Julio Iglesias, de 82 anos, decidiu avançar judicialmente contra a ministra do Trabalho e Economia Social de Espanha, após Yolanda Díaz (55) se ter recusado a pedir desculpa e a retratar-se pelas declarações feitas sobre as denúncias de alegados crimes sexuais envolvendo o cantor.

Segundo o jornal El Confidencial, os representantes legais de ambas as partes estiveram esta terça-feira, dia 19, num tribunal de Madrid, para uma audiência de conciliação. Como não foi alcançado qualquer entendimento, a defesa do artista confirmou que irá prosseguir com uma ação no Supremo Tribunal, por difamação e calúnia.

O processo teve origem num pedido de conciliação apresentado por Julio Iglesias em fevereiro, no qual o músico acusava a ministra de ter feito comentários "insultuosos e caluniosos" relacionados com denúncias de alegados abusos sexuais que acabaram arquivadas pelo Ministério Público espanhol.

Na audiência, o cantor pretendia que Yolanda Díaz corrigisse publicamente as declarações e o indemnizasse pelos "danos causados", tendo em conta a ampla divulgação mediática do caso.

As palavras da ministra surgiram nas redes sociais após a divulgação de uma investigação jornalística sobre as acusações feitas contra o artista. "Depoimentos arrepiantes de ex-funcionárias de Julio Iglesias. Abuso sexual e uma situação de escravidão com uma estrutura de poder baseada em agressão constante", escreveu Yolanda Díaz, agradecendo ainda "às mulheres corajosas e aos jornalistas do eldiario.es pela reportagem".

Julio Iglesias, recorde-se, foi alvo de denúncias apresentadas por dois antigos funcionários, que o acusavam de tráfico de pessoas para trabalho forçado, agressão sexual, ofensas à integridade física e crimes contra os direitos dos trabalhadores.

No entanto, o Ministério Público de Espanha decidiu arquivar o caso em janeiro deste ano, concluindo que não estavam reunidos os requisitos legais necessários para que a justiça espanhola prosseguisse com a investigação.