Frase do dia

  • “Às vezes, dou por mim a perguntar como não valorizamos o que temos de bom: o futebol português”, António Salvador, após a vitória histórica do SC Braga frente o Bétis
  • “Às vezes, dou por mim a perguntar como não valorizamos o que temos de bom: o futebol português”, António Salvador, após a vitória histórica do SC Braga frente o Bétis
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Jorge Morais

O que as últimas intempéries vieram revelar está muito, mas mesmo muito, para lá da falta de previsão, de prevenção...

O que as últimas intempéries vieram revelar está muito, mas mesmo muito, para lá da falta de previsão, de prevenção e de organização deste Estado que hoje conhecemos. Por uma vez, “a culpa” não é “do Costa”, nem “do Passos”, nem “do Sócrates”, nem “do Cavaco”, nem sequer “do Salazar” ou “do Afonso Costa” – embora também seja de cada um deles. De cada um de nós. E dissolve-se no tempo.

Depois de semanas de vendaval e enxurrada, o que fica à mostra é um país de cartolina, um país colado com cuspo ao longo de séculos.

Diques que colapsam, estradas que afundam, casas postas ao nível do rio que as banha, muros sem arrimo, bairros assentes em montes de terra, à beira de precipícios, bueiros imprestáveis, rachas nunca investigadas, linhas de comboio a cinco metros da água, dunas desleixadas, materiais de fancaria, consertos às três pancadas – este é o país revelado pela descida das águas e pela acalmia dos ventos.

Dir-se-ia que, ao construir, nunca nos terá passado pela cabeça que pudesse um dia soprar uma ventania forte por Portugal ou que fosse possível transbordarem os caudais dos nossos lindos riachinhos, tão mansinhos que eles são. E, no entanto, sabemos há centenas de anos que é isso, precisamente, que acontece. E sempre tem acontecido.

Foi agora preciso a intempérie rugir mais forte, e durante mais tempo do que o costume, para ficar à mostra o país do remendo, do desenrasca, o país pobretanas que poupa no cimento, fecha os olhos na inspeção e desdenha pensar, projetar, comparar, fazer sólido.

É certo que muito tem melhorado no plano municipal, no aparelho do Estado. Há hoje uma exigência normativa que não havia há cinquenta, cem, trezentos anos. Há uma preocupação com a qualidade. E há meios de intervenção com que nem sequer sonhávamos no passado. Mas ainda assim ficámos com metade do país de pantanas: em parte pela dimensão extraordinária da tempestade, sim, é verdade; mas numa boa medida por termos passado séculos, incluindo ontem e anteontem, a fingir que não víamos.

Vamos agora consertar, reconstruir, refazer, em muitos casos edificar de raiz. ¿Será pedir muito que o façamos como deve ser?

O preâmbulo do anunciado “grande plano de recuperação e resiliência para Portugal”, o PTRR, bem podia começar com a parábola do “homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha: desceu a chuva, e correram os rios, e sopraram os ventos, e embateram naquela casa, e ela não caiu, porque estava edificada sobre a rocha”. Está em Mateus 7:24-25 há quase dois mil anos.