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  • “Fui a pessoa mais atacada do Mundo nas redes sociais”, Meghan Markle
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José Paulo Fafe

Somos um país extraordinário. Há muito que gostamos de ser quem não somos, de adotar – sempre tardiamente, aliás… – os...

Somos um país extraordinário.

Há muito que gostamos de ser quem não somos, de adotar – sempre tardiamente, aliás… – os tiques, modismos e manias dos outros, sejam eles espanhóis, franceses, ingleses ou até americanos. 

Há anos que lemos o ‘Le Monde’ sem saber patavina de francês; que comentamos o ‘Financial Times’ como se trabalhássemos na City ou em Wall Street; que falamos sobre os restaurantes da moda em Madrid sem que tenhamos posto os pés num deles sequer; ou que debatemos a política brasileira com base no que ouvimos há dias da boca da ‘manicure’, ou do motorista de Uber que apanhámos na semana passada. 

É assim que somos, sempre prontos a abrir a boca de espanto com o que vem de fora, e dar pouca importância ao que é de cá – sempre, mas sempre, com aquele bacoco pavor de parecermos os provincianos que somos…

Esta terrível e assustadora tendência começa, porém, a fazer escola em todos os domínios, já não se restringe apenas, por exemplo, à tasca manhosa que virou restaurante de ‘chef’ com ‘toque’ e cozinha de espumas, ou à pensão que virou ‘boutique hotel’, chegou mesmo, agora, até à política e ao jornalismo, ainda que muitas vezes os émulos dos nossos políticos e repórteres estejam bastante mais à mão, que é como quem diz, não precisem de vir de além-fronteiras.

Ainda há poucos meses tivemos um candidato presidencial que, porventura à conta da farda e de uma postura seráfica, se julgava Eanes; convivemos, desde há dois anos a esta parte, com um primeiro-ministro que, vá lá saber-se porquê, se julga um Cavaco; e começamos agora, deliciados e sem conseguir conter o riso, a observar as imitações de ‘tâniaslaranjo’ que começam a pulular pelos nossos milhentos canais de informação, sempre prontas a abandonar o conforto do estúdio e a fazer vivos de botas ‘afogadas’ nas cheias…

Tudo isto seria divertido e até causador de galhofa, se não revelasse a perda de identidade que está a tomar conta deste país, que continua com aquela mania de pensar ser o que não é. Bastaria olhar para Lisboa, hoje governada por alguém que, coitado, de tão ridículo, não consegue sequer encontrar alguém a quem imitar, também ela a julgar-se uma metrópole cosmopolita, moderna e ‘avant garde’,  mas que afinal não passa de uma capital hoje tomada de assalto por ‘modismos’ bacocos, provincianos, e que começa a arriscar-se a atrair apenas quem consegue, apesar da seu abastardamento, considerá-la ainda ‘very tipical’.

Mas o maior exemplo que vivemos num país de fingimentos, num país há muito colado em cacos, e que não é o que durante muito tempo julgou ser, é exatamente a forma como o estamos a ver ruir num ápice, fruto dos ventos e chuvas que só serão surpresa para quem anda aqui há menos de 40 anos…