Kimberly Guilfoyle esteve perto de entrar na família Trump. Acabou embaixadora dos Estados Unidos na Grécia e, agora, afastada pelo próprio presidente. A antiga noiva de Donald Trump Jr. deixou o cargo após denúncias sobre o alegado uso das suas ligações políticas para obter vantagens pessoais.
O episódio decisivo envolveu um pedido ao empresário e doador republicano Eric Deters: pagar uma dívida de 100 mil dólares do seu cartão American Express. Em contrapartida, teria prometido facilitar contactos com figuras da Administração. Deters recusou.
Guilfoyle nega irregularidades. Os seus advogados sustentam que estavam em causa honorários por intervenções públicas anteriores à nomeação diplomática. A explicação não evitou que a Casa Branca lhe pedisse a demissão, anunciada a 13 de outubro.
Mas as polémicas vêm de trás. A saída da Fox News ficou marcada por uma acusação de assédio sexual apresentada por uma assistente. Segundo uma investigação da revista The New Yorker, citada pelo El Mundo, Guilfoyle teria mostrado à colaboradora fotografias dos órgãos genitais de homens com quem mantivera relações sexuais. Teria ainda tentado comprar o seu silêncio. A Fox acabou por pagar quatro milhões de dólares num acordo para evitar um processo judicial. As alegações não equivalem a uma condenação.
Aos 57 anos, a antiga procuradora acumula uma trajetória improvável. Antes de se tornar uma voz entusiástica do trumpismo, foi casada com Gavin Newsom, então autarca de São Francisco e hoje um dos principais adversários de Trump.
A relação com o filho mais velho do presidente abriu-lhe as portas do poder. Nem o fim do noivado impediu a nomeação para Atenas, apesar da ausência de experiência diplomática. Porém, a sucessão de denúncias tornou a sua permanência insustentável. Trump tratou de marcar distância: "Não era membro da minha família". A mulher que quase foi sua nora perdeu também a proteção política.

















