O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) deixou um aviso claro ao Governo português sobre os riscos associados à eventual entrada do grupo Lufthansa no capital da TAP Air Portugal, no âmbito do processo de privatização da companhia aérea.
A estrutura sindical considera que a análise aos potenciais compradores não deve centrar-se apenas na capacidade financeira ou nas sinergias operacionais. Para os pilotos, fatores como o histórico de relações laborais, o respeito pela negociação coletiva e a cultura empresarial devem pesar de forma decisiva na escolha do futuro acionista.
O SPAC manifesta preocupações concretas com o comportamento da Lufthansa noutras operações, apontando para episódios de tensão com trabalhadores e decisões que terão fragilizado o diálogo social dentro do grupo. Na perspetiva do sindicato, esse histórico levanta dúvidas sobre a forma como a empresa poderá atuar caso venha a ter influência na gestão da TAP.
Os pilotos temem que práticas consideradas menos favoráveis aos trabalhadores possam ser replicadas em Portugal, com impacto direto na estabilidade laboral e até na operação da companhia. Ainda assim, o sindicato não se opõe ao processo de privatização, defendendo antes que este deve ser conduzido com critérios rigorosos e uma avaliação aprofundada de todos os riscos.
A Lufthansa surge como um dos principais interessados na aquisição de uma posição na TAP, num processo que continua a ser acompanhado de perto pelos trabalhadores e pelo setor da aviação.
De realçar que o Governo aprovou, esta quinta-feira, 23, o convite formal para que a Air France-KLM e a Lufthansa apresentem propostas vinculativas de compra da TAP Portugal. No anúncio, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, não revelou o valor das propostas, mas admitiu que o Executivo possa tomar uma decisão sobre o comprador em Conselho de Ministros no final de agosto, princípio de setembro.
O ministro disse que o processo de entrega deverá estar fechado “no próximo mês de julho”, para que a Parpública, gestora das participações sociais do Estado, entregue ao Governo o relatório sobre as propostas em agosto, para depois disso o Governo tomar a decisão final.