Paulo Rangel, de 58 anos, considerou que a utilização da Base das Lajes, nos Açores, por parte dos EUA devido ao conflito com o Irão tem sido mínima, sobretudo quando comparada com os vastos recursos militares que Washington mantém no Médio Oriente. As declarações foram feitas, na quarta-feira, 29, na ‘Grande Entrevista’ da RTP.
O ministro dos Negócios Estrangeiros realçou que a autorização para a utilização da base açoriana pelos EUA está condicionada ao facto de todo o material que ali transite se destinar exclusivamente a respostas proporcionais e necessárias a ataques, contra alvos militares. Paulo Rangel sublinhou ainda que o acordo conta com um consenso alargado entre as principais forças políticas portuguesas.
“Recebemos do PS e do Chega o acordo da condicionalidade que foi posta. Nenhum disse que estava contra nestas condições”, apontou.
Questionado sobre as críticas do Governo norte‑americano, liderado por Donald Trump, aos aliados da NATO pela alegada falta de apoio na guerra com o Irão, o ministro dos Negócios Estrangeiros classificou essas posições como injustas. “Esta operação não foi comunicada previamente aos aliados, que não tiveram oportunidade de definir uma posição antecipada sobre o assunto. Parece excessivo exigir que apresentassem uma posição totalmente alinhada”, explicou Paulo Rangel.
“Portugal foi sempre muito claro, não apoia e não subscreve o conflito, [e] também o ataque que o desencadeou, e apoia esforços diplomáticos. (…) A nós interessa-nos essencialmente que se possa atingir um cessar-fogo duradouro que leve a criar condições para uma negociação pela paz que as duas partes possam aceitar”, frisou.
Rangel considerou também que os atuais conflitos deixam o mundo num “momento desafiante”, em que é colocado em causa o multilateralismo, o papel da ONU ou do direito internacional, garantindo que Portugal “não desiste” destes valores.