O Brasil prepara-se para dar um passo estratégico na corrida global pelos chamados minerais de terras raras, com uma proposta que prevê a criação da Terrabras, uma empresa pública destinada a atuar em toda a cadeia produtiva – da mineração ao refino. O projeto, no entanto, já enfrenta resistência em diferentes setores.
As terras raras são essenciais para tecnologias modernas, como baterias, telemóveis, carros eléctricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa. A procura global tem vindo a crescer rapidamente, impulsionada pela transição energética e pela digitalização.
Apesar de possuir uma das maiores reservas do mundo, o Brasil ainda não conseguiu transformar esse potencial em liderança industrial. Entre os principais entraves estão a falta de investimento, limitações tecnológicas e a baixa capacidade de refinação, etapa considerada crucial para gerar maior valor económico.
A proposta da Terrabras surge com o objetivo de mudar esse cenário. A empresa pública deverá garantir maior controlo nacional sobre os recursos, evitar dependência externa e assegurar que o processamento dos minerais seja feito no próprio país.
No entanto, o projeto enfrenta resistência. Críticos apontam preocupações com o aumento da intervenção do Estado na economia, possíveis ineficiências de gestão e riscos ambientais associados à exploração mineral. Também há debate sobre o modelo de financiamento e o impacto para investidores privados.
O movimento acontece num contexto de forte disputa internacional por minerais estratégicos. Grandes potências procuram assegurar acesso a estas matérias-primas, consideradas fundamentais para a segurança tecnológica e energética nas próximas décadas.
Caso avance, a Terrabras poderá representar uma mudança significativa na forma como o Brasil se posiciona no mercado global – deixando de ser apenas fornecedor de matéria-prima para tentar assumir um papel mais relevante na indústria de alta tecnologia.