O cruzeiro MV Hondius, palco de um surto de hantavírus que já provocou pelo menos três mortos, prepara-se para seguir viagem rumo às Ilhas Canárias, depois de ter sido impedido de atracar em Cabo Verde.
A decisão do governo de Pedro Sanchez em permitir a atracagem do barco está a gerar tensão política em Espanha e preocupação entre autoridades de saúde.
A deslocação do navio para território espanhol surge na sequência de um pedido da Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera necessário garantir assistência médica adequada aos passageiros e tripulação.
O governo de Espanha convocou mesmo uma reunião de emergência para avaliar a operação, enquanto nas Ilhas Canárias cresce o desconforto com a falta de informação sobre os riscos envolvidos.
O executivo regional canário já manifestou reservas quanto à decisão, defendendo que os doentes poderiam ser evacuados por via aérea a partir de Cabo Verde, evitando a entrada do navio. Ainda assim, Madrid admite acolher a embarcação por razões humanitárias, sublinhando que o risco para a população é considerado baixo.
A bordo do Hondius seguem cerca de 150 pessoas de mais de 20 nacionalidades. O surto, associado à estirpe andina do vírus — uma das poucas com potencial de transmissão entre humanos — já levou à confirmação de vários casos, incluindo um novo infetado identificado na Suíça.
Depois de dias sob vigilância e isolamento ao largo da Cidade da Praia, o navio deverá agora rumar às Canárias, onde serão ativados protocolos rigorosos de saúde pública, incluindo triagem, isolamento e eventual repatriamento dos passageiros.
O episódio está a ser seguido de perto por autoridades internacionais e recorda os desafios logísticos e sanitários que surtos infecciosos continuam a representar em ambiente marítimo, sobretudo quando envolvem doenças raras, mas potencialmente graves.