O embaixador Carlos Pires acordou do seu sono profundo no posto de Singapura – e, três dias depois de o 24Horas ter revelado a troca de e-mails com Jeffrey Epstein, esclareceu por fim as circunstâncias em que conheceu o multimilionário pedófilo que explorava uma rede de tráfico sexual para prazer de uns tantos senhores entre os mais poderosos do mundo.
Os nossos repórteres tanto vasculharam por entre quase quatro milhões de ficheiros – até que encontraram uma divertida troca de e-mails entre Epstein e Carlos Pires.
Na madrugada de 11 de novembro de 2010, o diplomata, então colocado como adjunto no gabinete do ministro Luís Amado, recebeu um curto e-mail do próprio Jeffrey Epstein: “Vou hospedá-lo em Nova Iorque. Venha em breve”. Carlos Pires respondeu horas depois: “Obrigado, Jeffrey. Foi um prazer conhecê-lo e aguardo também a sua visita a Portugal muito em breve. Mantemos o contacto”.
As mensagens deixavam claro que os dois homens já se conheciam. O 24Horas apressou-se a contactar o embaixador para lhe ouvir um esclarecimento sobre as relações com Epstein. Mas Carlos Pires, como se o caso fosse coisa de somenos, remeteu-se ao silêncio – silêncio que alimentava todas as suspeitas: aceitou o convite de Epstein para uns dias em Nova Iorque? Viajou no jato privado ‘Lolita Express’? Experimentou as suites do faustoso apartamento de Paris? Conheceu os quartos da mansão na ilha de Little St. James?
Três dias depois da notícia, Carlos Pires reagiu: “Não me lembro de alguma vez me ter cruzado com a pessoa em causa”. Mas, “olhando para a data mencionada”, o contacto “só poderia ter acontecido no Fórum Sir Ban Yas organizado pelos Emirados Árabes Unidos, ocasião em que acompanhei o então ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, na qualidade de seu adjunto. Se tal ocorreu, nesse contexto protocolar e institucional, desconhecia em absoluto o seu percurso e o seu passado”.
Garante que não guarda memória da troca de e-mails. O teor das mensagens – afirma o embaixador – é “meramente circunstancial, comum no exercício das minhas funções, em que prima a cortesia, pelo que daí não há qualquer extrapolação a fazer. Não privei com Jeffrey Epstein e nunca houve, obviamente, qualquer encontro em Nova Iorque ou Lisboa”.
O embaixador refuta “qualquer tipo de associação caluniosa ao referido indivíduo, através de insinuações e conjeturas” – e repudia, de forma veemente, “qualquer tentativa de ataque à minha honra, bom nome e reputação”.
Estamos esclarecidos! Vê, senhor embaixador, não custou muito – pois não?