A possibilidade de ocorrência de um ‘Super El Niño’ – um fenómeno oceânico, que faz subir as temperaturas em todo o mundo – considerado o mais intenso em até 140 anos, levanta preocupações globais e coloca Europa e América Latina no centro de um cenário de eventos climáticos extremos nos próximos meses.
O fenómeno, causado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, interfere diretamente na circulação atmosférica do planeta. Esse desequilíbrio altera padrões de chuva, temperatura e ventos, criando impactos distintos em diferentes regiões – muitos deles severos.
Na Europa, as projeções apontam para um aumento significativo das temperaturas, com ondas de calor mais frequentes, longas e intensas. Países do sul, como Portugal, Espanha e Itália, devem enfrentar verões particularmente extremos, impulsionados por massas de ar quente vindas do norte de África. O risco de incêndios florestais aumenta de forma expressiva, ao mesmo tempo que a seca pode atingir níveis críticos, afetando o abastecimento de água e a agricultura.
Já no centro e norte europeu, o cenário tende a ser mais instável. A influência do El Niño pode provocar chuvas intensas e tempestades mais violentas, elevando o risco de cheias repentinas e danos em infraestruturas.
Na América Latina, os efeitos também são profundos, mas variam conforme a região. No Brasil, o fenómeno costuma provocar contrastes marcantes. O sul do país tende a enfrentar chuvas acima da média, com maior risco de enchentes, deslizamentos e cheias de rios. Por outro lado, o Norte e o Nordeste podem sofrer com seca prolongada, redução dos níveis dos reservatórios e impactos diretos na produção agrícola e no abastecimento de água.
O Centro-Oeste e parte do Sudeste brasileiro também podem registar períodos de calor intenso e irregularidade nas chuvas, o que afeta culturas agrícolas e eleva o risco de incêndios em áreas de vegetação.
Em outros países da América do Sul, como Peru, Equador e Chile, o El Niño costuma provocar chuvas fortes e inundações, sobretudo em regiões costeiras. Já áreas da América Central podem enfrentar tanto episódios de seca como tempestades mais intensas, dependendo da configuração atmosférica ao longo do fenómeno.
Além dos impactos regionais, o Super El Niño contribui para o aumento da temperatura média global, potenciando recordes de calor à escala planetária. Esse efeito agrava fenómenos já associados às alterações climáticas, tornando eventos extremos mais frequentes e intensos.
Especialistas alertam que a combinação entre um ‘El Niño’ de grande magnitude e o aquecimento global pode gerar um dos períodos mais desafiantes das últimas décadas em termos climáticos. As consequências vão desde crises hídricas e perdas agrícolas até riscos para a saúde pública e pressão sobre sistemas energéticos.
O fenómeno, que deve atingir o seu pico entre 2026 e 2027, poderá marcar um novo patamar de extremos climáticos, com impactos diretos na vida de milhões de pessoas em diferentes continentes.