O presidente da Argentina, Javier Milei, proibiu esta quinta-feira, 24, a entrada de jornalistas credenciados na Casa Rosada, numa decisão que está a gerar forte polémica no país e a intensificar o confronto com os meios de comunicação social.
A medida surge após a denúncia de um alegado caso de “espionagem ilegal”, relacionado com a captação de imagens no interior do palácio presidencial através de dispositivos tecnológicos. Em resposta, o governo suspendeu o acesso da imprensa ao edifício e interrompeu os mecanismos habituais de controlo de entrada.
Foram afetados jornalistas de vários dos principais órgãos de comunicação argentinos, incluindo Clarín, La Nación, Página/12, TN (Todo Noticias) e C5N, além de correspondentes internacionais que acompanham diariamente a atividade do Executivo em Buenos Aires.
A decisão impede o acesso ao local onde habitualmente decorrem conferências de imprensa e sessões de esclarecimento do Governo. A sala de imprensa também foi encerrada, dificultando o contacto direto entre o poder político e os jornalistas.
A reação foi imediata. Profissionais afetados contestam a medida e consideram-na desproporcionada, alertando para possíveis impactos na liberdade de imprensa e no direito à informação. A ausência de uma lista oficial com todos os veículos atingidos veio reforçar as críticas quanto à falta de transparência.
O episódio surge num contexto de crescente tensão entre o Governo de Javier Milei e a comunicação social. Desde que assumiu a presidência, o chefe de Estado tem protagonizado vários confrontos com jornalistas, mantendo um discurso crítico e, em várias ocasiões, hostil em relação à imprensa.