Morreu esta madrugada, aos 98 anos, Edith Eger, uma das mais reconhecidas sobreviventes dos campos de concentração nazis, conhecida mundialmente como a ‘Bailarina de Auschwitz’.
Ao longo da vida, destacou-se não só pelo testemunho do que viveu durante o Holocausto, mas também pelo trabalho como psicóloga nos Estados Unidos, onde defendeu a importância da educação, da empatia e da resistência ao extremismo.
Edith Eger passou por Auschwitz ainda adolescente, onde perdeu os pais logo à chegada. “Não sabíamos de nada. Os meus pais até tinham bilhetes para irmos para a América, mas não os usámos. Não fazíamos ideia; eu nunca tinha ouvido falar de Auschwitz até chegar lá e ver os portões com a frase ‘Arbeit Macht Frei’ [O Trabalho Liberta, em português]. Não sabia onde estava até ficar perante o doutor Mengele, que me separou da minha mãe. Eles, os meus pais, morreram na câmara de gás nessa noite. Eu vi a chaminé, vi o fumo, e alguém me disse que os meus pais estavam a arder lá”, disse à TSF, em 2018.
Nesse mesmo campo, foi obrigada a dançar para Josef Mengele, episódio que marcou profundamente a sua memória. “Fechei os olhos quando dancei para o doutor Mengele e imaginei que estava a tocar Tchaikovsky e que eu estava a dançar Romeu e Julieta na Opera House de Budapeste”, recordou.
Em 1944, foi forçada, juntamente com a irmã, a integrar uma “marcha da morte” pela Europa, sendo libertada apenas em maio de 1945, na Áustria, já em estado crítico.
Nascida na Hungria, em 1927, Edith Eger foi também bailarina e chegou a integrar a equipa olímpica de ginástica, antes de ser afastada por ser judia. Ao longo da vida, defendeu a importância de escolher entre permanecer vítima ou tornar-se sobrevivente.
Já em idade avançada, alertava para os perigos das divisões sociais e do discurso extremista, defendendo a necessidade de rejeitar a lógica de “nós contra eles”.