A queda de 10 por cento das ações da Galp no início desta semana, deve ser lida num contexto que ultrapassa o fim das negociações com a Moeve para o estabelecimento de um acordo, termo esse, curiosamente, anunciado nesses dias.
A sessão das bolsas brasileiras da última segunda-feira conjugou o fim das negociações entre as duas petrolíferas com uma forte turbulência política no Brasil, e também uma descida dos preços do petróleo.
O Ibovespa, o índice da Bolsa de São Paulo, caiu 13,88 por cento no pior desempenho diário desde março de 2020, levando a que as perdas obrigassem à suspensão temporária das negociações, retiraram do cerca de 734 mil milhões de reais, cerca de 1,17 mil milhões de euros, à capitalização bolsista. Por outro lado, o dólar subiu 8,2 por cento face ao real, refletindo a procura de proteção dos investidores.
Na origem desta reação esteve também a revisão das apostas eleitorais. Parte do mercado antecipava uma vitória de Flávio Bolsonaro, e a reeleição de Lula da Silva contrariou essas expectativas, precipitando o encerramento de posições e acentuando dúvidas sobre a despesa pública, a dívida e a futura equipa económica.
Para a Galp, esta evolução tem natural relevância, até porque o Brasil concentra grande parte da produção de petróleo e gás da empresa.
A descida do Brent acrescentou também pressão ao setor, pelo que não se pode atribuir a descida das ações da Galp ao fim das negociações com a Moeve, sem considerar estes três outros fatores,

















