O Alzheimer já não deve ser descrito como uma doença ‘intratável’. Esta é a principal conclusão do World Alzheimer Report 2026, o relatório anual da Alzheimer’s Disease International (ADI), publicado desde 2009 e considerado uma das principais referências mundiais sobre demência. A edição deste ano, intitulada ‘A New Era in Dementia Clinical Trials’, destaca os avanços científicos que estão a transformar a forma como a doença é diagnosticada e tratada.
Apesar de continuar sem cura, os especialistas afirmam que a investigação entrou numa nova fase, marcada pelos primeiros tratamentos capazes de modificar a evolução do Alzheimer em fases iniciais. Como refere o relatório, “The era of Alzheimer’s disease as untreatable is over”, uma afirmação que simboliza a mudança de visão sobre uma doença que, durante décadas, era vista apenas como progressiva e sem opções terapêuticas.
A urgência desta mudança é evidente. Com o envelhecimento da população mundial, as estimativas indicam que 139 milhões de pessoas viverão com demência até 2050, quase três vezes mais do que há três décadas. A ADI alerta que este crescimento colocará uma enorme pressão sobre os sistemas de saúde, tornando essencial investir no diagnóstico precoce, na investigação e no acesso a tratamentos inovadores.
Entre os avanços mais relevantes estão os medicamentos lecanemab e donanemab, os primeiros a demonstrar que conseguem atrasar o declínio cognitivo em pessoas com Alzheimer em fase inicial. Embora os benefícios sejam considerados moderados e a sua utilização exija uma seleção rigorosa dos doentes devido ao risco de efeitos secundários, estas terapias representam um marco importante na medicina e abrem caminho para tratamentos cada vez mais eficazes.
A prevenção continua, contudo, a ser uma das ferramentas mais poderosas. Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou novas orientações para reduzir o risco de demência, concluindo que até 45% dos casos poderão ser prevenidos ou adiados através do controlo de fatores modificáveis, como a hipertensão, a diabetes, o tabagismo, o sedentarismo, a poluição do ar, o isolamento social e o consumo excessivo de álcool. A mensagem é clara: proteger a saúde cerebral ao longo da vida poderá ser tão importante quanto os novos tratamentos.


















