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Rui Gomes da Silva

UM COCKTAIL EXPLOSIVO

Rui Gomes da Silva

Com intervalo de 48 horas, PSD e PS encenaram as suas ‘rentrées’, como se ainda vivêssemos nos anos 80 do século passado!

Defasados no tempo, ultrapassados no modelo, incompetentes na mensagem, as duas lideranças dos velhíssimos partidos do regime foram incapazes de dizer ao que vinham, o que queriam fazer, onde queriam chegar… neste ‘novo ano político’!

Como se as esperanças dos portugueses fossem como as estações do ano, sempre prontas a renovarem-se, sem se cansarem deste ciclo repetitivo, feito de alternâncias inconsequentes.

Sem que as respetivas direções partidárias percebam que continuam a arrastar-se pelo meio de uma crescente e galopante indiferença política, perdendo intenções de voto todos os dias, como bem o atestam as sucessivas sondagens publicadas.

E quando os vimos – pesem embora os ciclópicos esforços da opinião publicada para tentarem atenuar a sua crescente irrelevância -, não podemos deixar de pensar nas próximas eleições, aconteçam elas quando acontecerem, e a mais que previsível continuação da sua erosão, traduzida numa cada vez menor importância política.

Os portugueses já interiorizaram que o PSD, hoje, como o PS, no futuro, não conseguirão voltar a ser a alavanca da mudança de que Portugal precisa, nos próximos tempos.

E se essa mesma erosão tem vindo a ser irreversível à esquerda, só parcialmente estancada com extremismos galopantes, como tem acontecido por esse mundo fora, sem apoio popular que valide as opções de minorias longe do sentir da maioria das pessoas, também o é no centro esquerda, pelos sucessivos e repetidos casos de corrupção, como se o domínio das máquinas partidárias por grupos cada vez menos representativos dos grandes centros urbanos fosse um convite à livre circulação de interesses, uma passadeira estendida aos grupos de lobby, que tudo controlam e tudo influenciam nas opções governativas, de forma a transformar cada decisão num ganho financeiro dos amigos do poder que, por agora, não ocupam cargos de grande visibilidade na máquina do Estado.

Foi assim com Sócrates (lembram-se… ???), foi assim com outros grupos ligados, por exemplo, a Macau (sabiam ???), é assim hoje, de forma crescente, como haveremos de descobrir, mais tarde ou mais cedo, por mais que muitos o tentem esconder!!!

O ‘Portugal de Abril’ (e de novembro, já agora, em homenagem aos verdadeiramente democratas), mais à esquerda ou mais à direita (de que todos fazemos parte, embora muitos, cada vez mais, se não identifiquem com o que ele, hoje, representa), poderia ter-se lembrado e recusado usufruir do modelo de desenvolvimento dos últimos séculos, tentando não o repetir!

Mas não só o repetiu, como o fez dependendo, exclusivamente, do dinheiro dos outros, sem qualquer esforço que não seja andar de mão estendida, na Europa, a pedinchar por “fundos”.

Depois de África, da Índia, do Brasil, e de novo África, eis que descobrimos uma derradeira ajuda para o nosso modelo de desenvolvimento: os fundos europeus!!!

Todos os anteriores modelos e períodos se sucederam, entre si, com mudanças de regime, como sabemos em termos históricos!!!

1580, 1640, 1820, 1910, 1926 ou 1974 aí estão para o ilustrar!

Só que a próxima revolução será feita em democracia, pelo voto, na defesa de convicções, em prol de um modelo diferente de desenvolvimento, assente em numa muito maior liberdade individual, sem negócios dos “amigos”, com muito menos Estado, mas com uma maior preocupação pelo indivíduo e não por esse monstro que a esquerda e os antigos partidos do centro criaram, de forma conivente!

Uma mudança feita pelo voto, com um líder carismático, com uma ideia bem definida para Portugal, capaz de nos emocionar a todos!!!

Uma mudança que supere este esgotamento bem visível dessas forças, que consiga ultrapassar esta preocupação com os negócios, incapaz de ir para além da gestão meramente corrente, ‘afundada’ nas sucessivas crises da Saúde, da Educação, na Administração Interna e – agora – na Defesa, se pensarmos bem, com um elemento sempre presente e comum a todos…

Tudo isso se está a juntar, num verdadeiro ‘cocktail’ explosivo!

Apesar do esforço de estabilidade do Presidente da República, da falta de perceção da realidade do líder do PS e do excesso de perceção financeira (em cada decisão tomada) pela liderança bicéfala, cada vez mais evidente (entre Presidente e secretário-geral) do PSD, tudo se encaminha para uma crise sem precedentes.

Insegurança crescente, agora com cada vez menos perceção e cada vez mais realidade, processos (que se poderão repetir) de imigração descontrolada, ministros sem idoneidade para continuarem nas respetivas funções, contas públicas no vermelho, com descontrolo da despesa pública, cativações orçamentais que dificultam ou impedem a resposta a metas que o Estado se impôs a si próprio, e – agora – judicialização do combate político, numa derradeira tentativa de parar, pelos tribunais, o que os partidos do regime não conseguem, nem que seja preciso deturpar declarações ou agir contra declarações feitas no exercício do mandato – até aqui sagrado – dos eleitos pelo povo!!!

Por muito que essas construções sejam aconselhadas por Bruxelas, será bom lembrar a esses ‘inventores’ de processos de exclusão… como todos eles acabaram!!!

Portugal não aproveitou os ventos do desenvolvimento que sopraram noutras Nações europeias! Por isso, serão as próximas eleições – aconteçam elas quando acontecerem – a determinar a mudança que os portugueses querem e esperam ver concretizada.

Resta- lhes – a esses, que mandam agora – o recurso à ‘chapelada’ e, embora o tal ‘Portugal de Abril’ se recuse a admitir essa realidade, começo a acreditar que se não puderem – mesmo – perder eleições, não lhes restará outra solução.

Será essa uma ‘guerra’ anterior à da concretização de um novo modelo de desenvolvimento: a de, em democracia, fazer respeitar 006F voto do Povo!!!

Por Portugal!!!

 

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Publicado em 18 agosto de 2026
Rui Gomes da Silva

ONDE PÁRA A BRIGADA DA ÉTICA DO PSD?

Rui Gomes da Silva

Luís Neves, pese embora todos os esforços do Governo para o salvar, tem agora ‘à perna’ o Ministério Público, a Procuradoria Europeia e o Tribunal de Contas.

E tudo isso acontece porque as suas explicações antes parecem uma mão cheia de confissões, em que, afinal, e só a título de exemplo, decidir sem qualquer suporte documental, parece ser um procedimento normal para o ex-diretor da PJ.

Não é, nunca o foi, e só o medo de uns e a ingenuidade de outros pode justificar afirmações de quem – em momentos anteriores – sempre foi implacável com outros prevaricadores!

Entre o medo de ser ‘investigado’ ou a ingenuidade, que só a fidelidade partidária poderá explicar,há uma realidade a que ninguém poderá escapar: só as funções que Luís Neves desempenhou lhe permitem esta defesa do indefensável, que – obviamente – acabará com Luís Neves a sair do Governo ou o Governo a cair, por causa de Luís Neves.

Mas há uma dúvida que me tem assaltado neste processo de dúvidas – tão fundamentadas – sobre o comportamento do ainda MAI.

Parafraseando o título de uma saga cinematográfica do fim dos anos 80, “onde pára a brigada da ética do PSD”?

Não, não estou a falar de figuras menores do partido, que tantas vezes se desdobram em declarações de apoio e de cegueira perante as evidências que temos dos comportamentos de Luís Neves… Estou a falar de figuras que – em momentos precisos da História da democracia portuguesa – consolidaram a sua relevância mediática e a respectiva legitimidade política e comunicacional, invocando razões legais, éticas e morais perante situações muito menos graves.

Onde param, então, esses membros da brigada da ética do PSD, sempre prontos, ao longo de décadas, para atacar os seus pares, por muito menos do que, hoje, Luís Neves é acusado?Onde param esses reis da ética e paladinos da moral, sempre prontos para apontar o dedo a quem achavam que deviam afastar (também por serem obstáculos ao seu percurso político)???

 

… “onde pára a brigada da ética do PSD”?
Onde andam esses “combatentes” da seriedade, onde andam esses arautos da ética, tão ciosos, hoje, apenas e tão só, do seu silêncio?
Onde anda José Pacheco Pereira???
Onde anda Luís Marques Mendes???
Onde anda Marcelo Rebelo de Sousa???
E – last but not the least – onde anda Aníbal Cavaco Silva???

 

Onde andam esses “combatentes” da seriedade, onde andam esses arautos da ética, tão ciosos, hoje, apenas e tão só, do seu silêncio?Onde anda José Pacheco Pereira???
Onde anda Luís Marques Mendes???
Onde anda Marcelo Rebelo de Sousa???
E – last but not the least – onde anda Aníbal Cavaco Silva???

Será que – também eles – terão medo de Luís Neves?

Agora, sim, é que seria o tempo perfeito para um artigo que pudesse recordar que, também na política (como na Ecomomia), a lei de Gresham é verdadeira!

Mas não afastando – como em 2004 – a “boa moeda” (Pedro Santana Lopes) para lá meter a “má moeda” (José Sócrates), por mera conveniência pessoal.

Agora, sim, é que seria um momento excelente para um “artigozinho” num jornal qualquer (em papel ou digital), desses arautos dos princípios, a explicar a Luís Montenegro o que lhe reserva o futuro, sob pena de serem, também eles, responsáveis pelo que vai acontecer… já nas próximas eleições!

Ou são (apenas e como sempre o foram) seletivos no seu escrutínio, e – como os fins justificam os meios – não querem dar razão a André Ventura???

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Publicado em 11 agosto de 2026
Rui Gomes da Silva

O ELEFANTE NO MEIO DA SALA

Rui Gomes da Silva

Eu bem prometo a mim mesmo não voltar a ‘falar’ da situação em que se encontra Luís Neves, nem sobre a sua desesperada teimosia – sua e, seguramente, de Luís Montenegro – em deixar arrastar tudo isto para o lamaçal em que se está a tornar a rocambolesca situação da manutenção do ainda MAI no Governo.

Mas a realidade e o que vamos sabendo todos os dias… não me dão outra alternativa!

Porventura, um e outro, agarram-se mutuamente, por perceberem que a queda de um prenunciará a queda do outro… com tudo o que ainda está para acontecer (ou para sabermos) nos próximos dias ou semanas.

Ou porventura, sustentam-se reciprocamente, um para tentar salvar a sua… continuidade na política e o outro para tentar salvar a sua… continuidade na política!

Só que esta tentativa de salvar um ministro (e recorde-se que não estamos a falar de uma única razão política… mas, todas, éticas, legais ou mesmo do foro criminal) levou a um beco sem saída.

Um ministro que se irrita com tudo, mas não explica nada, um primeiro-ministro que sempre falou de tudo, mas que sobre o caso do ministro não comenta nada… eis o pântano político, versão 2026, em que se transformou o debate democrático.

E se há militantes do PSD que – do que conheço – só o fazem por fidelidade partidária (porque o comportamento de Luís Neves é tudo o que eles nunca fizeram na vida nem admitiram que o fizessem), haverá os que, à esquerda, seja ela socialista ou ex-bloquista, o farão por temerem o que será mais certo acontecer (sem ter em conta os que, na atual toda poderosa máquina social-democrata, que ocupa a sede de S. Caetano, o fazem por medo… muito medo… pois claro).

E fazem-no por perceberem que todos os caminhos – depois de todos estes erros e esta falta de rumo do Governo – levarão à subida sustentada de André Ventura e do Chega, em qualquer ato eleitoral.

E esse é o drama do Presidente da República, intervir, transmitindo ao Governo a insustentabilidade da continuidade de Luís Neves no Governo e, com isso, dar mais uma vitória a André Ventura, a caminho de uma grande vitória eleitoral, ou, manter-se calado e conivente com a posição de Luís Montenegro, aceitando a continuidade do ministro e, com isso, dar mais argumentos a André Ventura e ao Chega, um conjunto de razões acrescidas, sobre a conivência dos interesses, a necessidade de acabar com este bloco central da impunidade e a vergonha que a sua continuidade acarreta para o regime democrático, a caminho de uma grande vitória eleitoral do Chega de André Ventura.

 

Luís Neves é, hoje e assim, o “elefante no meio da sala” que o medo (ou de ele saber alguma coisa de cada dos seus companheiros mais próximos ou de contribuir para a tal vitória anunciada do Chega) mantém no Governo.

 

Luis Neves é, hoje e assim, o “elefante no meio da sala” que o medo (ou de ele saber alguma coisa de cada dos seus companheiros mais próximos ou de contribuir para a tal vitória anunciada do Chega) mantém no Governo.

André Ventura – é verdade – vai muitas vezes à televisão… para falar do País.

Mas são os factos que os outros criam que exigem a sua análise, e não ele que cria os factos para depois comentar.

Luís Montenegro e os seus apoiantes, quando vão à televisão, passam o seu tempo a arranjar desculpas para as trapalhadas (aqui sim, trapalhadas, para sermos ‘bonzinhos’) deles próprios ou dos negócios que andaram a fazer.

Lançando insultos ou dizendo que o líder do Chega não tem credibilidade, sem perceberem que essa mesma credibilidade é aferida pelos mais de 1 milhões e setecentos mil portugueses que votaram nele, que o fizeram líder da oposição, esquecendo que, em democracia, a credibilidade avalia-se pelos votos, os votos que os mais críticos nunca tiveram nem terão.

Não há outra forma de responder a tanta insignificância e – como alguém diria – “isso é que lhes dói”!!!

André Ventura é o único com uma mensagem clara, sem jogos de poder, que age de forma livre, sem compromissos nem obediências a ninguém (ja sabem – porque já o disse tantas vezes – quem me faz recordar…).

E isso, no fim, faz a diferença!!!

Vai fazer a diferença… tanto maior quanto mais tempo Luís Neves continuar no Governo, quanto mais tempo este Governo continuar em funções, quanto mais tempo demorar a saber-se o que está para ser “notícia”.

O que, em democracia, acaba sempre por se saber!!!

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Publicado em 04 agosto de 2026
Rui Gomes da Silva

“LUÍS NEVES NÃO PODE SAIR… YO”

Rui Gomes da Silva

Os Black Company (primeiro grupo de rap português) têm uma canção (‘Nadar’) que começa por… não sabe nadar… yo”!!!
Pois, hoje, e parafraseando essa letra, parece que as forças do regime cantam em uníssono… “Luís Neves não pode sair, yo”!!!
E se – como alguém dizia – “o que parece, é”, então, o único termo da equação é que, aconteça o que acontecer, Luís Neves é inamovível.
Inamovível de um cargo que fez muito para ser seu, do qual não quer sair e, por isso, de lá ninguém o tira.
Até porque – pensará o primeiro-ministro – “… depois dele, serei eu”!
A inação (talvez mais o medo) do PS e a opinião pública e publicada (na sua ânsia de tentarem parar a ascensão do Chega ao Governo de Portugal, custe lá isso o que custar)… fazem o resto.
Apesar disso, ou por causa disso, todos os dias, a espiral de silêncio da recusa dos eleitores em não aceitar este estado de coisas, continuará a crescer.
Também porque os mesmos que se julgam os donos disto (e recusam o escrutínio que exigem para os outros), também se acham donos do tempo.
O tempo que acreditam que, passando, levará com ele as sequelas de comportamentos insustentáveis em democracia.
Como escrevia, em comentário a outro texto, na semana passada, “um tempo (o dele) que nunca virá… porque não quis esclarecer nada no tempo (dos outros), que eram e são neste caso, como sempre, os únicos e verdadeiros donos do tempo (o de todos)… o tempo que – não sendo de Deus – é do Povo!!!”
As notícias sobre a Educação e o caso de Cascais não ajudam nem o Governo nem o PSD… mas ajudam os que, em S. Bento, temem uma reação do Presidente da República ou de ex-Presidentes da República, com especiais responsabilidades nesta matéria…
O que pensam Marcelo Rebelo de Sousa ou Aníbal Cavaco Silva?
O que diriam de tudo isto se, no lugar de Luís Neves, estivesse… André Ventura?
É verdade que o PS, com o seu medo (para usar a mesma palavra que Mariana Leitão, a líder da IL, ainda ontem usou) e a sua conivência… só ajuda a manter este novo pântano em que se transformou a política portuguesa!
Podem PS e PSD impedir tudo na Comissão Parlamentar de Inquérito anunciada (como o fez o Presidente da Assembleia da República, em relação à necessidade de ouvir Luís Neves, a pedido da IL), mas, quanto mais impedirem, mais perdem!
E depois do desgaste do PSD – que, mesmo assim, tem a âncora do Governo – a perda de votos do PS, sem estar no poder, vai ser dramática.
Na verdade, o PS perdeu a guerra dos exames
Apostou tudo nela… e perdeu-a!
Não perceberam os seus dirigentes (bastava-lhes ver outras crises idênticas, até com eles no poder, para terem chegado a essa conclusão) que – mesmo correndo muito mal – tudo se resolveria com facilitismo nas correções, na segunda fase ou nas entradas na Universidade.
Ou seja, prejudicaram-se por análise errada e por terem feito tudo mesmo para não beliscar o “único Ministro que tinham neste Governo”… para além de tudo o que ele sabe sobre o regime.
Agora… já será tarde.
Porque chegaram atrasados a uma polémica que tudo fizeram para evitar, porque estão nela sem convicção e sem conseguirem imaginar até onde vai a capacidade de vingança do ainda MAI.
E nisto estão como o PSD (que acrescenta, nessas razões, a vulnerabilidade evidente de Luís Montenegro… que – espero, talvez por ingenuidade, mas espero mesmo – que José Luís Carneiro não tenha).
Esta crise começou com Luís Neves, vai passar pela saída dele e acabará na conclusão das investigações ainda em curso sobre a Spinumviva e o poder de influência do eixo Espinho-Braga, no atual PSD e no Governo ainda em funções.
Por isso tudo, pela tal espiral de silêncio… o PSD – nas últimas sondagens – já aparece em terceiro lugar e o PS vai, a passos largos, a caminho do segundo.
Como alguém – “muitíssimo”  próximo de Belém – me confidenciava há duas semanas,, “vai ser impossível aguentar o Governo”, que (acrescento eu)… cairá até ao fim do ano, com eleições até março.
Começando a entrar na fase em que cada vez mais eleitores começarão a pensar “… vamos lá experimentar uma coisa diferente!!!”
E, com isso, levando-os a agirem como sempre têm respondido, em termos eleitorais, em todas as democracias em que essa escolha se tem colocado, optando pela bipolarização entre os princípios e a corrupção, entre a verdade e o medo e o condicionamento do poder político, entre a democracia e os interesses pessoais.
A aumentar a fundamentação e a dar respaldo a todo este raciocínio, aconteceu… já nas últimas horas 24 horas, o assalto e a destruição, no gabinete de André Ventura, em plena Assembleia da República.
O regime – entre os escribas das convicções alheias ou os falsos independentes – tudo fez, ao longo do dia de ontem, para desgraduar o assalto, tentar encontrar explicações em factos que não tem qualquer conexão entre si, gerar a dúvida, encontrar versões de autoflagelação… tudo de acordo com os manuais das ditaduras (só não conseguem – por medo de serem descobertos – fazer saltar os opositores de prédios bem altos, como os seus muito queridos e venerados líderes de outras paragens… como bons estalinistas, que continuam a ser, mas têm vergonha de assumir, nestes tempos).
Pergunto-lhes sempre… e se (no caso concreto) fosse no gabinete de… Luís Neves?
Também se desdobrariam em explicações sobre teorias de ter sido o próprio ou alguém próximo a fazê-lo?
Não, porque o medo os tolhe de ter o mesmo critério, antes os faz optar por serem cobardes com quem temem e agressivos com quem os respeita.
Ou, resumindo todo esse ódio (e o reconhecer da impotência de o combater com as regras da democracia e do respeito pelo voto popular) como, ontem, me escreveria alguém… “só os burros do Chega inventariam um auto ataque daqueles para se vitimizarem…”
Nada mais certo… até porque era do Chega o ex-DG da PJ que não entregou as declarações de interesses a que estava legalmente obrigado, durante os anos em que exerceu essas funções, era do Chega quem contratou obras na PJ (muitas delas ao que se sabe) sem concursos, era do Chega quem chamou o mesmo empreiteiro que havia contratado para a PJ para fazer obras nas suas casas, era do Chega quem, tendo feito tudo isso, não conseguiu provar o pagamento de nenhuns dessas obras, era do Chega quem entregou um atrelado com substâncias perigosas (que tinham sido mandadas destruir) para serem guardados em Barcelos, tudo sem explicação… até agora (embora esteja perfeitamente convicto que as “provas”, de tanto tempo que estão a demorar a aparecer, venham “um brinquinho”… como diz o Povo)…
Ora, quem mais – senão quem for membro do Chega (e qualquer dia da IL… em vésperas de ser “traída” por Cotrim de Figueiredo… é um palpite) – pode ser tão burro para fazer uma coisa dessas???
Há sempre – hoje, em Portugal – um qualquer defensor para “se atravessar” pela verdade oficial.
Normalmente com uma dupla origem: os que o fazem porque são “pagos” (a qualquer título) pelo Governo ou os que odeiam e temem (por interesse próprio) a ascensão e a chegada do Chega ao Governo!
Mas há, neste caso, em concreto, os que o fazem por uma terceira razão: o medo bem patente que têm de Luís Neves, do que ele sabe deles ou do medo do que ele possa saber do que andaram e andam a fazer.
Mas como tudo tem o seu tempo (como diriam os que acreditam… os que têm fé, esse dom divino)… Deus pode tardar… mas não falha!
Até lá, e enquanto durar a impunidade, neste regime, até um dia, cada vez mais próximo… não no tempo de Deus, mas no dos Homens… “Luís Neves não pode sair, yo”!!!
Até lá, e enquanto durar a impunidade, neste regime, até um dia, cada vez mais próximo… não no tempo de Deus, mas no dos Homens… “Luís Neves não pode sair, yo”!!!
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Publicado em 29 julho de 2026
Rui Gomes da Silva

ONDE ANDA A “MORAL REPUBLICANA”???

Rui Gomes da Silva

A opinião pública tem vindo a ser confrontada com dois processos paralelos de contestação aos ministros das respetivas pastas. E, embora esses processos possam parecer quase iguais, eles são, em tudo, diferentes!

É verdade que a questão dos erros sucessivos, cometidos nos exames nacionais, afetam milhares de alunos, milhares de famílias no que mais queriam ver resolvido nesta época: a entrada na universidade, sem toda esta confusão. E isso pode custar o cargo a Fernando Alexandre (se não for esse o desfecho, isso terá um desgaste enorme no Governo, que alimentará a espiral de silêncio do voto contra os partidos que o sustentam, no próximo ato eleitoral, que, desse modo, estará cada vez mais próximo).

Um custo assente na avaliação das capacidades políticas do ministro, dos erros de análise que terá cometido, dos riscos não avaliados da introdução de novos procedimentos (que nunca poderão ou deverão ser confundidos com reformas) ou, no limite, das culpas pela escolha das empresas responsáveis por todo este caos, tenha sido o ministro a fazer essas opções ou tenha sido constrangido a fazê-las, por alguém com ascendente sobre si…

 

Mas se, na Educação, estamos perante um caso de incompetência política, já na Administração Interna estamos perante um caso de ética, muito mais grave para o Estado e para a credibilidade das instituições… e, no limite, para o regular funcionamento dessas mesmas instituições.

 

Mas se, na Educação, estamos perante um caso de incompetência política, já na Administração Interna estamos perante um caso de ética, muito mais grave para o Estado e para a credibilidade das instituições …e, no limite, para o regular funcionamento dessas mesmas instituições.

Na verdade, tudo se teria resolvido se Luís Neves tivesse vindo a terreiro, logo após a primeira notícia, dizer algumas coisas muito simples: que estava arrependido de ter contratado uma empresa que trabalhava para PJ (como disse, embora só esse facto fosse, por si só, lamentável e eticamente muito questionável), mas aqui estão os contratos, os orçamentos, os pagamentos e os recibos, devidamente datados das obras feitas nas duas casas, no Alentejo!

Só que nada disso aconteceu, nem – daquilo que percebemos – vai acontecer, porque o que não existe dificilmente poderá aparecer. Mas pior ainda que o não ter provado nada (pelo menos até ao momento), foi que esse total desconforto e desaparecimento pessoal e politico de Luís Neves fez com que a comunicação social abrisse novas pistas de investigação e descobrisse o – já famoso e com ‘pano para mangas’, como se diz em Espinho, em Braga e no Fundão – ‘caso do atrelado com produtos perigosos a bordo’.

E se já era difícil sair do ‘caso das obras feitas pela empresa de Barcelos’, mais difícil será sair do ‘caso do atrelado…’!!!

Tão difícil de sustentar que até a PJ e o MP decidiram dar continuidade à investigação… na procura de uma justificação para… aquilo que era um perigo estacionado num depósito da Marinha, não representar qualquer risco, quando estacionado numa na via pública ou num parque de uma empresa de construção em Barcelos, a mesma que tem obrigado Luís Neves, desde há um mês, a tentar encontrar as provas dos pagamentos das obras feitas nas suas casas…

Ou como poderá explicar Luís Neves que um atrelado com materiais perigosos, que a Marinha não quis num dos seus parques, por razões de segurança, pode fazer uma viagem de Lisboa (ou de Almada) a Barcelos, pondo em causa todos os cidadãos que se possam ter cruzado com esse atrelado???

Ou onde estarão guardados os produtos apreendidos com esse mesmo atrelado? Ou, se foram destruídos, por quem, onde e com que cuidados e garantias para a saúde pública?

Mas como as repercussões deste caso não param de nos surpreender, o que dizer da posição do PS – e cito, neste caso, Rui Rio –… “não é um pouco intrigante que o PS ataque tão empenhadamente o Ministro da Educação (ou a Ministra da Saúde) e fuja para não ter de responder às (graves) questões sobre o anterior diretor da PJ e atual ministro da Administração Interna? Deve haver uma explicação…”

Deve haver uma explicação, acrescente-se, não para o PS, mas para os diferentes PS’s – o de José Luis Carneiro, o de Pedro Nuno Santos, o de António Costa – todos os PS’s que cabem dentro deste PS, não atacarem Luís Neves.

Será – porventura – um enorme erro meu não perceber o que é que Luís Neves tem (como a baiana, da canção de Carmen Miranda)… eu e o Presidente da República, António José Seguro, que – a acreditar nas notícias – esteve em estado de prontidão para aceitar o pedido de substituição de Luís Neves no Governo.

Longe vão os tempos da invocação da “moral republicana” pelo PS de Mário Soares, de Salgado Zenha, de Jorge Coelho e de outros, com quem – apesar das discordâncias ideológicas – me identificava com os valores éticos e morais defendidos.

Porque, no limite, nada disto tem a ver com política… mas antes da forma como aferimos os nossos comportamentos e como os queremos adequar aos princípios éticos e morais que defendemos.

Ou – como gosto tanto de citar – … “imoralidade é querermos para os outros algo diferente do que queremos para nós próprios”!

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Publicado em 22 julho de 2026
Rui Gomes da Silva

A CORAGEM CONTRA O MEDO

Rui Gomes da Silva

A vida democrática envolve sempre opções. Opções entre a transparência e opacidade… entre a total e permanente disponibilidade para ser escrutinado e a tentativa de esconder a realidade… entre a coragem de confrontar o poder quando dele se discorda e o medo de o contestar, mesmo que esse poder escolha os caminhos da falta de ética e da não conformidade com a lei.

Infelizmente, esse tem sido o modelo com que alguns nos têm brindado!

Como Luís Montenegro, com o caso Spinumviva, ou como – agora – Luís Neves, com o caso de empreiteiro de Barcelos, com contratos na PJ, a fazer obras nas suas duas casas em Odemira.

Tão simples quanto isso!!!

Transmitindo uma sensação de impunidade, só ultrapassada pela imoralidade de tudo o que exigem, na oposição, ser precisamente o oposto a tudo o que fazem quando estão no Governo.

Ou – numa nova versão dessa realidade – tudo pedir como polícia (ou como chefe de uma Polícia) e a quase tudo não responder… como Ministro das Polícias

Já não bastava a vergonha dos exames nacionais, da sua digitalização e do adiamento dos resultados da correção, protagonizada por um Ministro da Educação que não sabe, sequer, explicar como apareceu uma empresa onde a falha de preparação para as tarefas para que foi contratada é tão evidente… sem falar da hipotética relação com a máquina do PSD (que espero ver desmentida).

Com tanta ‘novidade’, fica muito difícil acreditar na narrativa da invenção de ‘notícias’ pela extrema-direita radical.

O que seria se – em vez da cena no Parlamento, em que o Ministro da Administração Interna, ainda em funções, parece (a mim parece-me mesmo, confesso) ameaçar o líder da oposição – fosse André Ventura a ameaçar alguém…

O que seria… já pensaram?

Um MAI que não sairá do Governo… pelas mesmas razões que levaram o PM a escolhê-lo… é bom que não o esqueçamos!

Mas se essa inação de Montenegro pode ser explicada… o que dizer do apoio do líder e do carinho e da compreensão demonstrados por alguns deputados do PS à situação em que se encontra Luís Neves???

Sabemos que alguns optaram pelo medo, ao contrário de André Ventura, que optou pela coragem.

É por isso tudo que o título que escolhi para hoje é mesmo… a coragem contra o medo!!!

Sabemos que alguns optaram pelo medo, ao contrário de André Ventura, que optou pela coragem.

Uma coragem que é aquela a que sempre nos habituou e que vai ser tão precisa para o ciclo que aí vem.

Um ciclo que traz consigo os ventos de eleições antecipadas, com o início do fim anunciado – cada vez mais, para já – do Governo do PSD!!!

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Publicado em 15 julho de 2026
Rui Gomes da Silva

O AMULETO DEU AZAR

Rui Gomes da Silva

Pela voz do presidente do Grupo Parlamentar do partido maioritário da Coligação minoritária que tem responsabilidades de Governo, soubemos que o primeiro-ministro atravessou três vezes o Atlântico, e o que foi necessário da América do Norte, para chegar, assistir e comentar os jogos de Portugal no Mundial de futebol, porque – a acreditar nas palavras do mesmo ‘apoiante’ – não liga aos comentários (a ‘inveja’) dos que não compreendem…”a paixão do povo pelo futebol, nem a importância da Seleção Nacional”.

Para esse ‘comentador apaixonado’ pela paixão do PM, Luís Montenegro seria um “amuleto” para a equipa de Pedro Proença, Jorge Mendes, Roberto Martínez, etc… “a equipa de todos nós”!!!

‘Ora, desta vez, o amuleto não resultou, como ‘àquelas idas à bruxa” com ‘vitórias’ e ‘fortunas’ anunciadas e ‘derrotas’ e ‘desilusões’ confirmadas!

Por agora, até à próxima ‘necessidade’ futebolística para que seja necessário tirar o “amuleto” da gaveta (não sei se, com estes resultados, ainda o quererão), que bom seria que se concentrasse nas questões do nosso dia a dia.

 

A um amuleto (como Luís Montenegro se acha) exige-se sorte… mas aos governos, aos ministros, ao PM… exige-se trabalho!

 

Sem os holofotes do futebol e sem se aproveitar do “suor” de quem corre e trabalha muito para conseguir um objectivo, por agora … que bom seria que Luís Montenegro, fosse um “amuleto” para os que – por estes dias, enquanto ele viajava a caminho de um camarote, para ver um jogo de futebol – sofriam com os incêndios tão anunciados mas que sempre apanham de surpresa os nossos governantes, … com as faltas de água em Almada … ou com os erros do Ministério da Educação e a falta de resposta à correção de provas, sem se saber de quem é a responsabilidade!

A um amuleto (como Luís Montenegro se acha) exige-se sorte, … mas aos governos, aos ministros, ao PM … exige-se trabalho!

E não o “pão e o circo” do futebol com um fim tão anunciado e previsível (pelo menos para quem por lá já andou), … que só me admira que alguém tenha acreditado – naquelas circunstâncias e com aqueles dados – poder haver um fim diferente do que o que aconteceu.

E se – porventura – “não se enxergar” e levar a sério essa história do “amuleto” … que, hoje, use esses “poderes” e convença os líderes parceiros da NATO a manterem a aliança entre a Europa e os EUA, que nos deu estes últimos 80 anos de paz.

Sem se pôr em bicos de pés … nem ter como única preocupação ser recebido na Casa Branca (que parece ser o grande objectivo da nossa política externa) e conseguir uma fotografia para colocar nas mesas de apoio da sala da casa de Espinho … porque cada um tem o “Mar-a-Lago” que pode e merece!!!

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Publicado em 08 julho de 2026
Rui Gomes da Silva

BEM-VINDO, DOUTOR CAVACO SILVA…

Rui Gomes da Silva

Aníbal Cavaco Silva foi – surpreendentemente – o mais empenhado de todos aqueles que se vinham esforçando por validar o mandato de Luís Montenegro, primeiro como líder do PSD, depois à frente do Governo.

Talvez imaginando que os 28% da primeira vez do seu sucessor serviriam, tal como os seus de 1985, para repetir as duas maiorias absolutas de 1987 e 1991.

Enganou-se, logo aí, ao confrontar-se (entre 2024 e 2025) com uma subida de apenas 3% ou 4%, longe dos mais de 50% dessas vitórias retumbantes.

Empenhou-se Cavaco Silva no apoio à atual liderança em todos os momentos de celebração do seu PSD, quase sem exceção, mas… vistas bem as coisas… não poderá o ex-pm e ex-PR acumular senão desilusões nos últimos meses do mandato do seu (ex) ‘pupilo predileto’.

Já não bastavam as tristezas acumuladas (tão evidentes foram os seus distanciamentos) com quase todas as lideranças dos últimos 20 anos… e ainda havia, agora, Luís Montenegro de o voltar a deixar tão ‘só e abandonado’!

E, mesmo que antes não tivesse havido razões de queixa, ninguém poderá achar que Aníbal Cavaco Silva não tenha ficado desiludido (pelo menos) com o apoio do PSD a Tiago Antunes para o cargo de Provedor de Justiça.

Como se conseguisse esquecer os tempos em que, sendo Secretário de Estado de Sócrates, mantinha viva a escrita no blogue Câmara Corporativa, tão crítico do próprio Cavaco Silva, então Presidente da República.

Depois desse momento – podem conferir – o ‘seguro de vida’ de Luís Montenegro deixou de o elogiar, preferindo antes deixar palavras de incentivo aos agora ministros, que tinham trabalhado com ele, em Belém

Mas até isso Luís Montenegro não percebeu, e voltou a dar razões de afastamento a Cavaco, quando as máquinas de propaganda do PSD começaram a falar do objetivo do atual líder: ser o mais importante da história do próprio partido!

Vieram agora os últimos números da população e dos imigrantes, e o “deixem o Luís trabalhar” deixou de fazer muito sentido, ao deitarem por terra a argumentação do ‘sonho português’ que até os alemães queriam imitar…

Mas aquilo que terá – no meu modesto entendimento – acabado definitivamente com o idílio entre Cavaco e Montenegro foi o anúncio do Fundo Soberano.

Até posso estar enganado… mas não consigo imaginar que alguma vez Aníbal Cavaco Silva possa vir a subscrever, apoiar, elogiar ou aplaudir essa ideia.

Luís Montenegro pode ter razões que a razão desconhecerá para divulgar e para se ‘agarrar’ à ideia de um Fundo Soberano português mas, com isso, especialmente ‘pelas tais razões que a razão desconhecerá’, perdeu o apoio definitivo do ex-pm e ex-PR.

Veremos se esta previsão, tão arriscada, não será uma previsão completamente certa e totalmente verificável no muito curto prazo.

Ou, como diria alguém, “bem-vindo Doutor Aníbal Cavaco Silva ao grupo dos desiludidos… dos totalmente desiludidos com Luís Montenegro”!!!

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Publicado em 01 julho de 2026
Rui Gomes da Silva

'O PACOTE DA HIPOCRISIA'

Rui Gomes da Silva

Tenho – para mim, passe a tautologia – que o Governo pouco ou nada se importava com o conteúdo do pacote laboral que se propôs aprovar.

Porque (não me canso de o repetir, para que não se julgue que alguma vez pensei o contrário) aquele foi mais um episódio das sucessivas e repetidas tentativas táticas de dividir Portugal entre os que são a favor de uma qualquer opção do Executivo e os que são contra.

Com a ideia fixa de que a divisão entre os ‘bons’ e os ‘maus’ alimenta a ‘agenda mediática’ e, com isso, impede o desgaste da governação (no caso concreto, o desgaste da não governação e da inação)!

Como diria Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto e eleito no passado fim de semana como vice-presidente do PSD, nunca antes se terá percebido que o Governo de Luís Montenegro tivesse considerado esta ou qualquer outra reforma da legislação laboral como relevante para o futuro do País… a não ser para esse efeito… o da criação de mais um momento de artificialismo de maniqueísmo político, tão do seu agrado!

E, depois, os populistas são os outros!!!

Espanta-me, por isso, ver e ouvir os comentadores políticos a lamentarem a reprovação de um pacote laboral que, há seis meses, não sabiam existir nem, tão pouco, ser necessário e do qual discordavam há poucos dias.

Mas – e isto é um mérito de quem o consegue – fazem-no agora por essa ser a posição que os coloca contra André Ventura!

Única e simplesmente por isso!

Aliás – e disso poucos duvidarão –, se André Ventura tivesse votado a favor, viriam (os mesmos) criticar essa posição… porque tinha votado ao lado dos ricos… contra os portugueses que precisam de trabalhar muito para sobreviver, etc.

Assim, como André Ventura decidiu – e bem – chumbar este pacote laboral, esses ‘defensores de convicções alheias’ (como tanto gosto de lhes chamar) descobriram que este era o pacote laboral que Portugal precisava, mas, sobre o qual, se lhes perguntassem ou se lhes perguntarem, ainda hoje, sobre o que consta, não saberiam, como não sabem, responder.

Porque – condescendamos nisso – esta não é a reforma laboral que Portugal precisa.

Os portugueses precisam, antes e em vez disso (ou simultaneamente com isso), de verem consagrada a descida da idade da reforma.

Mas, porque essa posição foi assumida e defendida por André Ventura, descobriram – todos em conjunto… da AD à extrema-esquerda – que o importante é a sustentabilidade da Segurança Social.

Será, com toda a certeza, disso não haja dúvidas, mas… porque será que essas mesmas vozes, agora tão ‘inquietas’, não se manifestaram, nos últimos anos, com o desvio dos excedentes das contribuições dessa mesma Segurança Social para ‘cobrir’ os sucessivos resultados negativos das contas do Estado e, assim, dar a ideia que temos sempre contas certas?

Mas sobre isso não interessa falar … correndo o risco de ter de dar razão a André Ventura.

E isso – reconhecer que André Ventura tem razão – é a única coisa que as ‘redações’ não podem consentir!

Ou, como diria Jean François Revel, “a esquerda pode, por vezes, estar enganada; a direita é que nunca pode ganhar ou ter razão”!!!

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Publicado em 24 junho de 2026
Rui Gomes da Silva

'PELOS PRINCÍPIOS CONTRA OS INTERESSES'

Rui Gomes da Silva

Há – também na política… ou especialmente na política – os que trocam princípios por interesses, valores por vinganças, apoios lógicos por votos ‘contranatura’.

Foram esses, mais preocupados com os ódios do que com as opções consequentes, que, sendo de ‘direita’, apelaram (nas últimas eleições presidenciais) ao voto em António José Seguro.

Muito desses, pelo silêncio ou por afirmações ainda tímidas, vieram – na última semana –  insurgir-se contra o veto do Presidente da República à ‘lei das bandeiras’, para, logo a seguir, lamentarem a quantidade de lugares-comuns com que os ‘assessores’ de Belém lhe encheram o discurso do passado 10 de Junho, na Ilha Terceira!

Não terão tido – ainda é muito cedo – coragem para se declararem arrependidos… mas já começaram a ‘meter-se ao caminho’, à procura do distanciamento que os interesses aconselham!

Eu sei que poderão ter uma recaída, até porque – como diria um profundo conhecedor dessas ‘matérias’… “o único objetivo de um Presidente da República, no primeiro mandato, é o de garantir a sua reeleição” (para, depois disso, aí, sim, fazer as pazes com o seu eleitorado, e despachar os seus inimigos políticos, incluindo os que, por conveniência ou por o acharem um mal menor, o apoiaram… acrescentarei eu)!

Por isso, esses ‘defensores de convicções alheias’, encontrarão sempre motivo para voltarem a votar em António José Seguro, quanto mais não seja por ‘inveja’ em relação a um candidato oponente… da sua área política… que não seja cada um deles.

E  – nesse aspeto – Portugal parece-se muito com esta Europa de hoje.

Sem uma liderança forte, somos muitos com a mania que somos importantes, somos muitos com a mania da equidistância, somos muitos a confundir princípios com circunstâncias.

Apesar de, como me farto de ver escrito, também aqui no, 24Horas, estes ‘muitos’ continuam a demonstrar uma incapacidade gritante para perceberem que o mundo mudou!

Um mundo cada vez a mudar mais rapidamente… e eles parados a ver o mundo a mudar (mas convencidos que ‘surfam’ a onda da mudança… só por andarem a recorrer à IA).

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Publicado em 17 junho de 2026
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