O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou esta terça-feira o julgamento dos alegados mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, mortos a tiro a 14 de março de 2018, no centro do Rio de Janeiro. O caso, que marcou a política brasileira e teve repercussão internacional, entra agora numa fase decisiva, quase oito anos depois do crime.
Na Primeira Turma da mais alta instância judicial do Brasil, os ministros analisam as acusações contra os irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão, apontados pela acusação como mandantes do homicídio, e contra o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, acusado de ter participado na articulação do crime. Todos negam envolvimento.
Segundo a Procuradoria-Geral da República, o homicídio terá sido motivado pela atuação política de Marielle, conhecida pela denúncia de milícias e pela defesa dos direitos humanos. Os arguidos respondem por homicídio qualificado, tentativa de homicídio — referente à assessora que sobreviveu ao atentado — e organização criminosa.
Familiares da vereadora acompanharam o início do julgamento em Brasília. A mãe de Marielle classificou o momento como “difícil, mas de esperança”, enquanto a família sublinhou que a sessão no STF representa uma resposta das instituições democráticas brasileiras após anos de investigação, prisões e acordos de colaboração premiada.
O processo chegou ao Supremo devido ao foro por prerrogativa de função de um dos acusados. A decisão que vier a ser tomada poderá culminar na condenação ou absolvição dos réus e será interpretada como um teste à capacidade do Estado brasileiro de responsabilizar não apenas os executores, mas também os alegados mandantes de um dos crimes políticos mais marcantes da história recente do país.

