Donald Trump, de 79 anos, atacou o papa Leão XIV (70) nas redes sociais, num confronto que escala as tensões entre a Casa Branca e o Vaticano em torno da guerra no Irão. Numa publicação na Truth Social, o presidente norte-americano classificou o pontífice como “fraco no crime e péssimo em política externa” e acusou-o de servir a “esquerda radical”.
As críticas surgem depois de Leão XIV ter condenado, no sábado, a “ilusão de omnipotência” que alimenta o conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, apelando a negociações de paz. O papa presidiu a uma vigília de oração na Praça de São Pedro no mesmo dia em que Washington e Teerão iniciaram conversações diretas no Paquistão, durante um frágil cessar-fogo.
Trump foi mais longe e pôs em causa a própria legitimidade do pontificado: “Leão deveria estar grato. A Igreja escolheu-o apenas por ser americano, pensando que seria a melhor forma de lidar com Donald Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano.”
O episódio ganha contornos ainda mais simbólicos quando confrontado com uma imagem que o próprio Trump partilhou nas redes sociais: uma ilustração gerada por inteligência artificial em que surge representado como figura messiânica – vestido de branco e vermelho, a curar um doente com um toque luminoso, rodeado de águias, soldados e da bandeira norte-americana. A iconografia cristã é explícita e deliberada.
A justaposição é reveladora: o mesmo homem que se retrata como salvador divino exige ao líder da Igreja Católica que “deixe de fazer política” e se concentre em ser “um grande Papa”.