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Rui Gomes da Silva

O DESESPERO DE MONTENEGRO

Rui Gomes da Silva

As recentes declarações de Luís Montenegro são bem elucidativas sobre as dificuldades com que o PSD está a ser confrontado nesta campanha presidencial.

Seja pela falta de empatia do candidato, traduzida na impossibilidade de fazer o pleno dos votos do PSD, seja pela incapacidade do primeiro-ministro em conseguir convencer o seu bloco de apoio que está a governar bem, a verdade é que Luís Marques Mendes está a ser uma “enorme dor de cabeça” para o seu partido.

Só por essa razão se entende o apelo de Luís Montenegro ao voto no seu antecessor (entre 2005 e 2007).

A outra hipótese (que não a de uma derrota eminente, que causará grandes problemas políticos a uma maioria tão frágil como aquela que, hoje, tem a AD) seria a de o ex-comentador da SIC ir ganhar as eleições e o líder do PSD estar a fazer valer os seus “créditos” nessa vitória!

Infelizmente para os dois – Marques Mendes e Montenegro -, a versão mais plausível será a primeira… a da antecipação de um descalabro eleitoral que custará muito ao PSD nos próximos meses.

É, pois, uma declaração em desespero de causa!

Tão grande desespero que levou a que Montenegro não tivesse sido cauteloso, não salvaguardando os votos e a maioria (mesmo relativa) que tem, sem querer saber de gerir as responsabilidades que tem, pela função que exerce, “em nome do PSD”!

De facto, ao tentar colocar esses mesmos votos ao serviço do candidato Luís Marques Mendes, Luis Montenegro deu a entender a enorme fragilidade que o acompanha nessas funções, e porque precisa de um Presidente “muito amigo”, cuja legitimidade seja derivada da maioria governamental.

Para “este” PSD, só com um Presidente da República que não ponha em causa a posição do atual primeiro-ministro conseguirá sobreviver por mais algum tempo no Palácio de São Bento.

Com a imagem da governação a deteriorar-se, seria preciso alguém em Belém que sustentasse e “andasse ao colo” com o Governo, o que só acontecerá (aconteceria talvez seja o mais aconselhável escrever) com Luís Marques Mendes.

Por isso, o desespero da constatação… por isso, o desespero do apelo… por isso – também – o desespero da renovação da “narrativa” da aprovação do Orçamento, a tantos meses de distância.

Se revisitarmos estes anos de liderança de Montenegro, há sinais permanentes da sua estratégia de vitimização que não o deixam, sendo um deles o da votação do Orçamento.

Não basta invocar Francisco Sá Carneiro para que os portugueses se sintam impelidos a votar no PSD ou nos seus candidatos.

Seria necessário dissipar dúvidas sobre o passado, resolver o caos da Saúde, tratar da legalidade da Imigração, acertar na estratégia para a Administração Interna, entre outros casos… e não se percebe como o conseguirão.

Daí o desespero nestas presidenciais, antecipando o desespero para o resto do ano, daí a fragilidade absoluta do PSD que começará a tornar-se bem mais evidente com a derrota nestas eleições do início de 2026.

Antecipando o descalabro – arrisco eu – das outras eleições que ocorrerão no início de 2027 (ou antes, se calhar).

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Publicado em 07 janeiro de 2026
Rui Gomes da Silva

É ESTE O PORTUGAL QUE QUEREMOS?

Rui Gomes da Silva

A fechar este ano de 2025 – e antes de pensar no Ano Novo que está mesmo a “bater-nos à porta” – nada como perguntar se é mesmo este o Portugal que queremos… o Portugal com que sonhamos… o Portugal que imaginamos ajudar a construir…

Um Portugal com futuro, sem constrangimentos, livre e sem mordaças, sem casos que nos envergonhem enquanto comunidade!

Como – a título de exemplos mais paradigmáticos- os casos da espera nas urgências dos hospitais, ou – também de espera-nos aeroportos nacionais…

Os primeiros (os dos que precisam de recorrer ao Serviço Nacional de Saúde) chegando, nalguns casos, às 26 horas de espera…

Os segundos (os que tentam entrar no País pelos aeroportos nacionais) chegando a esperar 7 horas para passar o controle de passaportes…

Aos primeiros, com tanta gente sem ter outro “remédio” senão esperar, o Governo – que prometeu resolver o problema das urgências em 60 dias – pede paciência… quase 2 anos depois de entrar em funções.

Aos segundos, porque a espera já tem muita gente influente e com poder lá pelo meio – como o atestam alguns dos que publicamente expressam a sua revolta pela situação – resolve responder com a suspensão do rigor das regras de entrada em território português.

Em tempos de concessão de pontes atrás de pontes… (e pensar eu que um Governo “começou a ser demitido” por ter concedido um único dia de tolerância de ponto)… nada como pedir para esperar ou “levantar as guardas” para toda a gente poder entrar.

Mas – pergunto eu – não chegará de tanta incompetência???

Não será o tempo de dizer basta a tanta situação incompreensível???

Não haverá um tempo para pensar mais nos portugueses e menos nos interesses de alguns – pouquíssimos – sempre beneficiados em cada distribuição de lugares, feita pela fidelidade ao líder e não pela capacidade e pela competência???

Dia 18 de Janeiro poderemos começar a corrigir isto tudo e votar em quem acharmos que vai – mesmo – ajudar a construir o Portugal que queremos!!!

Para acabar com este estado de coisas… eu, por mim já decidi!

Para termos – todos – um grande 2026.

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Publicado em 31 dezembro de 2025
Rui Gomes da Silva

‘PORTUGAL (DE NOVO) AMORDAÇADO’?

Rui Gomes da Silva

Em Abril de 1972, ainda exilado em França, Mário Soares publicou “Portugal Amordaçado”.

E percebendo os riscos que a liberdade correria, sempre que há uma revolução feita em nome dela, publicou, 5 meses após o 25 de Abril de 1974, a versão portuguesa desse livro, considerado “… uma reflexão contra os perigos que espreitam a liberdade e a democracia …”!

Hoje, mais 51 anos após o 25 de Abril, a esquerda portuguesa, incapaz de convencer, pelos argumentos do combate democrático e da discussão de ideias, tenta a solução que, ao longo da História, acabou sempre a amordaçar a vontade popular.

Cada vez mais sem apoio e sem futuro, porque sem votos, essa mesma esquerda (como sempre com o apoio dos “idiotas úteis da direita” que vivem e existem por causa dessas solidariedades “libertárias”), desta vez, não se bastou em passar o combate ideológico para o nível da “judicialização” da política, com pacotes de transparência que tentassem atemorizar esses novos combatentes da liberdade!

De facto, quem se preparou para essa disputa – com eleições vencidas por todo o mundo – não se atemoriza com esses velhos truques.

O que levou a esquerda wokista e já quase sem qualquer representatividade eleitoral, a recorrer a outra situações marginais, capazes, por si só, de os fazer parecer estarem a ganhar o combate.

Contando – ou forçando mesmo – com a sustentação de um novo perigo para a democracia e a liberdade, … a da política sustentada em decisões dá justiça.

Um processo bem metido dá direito a uma decisão favorável … que demorará o tempo suficiente a ser revertida, para permitir a sensação de vitória … até os tribunais superiores colocarem um ponto final “à brincadeira e à festa”!!!

Que importa a liberdade de expressão, o delito de opinião, a interpretação abusiva e rebuscada de qualquer afirmação … tudo com um único objetivo, … o de condenar quem está cada vez mais perto de ganhar eleições e acabar com os desmandos de quem, mesmo sem votos para tal, mandava a seu bel prazer em tudo?

O medo desses poderes inorgânicos, dessas forças políticas sem representatividade, a viverem da aparência de poder que pode dar a presença exuberante nas ruas, de perder esse mesmo poder, leva-os a tentar seguir tudo o que possam achar útil para não desaparecerem.

Mesmo que para isso chamem a justiça não para o centro do debate, mas fazendo da utilização parcial e enviesada da justiça o eixo principal desse combate, tentando a sua politização (com uma parte dela a aceitar – infelizmente – participar).

Tentando, no limite, que mesmo mudando de políticos, não consigamos mudar de políticas.

Infelizmente para eles, acabou o poder da rua, já não há medo de revoluções de esquerda (tão mal tem andando os seus últimos exemplos pelo mundo fora) e a sua sempre invocada superioridade moral e ética já não consegue enganar mais ninguém.

E se o povo é quem mais ordena, não haverá mais o regresso a outro “Portugal amordaçado”!

Por muito que isso custe ao sistema e aos velhos donos disto tudo (quer em termos de dinheiro, quer em termos políticos)!

Pelo futuro … que será de quem acredita que vamos ser capazes de mudar o mundo!!!

Mas isso será em 2026!!!

Porque … por hoje … um Santo Natal para todos!!!

Rui Gomes da Silva

O FIM DOS (ANTIGOS) REGIMES

Rui Gomes da Silva

Em tempos de Natal… nada de temas fraturantes nem palavras que dividam os portugueses…

Por isso me veio à cabeça a preocupação de muitos analistas, tantos jornalistas e tantos políticos sobre a necessidade de defenderem aquilo a que eles chamam… “o regime”!

E dei comigo a pensar que terá sido essa a preocupação de muitos, ao longo da História, sem sucesso – diga-se – porque a vida faz-se dessa mesma evolução!

E dei comigo a recordar – para não ir muito lá para trás – que esse terá sido o drama dos defensores do “antigo regime” absolutista contra os ventos do liberalismo e da consagração das monarquias constitucionais.

Como o terá sido entre “vintistas” e “cartistas” ou, depois, sucessivamente, entre “cabralistas”, “fontistas”, “rotativistas”, “franquistas” ou “republicanos” (sem ser exaustivo), até ao 5 de Outubro de 1910.

Ou, já na Republica, entre cada um e os outros (tal foi a proliferação de governos, partidos e movimentos) ou entre estes – todos – e o “sidonismo”.

Ou entre os “democratas” e os adeptos da “ditadura nacional” e o que o “salazarismo” fez dessa mesma ditadura e – sejamos honestos – o “marcelismo” ajudou tanto a destruir e a criar caminhos para que a “revolução dos cravos” tivesse o êxito que conhecemos.

Ou, já depois do 25 de Abril, no regime atual, apesar de tantos, à esquerda e à direita, terem sonhado com a IV República (III para quem acha que o “Estado Novo” não foi… nada), entre “Sá Carneiristas”, “soaristas”, “eanistas” ou “cavaquistas”.

E agora… essa mesma esquerda e esse mesmo “centrão”, sem líderes à altura, repete-se, até à exaustão, na necessidade de defender o regime… como se fosse possível… parar um rio imenso (a vontade popular), com um pequeno dique feito de tijolos (os interesses), ligados entre si por uma argamassa inconsistente e sem qualidade (como a grande maioria dos políticos que os servem, através dos partidos que de que se apropriam e “capturam”, com os famosos “sindicatos de voto”, ou pela eleição de líderes menores (goste-se ou não) fariam ou ainda fazem os líderes históricos dos grandes partidos do regime dos últimos 50 anos serem grandes figuras ao pé daqueles.

O problema é mesmo esse… o tempo… que tal como para o resto… passa cada vez mais depressa.

E 50 anos – nos tempos de hoje – é, mesmo, muito tempo.

Não o seria se o regime se tivesse reinventado… mudando a Constituição e as leis básicas do regime para – com novo ímpeto e novo fôlego – ser capaz de oferecer ao povo o que o povo quer.

Ao não o ter feito, ficando refém dos interesses e da mediocridade, o regime acelerou o seu próprio fim.

E “cairão”… mesmo que ainda – durante uns tempos – se agarrem a tudo, até aos tribunais, para calar a verdade.

Um fim de regime que deve ser feito com respeito pelos limites que temos que impor a nós mesmos.

Um sucessão feita com respeito absoluto pelo voto popular, pela democracia, em liberdade, com regras, com respeito pelas minorias e tendo como pedra basilar a defesa e a garantia da dignidade humana.

Sem revoluções… mas sem os outros limites… que os “donos do regime” – em Lisboa ou em Bruxelas – tentam impor.

Para que “possamos mudar de políticos e, também, de políticas”.

E essa mudança – por muito que lhes custe – pode mesmo acontecer… vai começar a acontecer… no próximo dia 18 de Janeiro de 2026!!!

Rui Gomes da Silva

COM FRANK GEHRY (OUTUBRO DE 2003)

Rui Gomes da Silva

Na sexta-feira passada, 5 de Dezembro, morreu Frank Gehry. Morreu o Arquiteto que, em 2003, Pedro Santana Lopes, então Presidente da Câmara de Lisboa, escolhera para transformar o Parque Mayer, fazendo com que uma zona da capital, “palco” degradado da “revista à portuguesa”, com tanta história para contar, mas tão abandonado nas últimas décadas, passasse a exibir, como imagem maior dessa desejada renovação, uma obra monumental assinada por um dos maiores nomes da arquitetura mundial de todos os tempos!

Conheci então, pessoalmente, Frank Gehry.

Primeiro, em Lisboa, numa reunião de trabalho, seguida de jantar, a convite de Pedro Santana Lopes.

Passadas umas semanas fui a Los Angeles, como representante do Presidente da Câmara – acompanhado pela sua Assessora, a Arquiteta Ana Gonçalves – para negociar o contrato com Frank Gehry.

Uma viagem de três dias a Los Angeles, com saída de Lisboa na manhã de 21 de Outubro, via Frankfurt, chegada a LA à tarde desse mesmo dia, jantar com a equipa da Gehry Partners, dormir, passar o dia 22 em reuniões seguidas, no atelier e com o próprio Frank Gehry, trocar o jantar desse dia por uma visita guiada ao Walt Disney Concert Hall, uma das obras icónicas do próprio, que haveria de ser inaugurada no dia seguinte (com visibilidade mundial), dormir e regressar a Lisboa, na manhã do dia 23, de novo via Frankfurt.

Uma viagem com um significado muito especial, onde ficou acordado todo o enquadramento do que haveriam de ser as conclusões de uma nova reunião de trabalho, entre Pedro Santana Lopes, com a sua equipa, e os arquitectos da Gehry Partners, de novo, a 5 de Novembro, desse mesmo ano, em Lisboa.

Mas voltemos ao meu dia – 22 de Outubro de 2003 – no atelier e com Frank Gehry.

Durante a manhã, com as explicações de Ana Gonçalves e – em algumas partes desse meu contacto com “aquele mundo”, com a companhia de Jim Glymph (o braço direito de Frank Gehry) – fui deambulando por ali, pelo gigantesco atelier de Frank Gehry, instalado um antigo armazém, onde fui deparando com as reproduções – à escala – das suas grandes obras, de uma dimensão tal que nos permitia entrar e andar por dentro dessas mesmas maquetes, ouvindo explicações sobre os materiais, a dimensão, o significado, o momento e a localização de cada projeto.

Ou até – como na reprodução, a uma escala enorme, do Walt Disney Concert Hall, que haveria de ser inaugurado oficialmente no dia seguinte – andar pela plateia dessa maquete, descer até ao palco, ouvindo e experimentando, atentamente, por exemplo, as explicações estéticas e as razões das condições acústicas de tal obra!

Depois, como se não bastasse de emoção, seguiu-se a reunião com Frank Gehry para discutir pontos importantes que era preciso acordar antes do encontro que haveria de acontecer, em Lisboa, já em Novembro.

Fechamos muitos pormenores do futuro contrato, que haveriam de ser confirmados – em ofício de 17 de Novembro – por Jim Glymph, ficando eu com a promessa de os voltar a visitar, agora para entrar na maquete do que Frank Gehry estava a pensar fazer no Parque Mayer!

Um último (enorme) detalhe encerrou as nossas conversas sobre o projecto… o do preço.

Tinha trazido instruções precisas de Pedro Santana Lopes sobre a necessidade de fechar num determinado valor, e fui tentando convencer Frank Gehry das “minhas” limitações.

Fomos descendo desde o valor inicialmente pedido … até um determinado montante, já bem inferior, mas ainda um pouco acima do que me tinha sido determinado.

Foi aí que Frank Gehry se virou para mim e disse… “Viu tudo o que fiz, já conheceu ao detalhe como o faço … acha que Lisboa não merece uma obra destas???… e eu… acha que não mereço o que estou a pedir???”

Merecia, claro que merecia!!!

E, apesar de a noite, em Lisboa, já ter começado há muito, falei ao telefone com Pedro Santana Lopes, para, em poucos minutos, reforçar o elogio da escolha e o pedido para deixar em aberto o valor para ser fechado em Lisboa, nos dias seguintes.

E foi isso que aconteceu, não sem antes de uma noite dormida a correr e uma viagem de muitas horas até Lisboa, termos ido – eu e a Ana Gonçalves – visitar os bastidores do Walt Disney Concert Hall, que seria inaugurado no dia seguinte, tendo como “cicerone” Jim Glymph.

Com a esperança de, tal como acontecera com o Museu Guggenheim, em Bilbau, por exemplo, podermos ter – em Lisboa – uma obra de Frank Gehry, o pós-modernista desconstrutivista, que via a arquitetura como escultura!

Depois… depois foi a velha história de uma esquerda que se recusou a validar uma escolha que mudaria Lisboa…

A mesma esquerda que tudo fez para impedir a construção do túnel do Marquês…

A mesma esquerda que tenta perseguir e impedir de fazer o que promete a quem lhes ganha eleições…

Com a inveja de quem não tem ideias que não seja a de perseguir quem tem uma ideia de desenvolvimento moderna e esclarecida – neste caso – sobre a cidade.

A esquerda de então ganhou uma guerra feita de pequenas vinganças, vetos e recusas.
Lisboa, Portugal… perderam a oportunidade única de ter no seu património uma escultura com a dimensão de um teatro.

Uma oportunidade perdida, sonhada por Pedro Santana Lopes, mas boicotada pela esquerda.

Com nomes e caras… que a memória não deixará apagar, mas que não é este o local para referir. Sempre os mesmos…

Os que acharam que havia túneis bons e túneis maus!

Com isso … perdemos uma futura referência cultural europeia.

A esquerda, essa, congratula-se com estas pequenas vitórias feitas de ódio e de vingança.

Embora – neste caro – tenhamos perdido todos.

Como depois terão percebido!!!

Infelizmente… tarde demais!

Rui Gomes da Silva

POLITICAMENTE INCORRETO: A “CORTE” DE (E EM) ESPINHO

Rui Gomes da Silva

Anteontem, 1.º de Dezembro, José Ribeiro e Castro, Presidente da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, afirmava… “Embaraço-me porque votei AD”!

Uma declaração crítica face à indisponibilidade do Primeiro-Ministro em o receber, nessa qualidade, e muito menos em se dignar a estar presente nas comemorações oficiais da restauração da independência!

Uma ausência que tornou mais evidente o desconforto de Luís Montenegro em enfrentar os problemas e as vozes cada vez mais críticas de uma governação que teima em não se perceber que rumo quer levar.

Longe vão os anos de 1981 e 1982, em que tantos criticávamos a forma de exercer o poder, dentro do PSD (então “de” Francisco Pinto Balsemão, Presidente do Partido e Primeiro-Ministro), todo ele estruturado com base no “eixo” Lisboa-Cascais.

Hoje, esse mesmo PSD está refém dos interesses de um outro “eixo”, o de Espinho-Braga, alicerçado numa mesma lógica de grupo, bem mais fechado que o do início da década de 80 do século passado, unido – o de agora – por outras perspectivas que, reconheça-se, não eram as de quem, então, acompanhava o líder, como Marcelo Rebelo de Sousa ou António Capucho.

Uma nova versão de “Corte na Aldeia”, de Francisco Rodrigues Lobo, não já na exaltação da vida do campo e de elogio dos costumes, para além de forma de comunicar, como as que constavam da obrar de 1619, mas – antes – na maneira como escolheram fazer política e designar pessoas para todos os lugares onde possam “meter a mão”.

E se as opções para muitos cargos do Governo demonstram esse privilegiar da fidelidade e da pertença ao núcleo de “amigos” e “compagnons de route”, as novas escolhas ainda evidenciam mais essa preocupação.

Longe de Lisboa, mas com a “corte” transferida (na verdadeira acepção da palavra) para terras de Espinho, o PSD. que este novo “eixo” trata como coisa sua, vai fazendo escolhas que surpreendem a cada momento!

Como nos recentes casos da presidência da Associação Nacional de Municípios ou, até, dos ASD, onde optou pela fidelidade em vez da representatividade!

Quem, ao fim de 6 (no limite, 18) meses de exercício de poder, opta por esse caminho, já não tem margem nem capacidade para renovar nem apontar soluções diferentes e inovadoras para o País.

Limita-se – antes – a gerir e a pagar apoios, a colocar peças que sustentem e amorteçam uma queda mais do que previsível.

Reduz a sua ação apenas à transformação de fiéis “soldados” em “generais de aviário”, cuja única preparação foi e será a disponibilidade para apoiar o líder (e o seu fiel Secretário Geral, que sonha em ser o próximo líder) em tudo o que aí possa vir.

E que não será pouco… dirão os mais avisados… apesar da preocupação em não dar dinheiro ao Tribunal Constitucional para investigar… vá lá saber-se porque é que há tanta preocupação de quem manda em que nada se possa descobrir… apesar de já se saber tanto!

Confesso que não fico embaraçado… porque já não votei AD!

E não votei como tantos… desiludido com uma liderança reducionista na sua origem geográfica, limitada na sua fonte de recrutamento político, sem horizontes abertos na sua visão para Portugal.

Não posso ficar embaraçado de um erro que não cometi… mas compreendo o embaraço de quem o fez e – atrevo-me até – a antecipar a vergonha que sentirão, muito em breve, de o terem feito!

Parafraseando Nuno Melo, que enquanto Ministro da Defesa, representou o Governo nas referidas comemorações do 1.° de Dezembro deste ano … “cuidado, não caiam”!!!

Rui Gomes da Silva

AS CONVICÇÕES ACABAM SEMPRE POR GANHAR AOS INTERESSES

Rui Gomes da Silva

Dizia John Stuart Mill que – e cito – “uma pessoa com uma convicção é uma força social igual à de 99 que tenham apenas interesses!”

Por isso, nos exemplos que vamos tendo, quem defende convicções acaba sempre por vencer os que defendem interesses!

Que foram – quase sempre – os que, a seu tempo, souberam defender ideias e lutar por valores, mas acabaram, com o exercício do poder, enredados e perdidos na defesa dos interesses dos que os sustentam, sem cuidar das necessidades dos que invocam para se perpetuarem no poder.

A História da política, de todas as situações políticas, é essa!

E, tirando os românticos defensores de sociedades utópicas que – sem nenhuma excepção – recorreram à força para garantir o “apoio” do povo, todos os que começam por convicções se perdem nas teias dos interesses, sejam eles pessoais, sejam eles de uma certa parte da sociedade… que os fazem abandonar os caminhos que se propuseram percorrer.

São esses interesses que limitam a liberdade de quem decide, de quem ganha eleições e que (pelo tempo fora) vão contribuindo decisivamente para a queda de regimes, para a substituição de governos (na sua mais ampla expressão), para a sucessão de líderes!

Por isso, em todos os processos históricos de disputa de poder (quando se confrontam as convicções com os interesses), a primeira reação é de subestimar as convicções, com o conforto que os apoios, conseguidos nos interesses, vão dando.

Depois, quando percebem que se trata, não já de alguém fora do “arco de governação”, mas, antes, a de quem pode mesmo vir a ganhar… aí é o desespero!

Dos ataques, da discussão sobre como impedir que lá cheguem as convicções…

E como só mesmo as tais ditaduras de sociedades utópicas traduzidas, na realidade, em tudo o que era contrário ao que defendiam, conseguiram “substituir o povo”… resta-lhes o recurso aos meios mais sórdidos para impedir tais candidaturas!

Contando os tais “agora intolerantes ex-campeões da tolerância”, com a ajuda daqueles a quem devotaram a mais completa indiferença (quer por razões ideológicas, quer pelos tais interesses que ditam outras razões), esses a quem trataram com a arrogância que sempre devotam aos que não acham dignos de convidar para se sentar à sua mesa (que julgam ser a das elites).

Infelizmente para eles, felizmente para nós…

Já agora, e por falar em interesses e convicções, ontem, no 50.° aniversário de um 25 de Novembro tão carregado ideologicamente, assistimos a um grande debate televisivo… entre Luís Marques Mendes e André Ventura… onde a diferença não passou, apenas, entre os que ficaram e saíram da Sala das Sessões por deixar ou não ficar cravos vermelhos onde era pressuposto eles não estarem… como não foi um confronto
entre os que não tendo saído do Plenário, não tiveram coragem para tirar os cravos vermelhos de onde não era suposto estarem e os que queriam que eles lá ficassem… ou entre formas de comunicar!!!

Era, foi e será… entre interesses e convicções!!!

Mas como… “uma pessoa com uma convicção é uma força social igual à de 99 que tenham apenas interesses”…

Rui Gomes da Silva

’VALE TUDO’ PARA OS ‘DONOS DISTO TUDO’

Rui Gomes da Silva

Em democracia, o mais natural é que os que estão no poder, um dia, passem a ser oposição e quem está na oposição chegue, um dia, ao poder!

Um “chegar” pela mão de eleições, fazendo desse suceder de soluções, o encanto de um regime (voltando a citar Winston Churchill) que é o pior, à excepção de todos os outros.

O problema, para esses “senhores do regime”, nos dias de hoje (e muito especialmente, nesta campanha presidencial) é que, apesar de tanta nota dada pelos jornalistas nos debates a favorecer os candidatos dos “Donos Disto Tudo”, ao arrepio do que todos nós vemos, e de tanta “sondagem” (feitas, sempre, pelos mesmos e sempre desmentidas pelos votos, no dia das eleições)… de tanta sondagem, a favor desses candidatos,… pela primeira vez,… o resultado pode não os satisfazer!

Antes pelo contrário, poderemos mesmo dizê-lo,… já que quem tem mais hipóteses de passar à segunda volta destas eleições pode ser, precisamente, quem representa o que eles não querem.

E o medo do que aí pode vir é tão grande que os faz perder a cabeça e cometer erros que não eram expectáveis.

Dizia, há algumas décadas, Jean François Revel – no caso, em concreto, sobre a esquerda, mas que aqui se aplica que nem uma luva – [eles] até podem perder, a direita é que nunca pode ganhar”.

Neste caso… e adaptando a “citação”… os senhores do regime até podem perder … quem põe os seus interesses em causa é que não pode – nunca – ganhar!!!

Ou seja… os candidatos do regime podem perder… desde que percam entre eles!!!

Porque… quem quer ser alternativa aos interesses e às “negociatas”… esses nunca podem ganhar!!!

Ou seja – repetindo o que vou dizendo, à imagem de outros, desde há muito – o que os tais senhores e donos do (nosso) mundo querem é que até possamos mudar de políticos… desde que não mudemos de políticas!

Embora sejam tão previsíveis (ninguém tem dúvidas sobre quem ganha cada debate, na análise dos comentadores – com uma honrosa excepção – em função do posicionamento de cada candidato em relação aos interesses dos “donos do regime”) será que, desta vez, ainda lhes correrá tudo como querem?

Começo a acreditar que não!!!

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Publicado em 19 novembro de 2025
Rui Gomes da Silva

POLITICAMENTE INCORRETO: IL, A NOVA ‘BENGALA’ POLÍTICA DO PS

Rui Gomes da Silva

As recentes alianças políticas (e consequentes votações nos órgãos autárquicos, saídos das eleições de 12 de Outubro), trouxeram para a luz do dia uma nova estratégia da IL.

Condicionada por uma irrelevância galopante – gerada pela incapacidade de marcar a agenda política, incapacidade bem visível nas sucessivas sondagens sobre intenções de voto a nível nacional – a IL, sem qualquer ideia mobilizadora nos tempos de hoje, descobriu um comportamento que entendeu poder tirá-la desse fundo do poço da política portuguesa.

Ainda assim, poderia não ter ideias, mas manter a coerência e a razoabilidade, na busca da estabilidade e do – sempre esperado e consequente – desenvolvimento!!!

Mas não,… preferiu antes trocar isso pelo elogio fácil dos comentadores da noite dos canais televisivos, que se derretem com tudo o que lhes pareça ser anti-Chega ou anti-Trump.

A estes, tudo o que lhes “cheirar” a linhas… vermelhas… aparentemente condicionadoras da força crescente do Chega, faz o pleno do seu êxtase, mesmo que totalmente inconsequente nos resultados.

Sem peso político eleitoral para “quase nada”, a IL manda e condiciona o PSD, a seu bel-prazer!

Como em Sintra, onde a sua direção nacional validou o acordo com o Chega, mas a IL se quis meter em “bicos de pés”…
Ou em Lisboa, na Assembleia Municipal, onde a sua posição anti Chega levou o PSD a ceder… e a “oferecer” a respetiva presidência ao PS.

Linhas vermelhas de uma IL contra o Chega (que pena – dirão entre si – não serem só os comentadores a votar em cada eleição) que não foram traçadas quando o PSD aceitou fazer um acordo, em Beja,… sim quem diria que o PSD, o Partido de Francisco Sá Carneiro, o poderia fazer… com a CDU!!!

Uma IL – partido do quase nada, capaz de dar tudo ao PS – contra o Chega, mas incapaz de criticar um acordo com a CDU… não é um partido com ideologia… mas antes um partido oportunista.

A escolha… entre ser uma força construtiva ou uma força de bloqueio… está feita pela IL.

Mas – ainda assim – a avaliação dessas estratégias,… a força de cada um dos partidos (traduzida em votos a nível nacional, sem disfarces de círculos eleitorais, nas próximas eleições presidenciais) está para breve.

Nesse dia – lamentando o facto de partidos com dimensão nacional se deixarem “agrilhoar” por partidos de nichos residuais, em termos políticos – voltaremos a confirmar que, nos tempos que correm, os combates da IL não compensam eleitoralmente (por muito que isso custe aos próprios e aos tais comentadores)!

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Publicado em 10 dezembro de 2025
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Publicado em 03 dezembro de 2025
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Publicado em 26 novembro de 2025
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Publicado em 12 novembro de 2025