
Francisco Gonçalves
Quase todos os dias faço exercício na mesma zona do Concelho de Oeiras. Quase todos os dias (de bom tempo) cruzo-me com um grupo de seniores que todo o ano fazem a sua caminhada no Passeio Marítimo de Oeiras.
Quase todos têm mais de 75/80 anos. São um exemplo do que é o envelhecimento ativo.
Durante os meses de verão, porém, há uma inveja branca que se apodera de mim: quando terminam o exercício, vejo-os na praia de Caxias. São, normalmente, os primeiros a chegar.
Este grupo é exemplar quer no que respeita às mudanças de comportamento dos tempos atuais, quer ainda na boa utilização das novas infraestruturas públicas (o passeio marítimo, que décadas antes era uma miragem) e de praias que não existiam (seja pela falta de areia quer pelas aguas que antes estavam poluídas).
A vida mudou muito. Há alguns anos, quando o verão chegava, os jovens eram os “donos da praia”. Eram eles que as usavam e eram eles quem lhes trazia alegria. Hoje há um novo grupo a tomar conta da praia: os que sabem envelhecer. Saber viver é uma arte.