Robbie Williams, de 52 anos, recebeu recentemente um diagnóstico de perturbação do espetro do autismo, além da Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) que já tinha tornado público. O cantor britânico falou ainda sobre os pensamentos intrusivos com que continua a lidar e sobre a forma como tenta controlá-los.

A revelação aconteceu durante uma sessão de perguntas e respostas realizada no lançamento da coleção Outono/Inverno da sua marca de roupa, Hopeium, na loja Flannels: "Tenho PHDA e acabei de descobrir que também tenho um pouco de autismo, o que realmente adoro, porque explica muita coisa."

Robbie Williams explicou que encara o diagnóstico com algum sentido de humor, descrevendo-o como um "passe livre para sair da prisão" perante alguns dos comportamentos que considera mais invulgares.

O cantor contou ainda que procura canalizar a sua criatividade para evitar que a mente fique presa a pensamentos que lhe provocam ansiedade: "O que me deixa completamente obcecado é criar imagens e fazer coisas engraçadas. Quando estou a criar imagens e coisas engraçadas, não estou a pensar em mim.”

Robbie deu como exemplo um pensamento intrusivo que teve recentemente durante uma viagem de avião: "Estava sentado num avião e pensei: 'E se eu tivesse telecinese e os meus pensamentos intrusivos mandassem o avião chocar contra o próprio avião?' E esse é o nível de insanidade com que estou a lidar. É melhor treinar o meu cérebro para fazer algo melhor do que preocupar-me com ter poderes sobrenaturais e derrubar um avião."

O artista já tinha revelado ter sido diagnosticado com PHDA por três vezes. Segundo o próprio, chegou a esquecer-se dos diagnósticos anteriores, o que acabou por levar a novas avaliações. A primeira vez aconteceu por volta de 2006, quando começou a pesquisar os sintomas na internet: "Pensei: 'Tudo isto descreve-me. Meu Deus'."

O diagnóstico acabou também por levá-lo a procurar medicação. Robbie admitiu, contudo, que a relação com os comprimidos rapidamente se tornou problemática, tendo passado de os tomar a "esmagá-los e cheirá-los".

Além do PHDA e do autismo, o cantor revelou, em 2025, que acredita ter síndrome de Tourette, embora os sintomas não se manifestem através dos tiques mais habitualmente associados à condição: "Acabei de perceber que tenho síndrome de Tourette, mas os sintomas não se manifestam. São pensamentos intrusivos que acontecem."

Robbie Williams tem falado várias vezes sobre as dificuldades relacionadas com a saúde mental, ao longo dos últimos anos. O cantor, que alcançou a fama nos anos 90 como membro dos Take That antes de iniciar uma carreira a solo de enorme sucesso, também enfrentou problemas de dependência de álcool e drogas e passou por períodos de internamento em clínicas de reabilitação. Apesar das dificuldades, continua a atuar perante grandes multidões.

O cantor, recorde-se, vai passar por Portugal, na sexta-feira, dia 28, no festival MEO Kalorama, no Parque da Bela Vista, em Lisboa.