Um modelo estatístico desenvolvido pelo economista e investigador brasileiro Rodrigo Mahlmeister antecipou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, quando apenas 2,42% das urnas tinham sido apuradas. A ferramenta foi utilizada pelo jornal O Estado de S. Paulo (Estadão) para acompanhar a contagem dos votos em tempo real.
O sistema também conseguiu projetar as mudanças de liderança durante a apuração, num momento em que os resultados parciais ainda não representavam necessariamente a tendência nacional. No resultado final, Lula obteve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de cerca de 4,4 milhões de votos.
O algoritmo funciona de forma diferente das sondagens eleitorais tradicionais. Em vez de estimar as intenções de voto antes da eleição, compara os resultados das urnas já apuradas com os dados de eleições anteriores. A partir das variações identificadas, calcula projeções para as secções eleitorais cujos votos ainda não foram contabilizados.
A metodologia considera fatores como o Estado, a região, o perfil de votação e a dimensão dos municípios. À medida que a apuração avança, o modelo incorpora novos dados e ajusta as estimativas. O objetivo é reduzir as distorções provocadas pela ordem de contabilização das urnas, que pode favorecer temporariamente um candidato no placar parcial.
No primeiro turno, realizado a 4 de outubro, a ferramenta também apresentou resultados próximos dos oficiais. Quando 2,2% das urnas tinham sido apuradas, o modelo projetava 47,01% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro e 45,50% para Lula. No resultado final, Flávio alcançou 47,03%, enquanto Lula obteve 45,16%.
Mahlmeister é licenciado em Economia, mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorando em Ciência Política na Universidade Duke, nos Estados Unidos. Segundo explicou à GaúchaZH, o projeto começou como uma experiência pessoal de programação e evoluiu para um modelo de projeção eleitoral.
O investigador considera que este tipo de ferramenta poderá tornar-se mais comum nas próximas eleições, permitindo que os órgãos de comunicação social apresentem estimativas próprias durante a noite eleitoral. Ressalva, contudo, que as projeções dependem dos dados disponíveis e que o resultado oficial continua a ser determinado pela apuração da Justiça Eleitoral brasileira.

















