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Jorge Morais

Os jogos europeus de sorte e azar têm raízes profundas na Baixa Idade Média, nesse século XV que anunciava já...

Os jogos europeus de sorte e azar têm raízes profundas na Baixa Idade Média, nesse século XV que anunciava já a modernidade e o monetarismo. Institucionalizados aqui e ali, floresceram na Europa do Sul, sobretudo em Itália, França e Espanha, sob a forma de lotarias.

Em Portugal, lotos e lotarias fermentaram em versões rudimentares de tômbola e taberna até ganharem patrocínio oficial no final do século XVIII. A lotaria autorizada por D. Maria I em 1783 (e que ainda hoje existe sob a tutela da Misericórdia de Lisboa) destinou-se a regular o comércio desordenado das apostas, usando o nobre pretexto de angariar fundos para o Hospital Real, para a roda dos expostos e para a Academia das Ciências.

O hábito e o vício dos jogos de sorte e azar mantiveram-se durante séculos como característica meridional, associada à superstição e à desigualdade social, por oposição à natureza mercantil e à organização económica das sociedades da Europa Setentrional. Ainda hoje a Espanha, a França e Portugal são os principais apostadores do euromilhões, a par do caso singular do Reino Unido, onde muitos dos costumes começaram a alterar-se após a metrificação da Inglaterra. O crepúsculo do xelim, da jarda e da onça explica muita coisa.

Mas isso era ontem: a internet e os recursos cibernéticos associados tudo vieram alterar. A febre do jogo tem hoje a escala planetária. E se no Oriente a aposta tinha origens antigas, no Ocidente ela conquistou mercados até aí relativamente virgens, estendendo-se mesmo aos polos urbanos do continente africano e aos confins do mundo. Admito que a esta hora, no seu iglu, um esquimó esteja agarrado ao portátil a registar as suas ciberapostas com a mesma naturalidade com que o seu pai caçava focas com um arpão de pau de sabugueiro.

A fúria de sexta à tarde para apostar no euromilhões e esfregar ansiosamente a raspadinha dos pobres está hoje largamente ultrapassada pela ciberaposta – instantânea, anónima, silenciosa, abstrata. O tempo do totobola, que se baseava em algo que realmente acontecia, tem o sabor arqueológico da pré-história.

Por tudo isto, e ainda mais que demoraria a escrever, não fiquei surpreendido quando há dias li que os portugueses apostam 63 milhões de euros por dia em jogos online. Sim, por dia. Os números trazem a chancela do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos, autoridade pública integrada no Instituto do Turismo de Portugal.

Em 2025, as apostas online registadas em Portugal ultrapassaram 23 mil milhões de euros – 90% dos quais em jogos de fortuna e o restante em apostas desportivas à cota. Aqueles 23.000.000.000 euros correspondem ao montante total utilizado pelos jogadores registados nas plataformas online e inclui depósitos diretos, promoções e dinheiro recebido como prémio e reinvestido.

Alguns dados curiosos: perto de cinco milhões de pessoas estão registadas nas 18 entidades autorizadas a explorar as apostas online em Portugal; o Estado embolsa todos os anos mais de 350 milhões de euros no Imposto Especial de Jogo Online; nos jogos de fortuna e azar online, a principal escolha são os jogos de máquinas (80,4%), seguidos da banca francesa (5,9%) e da roleta francesa (4,9%); nas apostas desportivas, dominam o futebol (75,6%), o ténis (10,6%) e o basquetebol (9,6%); as principais zonas apostadoras são Lisboa (21,8%), Porto (21%) e Setúbal (8,8%); a maioria dos apostadores (77%) tem menos de 45 anos, e destes 34,9% têm entre 18 e 24 anos.

Dispenso-me de comentar. O leitor ajuizará, melhor do que eu, sobre uma sociedade que à desordem económica, ao caos organizativo e à baixa produção opõe todos os dias 63 milhões de euros em jogos de sorte e azar. Ou só de azar, porque a sorte dá muito trabalho a conquistar.