Na entrevista hoje publicada pelo jornal online Eco, a primeira em 8 anos, Pedro Passos Coelho voltou a intervir no debate público com uma análise detalhada sobre o momento económico e político de Portugal, defendendo a urgência de reformas estruturais capazes de acelerar o crescimento e aumentar a competitividade.
O antigo primeiro-ministro mostrou-se preocupado com o que considera ser uma trajetória de crescimento anémico, excessivamente apoiada no consumo e nos fundos europeus, alertando que o país continua a revelar fragilidades ao nível da produtividade, do investimento e da capacidade exportadora. Na sua leitura, sem mudanças profundas nas áreas da fiscalidade, da justiça económica e da relação entre o Estado e as empresas, será difícil convergir com a média europeia.
Sem assumir qualquer regresso à vida partidária ativa, Passos Coelho deixou, ainda assim, sinais políticos relevantes, ao sublinhar a necessidade de uma alternativa credível no espaço do centro-direita, baseada em políticas consistentes e numa visão reformista de médio prazo. Criticou o que entende ser uma tendência para a gestão conjuntural e para o adiamento de decisões estruturais, defendendo maior previsibilidade nas políticas públicas como fator essencial para atrair investimento e reforçar a confiança dos agentes económicos.
A entrevista ficou também marcada pela dimensão europeia, com o ex-chefe do Governo a enquadrar os desafios nacionais no novo ciclo político e económico da União Europeia, defendendo que Portugal deve aproveitar esse contexto para reposicionar a sua estratégia de crescimento. Num tom analítico e sem deriva polémica, Passos Coelho procurou recentrar o debate nas escolhas de longo prazo e na necessidade de uma economia mais robusta e menos dependente de estímulos externos.