas para inovar, já que todos os processos são lentos e o ambiente regulatório e administrativo em geral, é considerado oneroso, instável e imprevisível. E sabemos bem que a Estabilidade e Previsibilidade são talvez os dois principais critérios de atração de investimento e de sucesso empresarial.

O excesso de regulação contribui ainda para fragmentar o mercado único europeu, dificultando o surgimento e crescimento de grandes empresas capazes de competir no contexto global. A “aversão” das Autoridades europeias pela consolidação de mercados, em múltiplos sectores, tem causado enormes danos na capacidade competitiva das empresas europeias, que mesmo grades no “velho continente” continuam a ser pequenas quando comparadas com os colossos americanos ou chineses.

Os grandes investimentos diretos estrangeiros têm vindo a migrar para ambientes mais simplificados e mais dinâmicos, como os EUA, onde os mercados financeiros são mais estruturados e as exigências regulatórias muito menos restritivas.

Nos Estados Unidos a “desregulação de Mercados” é vista como fator de aumento da produtividade das empresas, uma forma de “seleção natural” e de reforço do dinamismo da Economia. Este fator é decisivo no impulsionar da inovação tecnológica, resultando na liderança das grandes empresas americanas a nível mundial, apenas secundado pelos gigantes chineses.

O excesso de regras administrativas e de regulação na Europa, gera um ambiente de elevada complexidade empresarial, que tem como principais impactos a dificuldade no surgimento de novas e mais dinâmicas empresas inovadoras, o afastamento dos investidores globais e a falta de incentivos à inovação, isto sem referir as limitações na atração de talento, em particular entre os mais jovens.

Não há dúvidas que a Europa ficou, uma vez mais, para trás na revolução Digital e Tecnológica, em boa parte pelas enormes barreiras que ergueu ao nível administrativo, regulatório e porque não dizer, ao nível das Leis da Concorrência.

O resultado deste excesso de políticas regulatórias foi até agora a clara desaceleração de crescimento económico e a perda de produtividade e de rentabilidade nas empresas europeias.

O grande desafio da Europa não está em fazer “mais” ou “menos” regulação…está em fazer “melhor” regulação, garantindo simplicidade, clareza, transparência, previsibilidade e foco no que é essencial, como a proteção de Direitos e a Segurança, bem como na indispensável análise de impactos regulatórios, que suporte as decisões tomadas.

Alexandre Fonseca é empresário, gestor e business advisor; administrador do TagusPark; Presidente do Conselho Estratégico da Economia Digital da CIP

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Publicado em 26 novembro de 2025
Alexandre Fonseca

IA E MERCADO DE TRABALHO

Alexandre Fonseca

Muito se tem vindo a discutir sobre a forma como a Inteligência Artificial vai mudar o Trabalho em geral, destruir postos de trabalho e mudar o emprego de forma decisiva para as gerações futuras. Porém, algumas análises apontam para um cenário pessimista, quase apocalíptico, sobre os efeitos nefastos da IA no mercado de trabalho.

A Inteligência Artificial não tem necessariamente de destruir postos de trabalho…esta é uma visão simplista e, muitas vezes, alarmista do impacto tecnológico no mercado laboral. Na realidade, a IA pode ser uma poderosa aliada na criação de valor, na melhoria das condições de trabalho e até na criação de novas profissões. Tudo depende da forma como a sociedade, as empresas e os governos escolhem integrá-la.

Segundo estudos recentes, a adoção da IA pode automatizar até 45% das horas trabalhadas nos próximos anos, especialmente em tarefas manuais e repetitivas, o que pode levar à eliminação de algumas formas de emprego. Mas a IA também vai criar novas formas de emprego e vai exigir o desenvolvimento de novas competências, em particular na área da tecnologia, da análise e da modelação de dados.

Estudos indicam que, apesar do desaparecimento de alguns empregos (estima-se que até 92 milhões podem ser eliminados globalmente até 2030), haverá uma criação ainda maior de novas posições (cerca de 170 milhões), resultando, portanto, numa transformação da natureza do trabalho mais do que na destruição de empregos. Claramente que para isso os Estados, as empresas e os trabalhadores precisarão investir na formação e na qualificação de competências digitais, para acompanhar essa profunda transformação.

Devemos ainda considerar a transformação dos hábitos laborais, onde a IA poderá contribuir de forma decisiva para a redução da carga laboral dos trabalhadores, que poderão ser mais produtivos com menos horas de trabalho, eliminando os erros resultantes de atividades manuais e aumentando a capacidade de processamento nas atividades envolvidas. Ou seja, a melhoria do equilíbrio entre Trabalho e vida pessoal dos cidadãos.

O recurso à IA também pode ser uma solução para a escassez de mão de obra qualificada em alguns setores, especialmente na Europa, dado o envelhecimento geral da população. Além disso, a IA pode ainda automatizar tarefas perigosas, melhorar as condições de trabalho e ajudar a tomada de decisões. Finalmente, acredito que a IA, paradoxalmente, pode tornar o trabalho mais humano. Ao libertar os trabalhadores de tarefas mecânicas, cria-se espaço para atividades que requerem mais proximidade, empa/a, cuidado, inteligência emocional e pensamento estratégico, sendo estas qualidades distintivamente humanas que teremos de preservar

Em resumo, a IA não é inevitavelmente destrutiva para o emprego. É uma ferramenta, e como qualquer ferramenta, o seu impacto depende da forma como é usada. Com visão estratégica, foco na qualificação e com políticas públicas adequadas, a IA pode ser um motor de crescimento, de inclusão e de melhoria da qualidade de vida no trabalho. A IA mudará o mundo do trabalho e adaptar-se a essa nova era será crucial para todos nós, basta que saibamos aproveitar esta extraordinária oportunidade e sejamos capazes de dar as devidas respostas a tempo. Para tal, o combate à burocracia e estaticismo e implementação de reformas legislavas serão essenciais e decisivas. Não haverá segunda oportunidade. 

Alexandre Fonseca é empresário, gestor e business advisor, administrador do TagusPark e presidente do Conselho Estratégico da Economia Digital da CIP

Alexandre Fonseca

LIDERANÇA PRÓXIMA, ÁGIL E INCLUSIVA: O DESAFIO DOS NOVOS TEMPOS...

Alexandre Fonseca

Vivemos hoje tempos de transformação acelerada, onde a mudança deixou de ser exceção para se tornar a nova normalidade. Neste contexto, os modelos tradicionais de liderança — hierarquizados, distantes e centrados no poder — revelam-se cada vez mais desadequados. As organizações mais bem-sucedidas estão a adotar novas formas de liderança, alicerçadas em três pilares fundamentais: Proximidade, Agilidade e Inclusão.

A Proximidade é um traço distintivo dos novos líderes. Num mundo cada vez mais digital e impessoal, as pessoas valorizam as relações autênticas e as lideranças humanas. Um líder próximo conhece a sua equipa, demonstra empatia e está disponível — não apenas para comandar, mas para ouvir, orientar e inspirar. Um líder que dê o exemplo, que conheça profundamente a empresa e o negócio, que gere confiança e que defina e comunique, de forma clara, a estratégia e o caminho. Um líder que mobilize, por ser um de “nós”.

A Agilidade vai para além das metodologias…é uma cultura! Exige líderes capazes de tomar decisões rápidas, que aceitem que falhar faz parte do processo, capazes de lidar com a incerteza e fomentar uma cultura de experimentação e aprendizagem contínua. Mas não se trata apenas de ser rápido a decidir e a agir: trata-se de ser intencional, de ler o contexto, de se adaptar e ser flexível, respondendo com inteligência e eficiência.

A Inclusão é mais do que um valor: é uma prática diária. Implica reconhecer o valor da diversidade, combater preconceitos e garantir que todos têm espaço para contribuir e crescer. Ambientes inclusivos não só são mais justos, mas também mais criativos e inovadores. Inclusão é assegurar a participação de todos, escutar, compreender, sem se demitir da responsabilidade de decidir. Inclusão é assumir um propósito coletivo e tê-lo bem presente diariamente.

Num momento em que escasseiam líderes com visão e coragem, tanto na política como nas empresas, a procura por novas lideranças é urgente. Não precisamos de repetir grandes e inequívocos líderes do passado, como Churchill, Roosevelt ou De Gaulle, reconhecidos pela sua enorme capacidade de liderança e pelo seu carisma, num dos momentos mais difíceis da nossa História. Mas precisamos sim de reinventar a liderança para os desafios modernos, nas empresas, nos Governos e na Sociedade em geral.

Precisamos de pessoas capazes de unir, de mobilizar talentos e de colocar as pessoas no centro. A liderança do futuro será, inevitavelmente, mais humana. E isso é uma boa notícia…e uma esperança para a Humanidade!

Artigo de opinião de Alexandre Fonseca, empresário, gestor e business advisor; administrador do TagusPark; presidente do Conselho Estratégico da Economia Digital da CIP.

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Publicado em 28 outubro de 2025
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