Frase do dia

  • “Foi o 1.º de Maio de 1974 que transformou o golpe militar numa revolução em marcha”, Manuel Carvalho da Silva
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Carlos Reis

A actual guerra no Médio Oriente apresenta uma estranheza difícil de ignorar: não se percebem, com nitidez estratégica, os seus...

A actual guerra no Médio Oriente apresenta uma estranheza difícil de ignorar: não se percebem, com nitidez estratégica, os seus objetivos finais, em particular do lado norte-americano.

Não há uma doutrina clara de vitória, nem um desfecho político inteligível. A intervenção parece oscilar entre contenção, demonstração de força e gestão de equilíbrios regionais, mas sem um fim definido — o que, em termos clássicos de estratégia, constitui uma anomalia.

Recorde-se Sun Tzu: “A suprema arte da guerra é subjugar o inimigo sem combater.” Mais ainda, toda a sua obra pressupõe clareza de objetivos, economia de meios e coerência entre fins e instrumentos. Ora, o que hoje se observa é, precisamente, o inverso: uma ação prolongada, difusa e sem teleologia evidente.

Este padrão levanta uma questão mais profunda sobre a conduta da atual Administração dos Estados Unidos no quadro das Relações Internacionais.

Do ponto de vista moral, a seletividade da ação externa é perturbadora. Enquanto se mobilizam recursos num teatro de guerra complexo, povos como os da Venezuela ou do Irão permanecem entregues à continuidade de regimes que os oprimem há décadas, sem que se vislumbre uma estratégia eficaz de mudança. A defesa dos valores democráticos surge, assim, fragmentada e, por vezes, contraditória, por uma Administração que fala a várias vozes, até essas vozes simplesmente desistirem da sua própria incapacidade em mudar esses regimes.

Para países europeus de média dimensão, como Portugal, a margem de manobra é reduzida. A arquitetura de alianças — em particular com os Estados Unidos — não é apenas conjuntural; é estrutural. Rompê-la seria desestabilizar o próprio projeto europeu que construímos ao longo de décadas. Mas criticá-la frontalmente, ainda que com razão, seria um gesto diplomático simultaneamente corajoso e inútil: nada mudaria em Washington, e apenas fragilizaria a posição externa portuguesa.

Que fazer, então? Talvez a resposta esteja simbolicamente representada na célebre escultura dos “três macacos sábios”, no Santuário Tōshō-gū, no Japão: Mizaru, o macaco sábio que não vê o mal; Kikazaru, o macaco sábio que não ouve o mal; e Iwazaru, o macaco sábio que não fala do mal.

Originalmente um ensinamento ético shinto, a sua leitura contemporânea aproxima-se perigosamente de uma atitude de resignação: ver, ouvir e calar.

Talvez seja esse o dilema europeu atual: entre a lucidez crítica e a prudência estratégica, resta muitas vezes o silêncio — não por virtude, mas por necessidade.

Uma Páscoa difícil, esta.