Álvaro Santos Pereira, de 54 anos, estava há cerca de dois meses no cargo de governador do Banco de Portugal quando decidiu reforçar os seus investimentos pessoais, adquirindo ações da Galp e do grupo Jerónimo Martins. As operações, realizadas em dezembro de 2025, violam as regras do Banco Central Europeu (BCE).
As transações foram comunicadas ao BCE a 12 de janeiro de 2026, através da declaração de interesses obrigatória que todos os governadores do Eurosistema devem entregar, detalhando atividades e investimentos externos ao banco central. Após análise, Frankfurt determinou que as compras tinham de ser revertidas, uma vez que o código de conduta do BCE proíbe a aquisição de ações individuais por membros dos conselhos de administração dos bancos centrais nacionais. De acordo com o Público, são permitidos apenas investimentos em fundos amplamente diversificados, fundos monetários, fundos imobiliários ou pequenas empresas familiares/startups.
A primeira compra ocorreu a 17 de dezembro de 2025, quando Santos Pereira adquiriu ações da Galp, num momento em que a petrolífera enfrentava forte pressão nos mercados após o anúncio de um negócio na Namíbia, que levou a uma queda acentuada da cotação.
A 29 de dezembro, o governador voltou a comprar ações da Galp e realizou também uma aquisição de títulos do grupo Jerónimo Martins. O valor exato das operações não é conhecido, mas cada um ficou abaixo dos 50 mil euros.
O caso contrasta com o do seu antecessor, Mário Centeno, que já possuía ações quando assumiu funções em 2020 – incluindo participações na Benfica SAD, Galp, Martifer, Navigator, Nos, Pharol e REN – e manteve-as durante o mandato, sem realizar novas transações.